segunda-feira, 6 de junho de 2011
A barca dos fariseus
domingo, 5 de junho de 2011
Verdades inconvenientes

Hoje somos 7 bilhões, o vírus da AIDS está completando 30 anos de descoberto, e Antonio Palocci ainda não conseguiu convencer nem o porteiro do Planalto de que sua história é verdadeira.
Dezenove dias depois da revelação de sua fortuna, Antonio Palocci foi aos refletores. Pronunciou “explicações” que, por inconsistentes, borrifaram querosene na crise. O ministro pede à platéia que o ouça com "boa-fé". Ou providencia um complemento ou se arrisca a perder até o benefício da dúvida.
Palocci não forneceu a lista nem à Procuradoria-Geral da República. Ao distinto público, nem pensar. “Acho que não tenho o direito de fazer a divulgação de terceiros”. Beleza. Nesse caso, Palocci deveria demitir-se. De um servidor público, exige-se a transparência do cristal, não a opacidade do copo de geléia. A sonegação dos dados estimula a suspeita de que Palocci vendeu acesso ao Estado.
O ministro disse que trabalhou para indústrias, bancos, fundos de investimento e empresas prestadoras de serviço. Absteve-se de esmiuçar a natureza dos serviços. Incompreensível. Além disso ele disse coisas definitivas sem definir muito bem as coisas. Jura que não defendeu interesses privados em repartições públicas. À Globo, afirmou que trabalhou para “um conjunto de empresas que pouco tem a ver com investimentos públicos”. À Folha, afirmou que “trabalhava em projetos de novos investimentos”, que, “uma vez ou outra, poderiam ser aquisição de empresas”. Mas aquisições e fusões não dependem de aprovação de órgãos governamentais? Sim, reconhece Palocci. Mas “essa parte nunca fiz”, ele alegou. Dar-lhe crédito tornou-se uma questão de fé. Coisa aceitável em igrejas, não na Casa Civil.
Ele atribui o salto à decisão de fechar a consultoria antes de assumir a Casa Civil. Os pagamentos foram “antecipados”. Soou confuso. À Folha, disse que “a empresa só recebeu pelos serviços efetivamente prestados até 2010”. À Globo, declarou que pingaram no final de 2010 pagamentos relativos a “serviços prestados ao longo de anos”. Inclusive coisas que “estavam previstas para ser pagas um ano depois, seis meses depois”. Faltou explicar o porquê de tamanha generosidade com um personagem que, àquela altura, coordenava a transição em nome de uma presidente eleita. Palocci era um ministro à espera da nomeação.
Em representação ao Ministério Público, senadores de oposição compararam a Projeto de Palocci com duas gigantes do ramo da consultoria. Ao atingir a marca dos R$ 20 milhões, a firma de Palocci equiparou-se à LCA, cuja equipe é “formada por mais de cem pessoas”. Superou a Tendências, que dispõe de “70 funcionários”, atende a cerca de “100 clientes” e fatura anualmente “entre R$ 13 milhões e R$ 15 milhões”. Palocci não refuta as cifras. Apenas repisou o lero-lero: seu faturamento foi maior em 2010 porque fechou o balcão. De novo, a crença depende da fé. Muita fé.
E Palocci ainda disse: “Não achei que era adequado importunar a presidente com esse tipo de informação, esse tipo de detalhe”. Nem depois da revelação de que virara um milionário? “Não acho adequado levar essas informações à presidente”. Dilma não perguntou? “Não”. Neste caso, tem-se, além de um ministro sob suspeição, uma presidente da República inepta.
O ministro assegurou: “Não existe nenhum centavo que se refira a política ou campanha eleitoral” na escrituração da Projeto. Em seguida, fez declaração que desmerece a anterior. Não participou da coleta que forniu as arcas eleitorais. “Minha atividade na campanha foi política”. Nesse ponto, nem a fé estimula a crença.
A única coisa dentre todos os argumentos de Palocci para justificar esta crise e que realmente nunca terá uma resposta racionalmente lógica e aceitável é: Por que Palocci trocou o milionário escritório de consultoria pelo contracheque mixuruca de ministro?
Ninguém perguntou. Mas, decerto, foi por altruísmo, pelo desejo irrefreável de servir à causa pública.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Tenho sede...

"Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissope, lhe chegaram à boca."
No texto bíblico acima, percebemos que Ele não tem muito tempo mais de vida. As sombras que envolviam o Calvário desapareceram e a luz do sol começa a brilhar novamente. De repente ouvimos Seu lamento: "Tenho sede" e os soldados colocam um pouco de vinagre em Seus lábios.
Quando Ele disse "Tenho sede", queria dizer, "já fiz tudo o que era preciso para salvar o homem. Consegui meu objetivo, alcancei a meta. Agora dê-me água, porque cheguei ao alvo, terminei o que tinha de ser terminado". Sabe o que quer dizer isso? Que a sua vitória já está garantida; que a sua salvação é um fato concreto; que seus erros passados já foram pagos na cruz do Calvário; que o inimigo não tem mais o direito de atormentá-lo por causa de sua vida passada. Sabe o que quer dizer isso? Que a próxima vez que o inimigo, através de sua consciência, quiser atormentá-lo, você tem todo o direito de dizer: "Você não tem mais motivo para me atormentar porque, é verdade, pequei, mereço a morte; mas a dívida da minha culpa foi paga na cruz". Ninguém hoje tem o direito de ficar aí triste, pensando que não há solução.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O poder devastador do tempo

Viver em função do tempo tem sido cada vez mais a minha sina, o tempo de amar, de falar, o pouco tempo que resta, o pouco de dinheiro gasto em função do tempo que se esgota e se torna cada vez mais devorador de ponteiros e números.
Enfim, o tempo e suas manias de nos encobrir de rugas de marcas de expressões que cada vez mais nos envergonham em frente ao espelho, de nossas próprias mazelas em função do consumo do tempo, que nos seca, que nos corta, que nos mata.
Qual a um carcará que mata, fere e come. O tempo nos consome, nos destrói. O que mais me deixa confuso é o quanto as pessoas não fazem idéia de que o tempo nos destrói, a falta que um pouco de tempo faz, em função da destruição que ele causa, quando passa e tudo se vai, e os outros nem fazem ideia que o pouco tempo ou o muito tempo que perdem entre decisões e resultados, pode salvar ou condenar uma vida a uma razão de muitos problemas ou da perda dela por que o tempo foi longo e sua espera não podia ser maior.
Assim é o tempo. É como sua amiga morte, devastador e impiedoso, sem nenhum remorço ou sentimento ou zelo pelo alheio, o tempo não é recalcado nem preguiçoso, trabalha incansavelmente ao logo do infinito, com uma única meta rudimentar e impiedosa: Acabar.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O bom, o mau e o feio

sábado, 28 de maio de 2011
Oportunidade é a melhor saída

sexta-feira, 27 de maio de 2011
Tudo Igual

Enfim ao mudar de cidade e de estado, minha primeira missão oficial foi assistir a uma sessão do TRE sobre a cassassão de uma deputada, cuja vaga aberta dá acesso a um outro que impetrou a ação. Após uma cruciante espera, enfim a audição do relator, que votou pela cassassão da referida, os argumentos tanto do ministério público eleitoral como da polícia federal que investigou o crime de captação ilícita de sufrágio pela hoje deputada eleita, foram convincentes o suficiente para que se houvesse júri popular em uma sessão deste tipo, houvesse enfim a retirada de mais um corruptor, em tempos de ficha limpa, do mandato expresso pela vontade popular.
Mas vamos ao caso; a deputada em pleno período eleitoral forneceu através de um laranja enviado pela empresa de seu pai, carros de churrasco a pessoas que com amplo curralzinho doméstico, tinham condições de captar mais votos. A polícia federal informada do caso abriu uma investigação e paralelo a isso o ministério público eleitoral também.
O caso foi ao TRE, os juízes ouviram uma série de contradições entre os acareados e provas plantadas pela parte acusada foram forjadas grosseiramente, como uma declaração registrada em cartório com firma reconhecida por parte de uma das beneficiadas, atestando que não vendeu seu voto. Santa ignorância, quem faz este tipo de documento hoje em dia? Sem contar que os recibos de cinco mil reais referentes aos carrinhos "doados", foram assinados por pessoas que nem se quer tem condições de subsistência, imagine escarrar cinco barões para tal investimento.
Sendo assim, quando o relator terminou sua leitura de todos os argumentos pedidos pela acusada para anular o processo, e teve votação absoluta do colegiado a negar todos, enfim leu sua recomendação de cassassão e abriu a votação para os demais.
O presidente do TRE pediu o voto de cada um e dois juízes muito breves fizeram sua votação com o relator. Aí entra o delírio judiciário. Todo juiz togado de um colegiado tem acesso a um processo, as suas particularidades e suas peculiaridades, muito me espanta que um juiz decano, tenha pedido vistas e é claro um adiamento por duas semanas, pois estará ausente do plenário na próxima, empurrando com a barriga seu voto.
Dois juízes resolveram antecipar seu voto, ai vem a segunda estranheza. Um também renomado juiz, do qual tenho grande respeito pelo seu conhecimento da lei. Praticamente levantou-se e assumiu o papel de advogado de defesa da ré. Sublinhou termos, contestou provas, contestou até mesmo a natureza das ações do ministério público eleitoral, sob o olhar sisudo de sua procuradora que exibia um sorriso malicioso sobre ele. Enfim teve a insensatez (chamo assim) de dizer que pessoas simples não sabem o que é o ministério público; se hoje em dia até filho que leva uma coça do pai já sabe em que porta bater. Disse que as provas foram forjadas e com uma eloqüência pantomima, quem sabe uma patuscada (lembrando a fúria teatral de Collor). Levantou a bandeira de que prometer apoio ao candidato, não é um eufemismo de votar nele. E outras em demasia que me abstenho a escrever.
Salvo conduto, o juiz que pediu vistas, solicitou à juíza que poderia decidir aquele momento de tres a um, que aguardasse seu voto para que ela manifestasse o dela.
Ao fim de tudo, três horas de angústia para uma sessão encerrada.
Mas me assusta ainda é que metade da assembléia legislativa, incluindo seu presidente, estava na sessão, como se naquele dia não houvesse sessão na própria AL. Um compadrio muito suspeito e digno da apreciação pública, mesmo partindo do princípio de que todos são inocentes até que se prove sua culpa, eles como representantes do povo deveriam se abster a aguardar a sentença e não participar e tomar lados, se quer do lado acusado como do acusador. Que bonito se a sessão tivesse sido sentenciada e eles todos ao lado de uma corruptora como se compactuassem com o capto ilícito de sufrágio.
Povo acorde para o mundo, nesta terra onde se respira política, não se pode sempre acoitá-la como forma de umbilicalmente se beneficiar. O estado carece de crescimento, e não de enriquecimento de partes. Um dia o governo vai diminuir cada vez mais o repasse de verbas e a vaca vai emagrecer e de onde vai se tirar dinheiro se o estado é pobre e a política também?
Vejo pelo padrão de vida de cada um que como poucos a distribuição de renda é pouca e o custo de vida alto, senão acordarmos agora para um momento novo de união e crescimento, o que será do estado nos próximos anos?
Esperava sim que a assembléia e seus deputados estivessem lá, como corregedores do legislativo que são, não para uma tarde de abraços e solidariedade para o compadrio a um provável crime que quem sabe na próxima quarta feira seja enfim elucidado e a justiça seja feita.
O "Coisas da Vida" se muda agora para as terras Tucujús.