sábado, 18 de junho de 2011

Acorda Dona Felicidade


Todas as coisas boas da vida podem ter gosto, odor, nome, endereço e telefone. Mas o que nunca podemos guardar, por mais que tentemos, são os detalhes de uma boa lembrança. Acredito que agora, as mudanças pelas quais passei se concluíram, a metamorfose está completa, podem chamar Kafka para registrar; o barro está pronto para as mãos habilidosas do grande oleiro, para que enfim a obra seja realizada.

Sabia que este dia chegaria, o dia em que me faltariam palavras e que os argumentos me seriam tão difíceis de extrair como raízes daninhas no seio da terra. Hoje completo mais um oceano de tempo sobre a face empoeirada de um mundo ao qual sempre desprezei ate encontrar meu rumo.

Rumo tomado, remo contra e a favor das correntes, como uma viagem dentro do Marajó, de onde se enfrenta ou se abraça ao sabor das correntes cada vez que se altera o curso para chegar a um destino comum.

Lacônico? Melancólico? Sinto-me hoje como a gravura de Dürer, um ser impotente diante de todos os instrumentos da sabedoria humana, mas sem saber o que fazer com eles pela falta de norte a tomar. Meu norte pessoal está traçado, mas a vida não é só sentir, a vida é o fazer e não posso definhar, tenho que enxugar as lágrimas e fazer o que tem que ser feito: Fazer valer a pena!

Desperta! Levanta! Anda! Sigo agora as ordens do Mestre. Acorda e vai ser feliz...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Embros Helas Europa ΕΛ.ΑΣ.ΕΤ. χοβόλεις Ευρώπη


A partir do momento em que se cruzam as montanhas escarpadas do Borgo, você encontra de cara um conjunto de ilhotas brancas de areia e sal a beira do Adriático e suas espumas brancas.

Este contexto romântico em nada se assemelha a atual situação das terras de Homero nos tempos em que os idílios eram cantados na harpa de Orfeu.

Segundo o FMI, serão precisos grandes sacrifícios para que a população grega receba a ajuda em três suaves parcelas de US$ 13,6 bi. Sendo que a primeira só deve sair após um ajuste de pacote de medidas que semelhante ao que ocorreu no Brasil de 74 a 94, sacrificaram empregos, crescimento, industrialização e ainda mais a economia do país que teve seus ápices de dívida externa aumentados a valores quase insolventes naquela época.

Metas de contenção de superávit primário, como as que o FMI impõe aos seus credores, não somente estupram a economia interna e a política econômica externa do país em questão, mas escamoteiam de maneira quase oportuna ao fundo, uma maneira de se receber a garantia dos juros, quase como que uma agiotagem consentida.

A Grécia é o único país totalmente europeu que não aderiu a política do Euro por falta de lastro econômico e por falta de garantias a sua política econômica. Mas, ainda assim a crise grega ameaça se tornar uma tragédia um pouco maior do que as contadas nas tragicomédias de Ésquilo.

A maioria dos aterrorizados por esta crise, por incrível que pareça, não são os gregos, que embora com os panelaços na praça Sintagma, no centro de Atenas sirvam apenas para protestar contra o aceite da nova política restritiva. Assustados mesmo estão ingleses e alemães; principalmente os banqueiros que emprestaram cerca de US$ 20 bi ao governo grego e isso sim ameaça a tranqüilidade da união européia, que, embora a Grécia goze pelo espaço ocupado, ainda assim a marolinha pode causar o impacto de uma verdadeira tsunami nas já abaladas economias européias.

Rezemos ao Olimpo para que isso não chegue até nós. Lembrando que Portugal lavou sua roupinha em casa sem chamar os gajos para farra. Quem sabe os gregos também encontrem um final mais próspero para esta tragédia.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Só os ignorantes são felizes

Pode parecer repetitivo falar bastante sobre o tempo, mas não é. Fico imaginando quanto tempo mais algumas pessoas ficarão pregando o fim dos tempos? Quanto tempo mais as pessoas continuarão a ser messiânicas apocalípticas a espera de um deus que virá em uma nuvem com os tomos de todos os nossos pecados para nos julgar impiedosamente sob a pena de arder em fogo e enxofre ou caminhar no meio da grama aparada dos Elíseos, onde cavalos brancos e cisnes nos cercam entre lagos e prados.

A ignorância reside no fato de que sua verdade vai de encontro com a linha mais coerente e lógica sobre a razão de um fato. Para estes malucos o tempo sempre se vai e a história mostra o quanto eles são perigosos e ao mesmo tempo persuasivos quando colocam seu tempo agnóstico-armagedônico na cabeça de outros e assim começam a formar legiões de seguidores.

Como exemplos que vão desde o excêntrico Joseph Smith Jr. E suas histórias sobre placas de ouro contando as lendas Nefítas e os óculos mágicos que lhe foram dados pelo anjo Moroni para que ele pudesse lê-las. Ou de Marshall Applewhite, que consegui convencer 39 pessoas, incluindo ele mesmo! Ao suicídio coletivo em 1997. Acreditando que o planeta Terra estava dominado pelos "Luciferianos" e que ele e seus seguidores deveriam se preparar para deixar o planeta. Em 19 de Março, com a passagem do cometa Halle-Boop, Marshall e outros 38 seguidores praticaram o suicídio coletivo, pois acreditavam que, junto ao cometa, se escondia uma nave espacial que transportava Jesus Cristo.

Esta introdução mais alongada para retratar até que ponto a ignorância pode levar as pessoas; serve justamente para o quadro atual da discussão sobre o projeto de lei PLC122, apelidada por seus detratores, gentilmente como “lei anti-homofobia”, com intuito de ganhar a já consolidada torcida da moral e dos bons costumes para a celeuma.

Um projeto de lei de jaz a dez anos nas gavetas do congresso foi desenterrado pela senadora Marta Suplicy e se tornou relatora do mesmo, iniciando uma política de fatos pró e contra a lei em pauta. Acredito eu que seja uma forma, mesmo que equivocada de mostrar que o legislativo também se importa com essa fatia da sociedade, afinal, executivo e judiciário já deram sua cota pública.

O Projeto de Lei em questão é denominado como Projeto Anti-Homofobia, entretanto não versa apenas sobre este tipo de discriminação. O projeto pretende ampliar a abrangência da Lei nº 7.716, de 1989 que define os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor (apelidada de Lei do Racismo), acrescentando-lhe à ementa e ao art. 1º da lei as motivações ‘gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero’, além de acrescentar essas mesmas motivações aos demais artigos da referida lei. O PLC122 dá nova redação ao § 3º art.140 do Código Penal que versa sobre a Injuria Racial (mas que engloba também injurias fundadas em elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência). E ainda dá nova redação ao art. 5º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que versa sobre a discriminação sexual no trabalho.

Bingo! Esta parte ninguém menciona, afinal com este esclarecimento a polêmica cai por terra e aí homofóbos, xenófobos, misóginos e todos os phobos afins teriam que voltar a jogar lâmpadas no olho de homossexuais, incendiar índios, surrar mendigos e criticar a validade jurídica da “Maria da Penha” para bradarem seus gritos de revolta. O senador Magno Malta que se proclamou radicalmente contra a lei, ameaçando inclusive renunciar se ela for aprovada. Ah se fosse verdade!

Não sou a favor de muitos itens no projeto, mas acho valida a idéia; para isso existe o debate. Não concebo como o polêmico senador, como a criação de um terceiro sexo no Brasil, mas sim como a chance de cada um independente da opção, ser amparado por lei. Afinal se olharmos por esse prisma, o sistema de cotas, de índios, negros, idosos e deficientes, também criou castas em nossa sociedade já tão hinduísta.

Às vezes parece melhor não sentir, não ligar pra nada… não entendo isso, é meio complicado pensar assim, sempre acreditei que tudo que você faz, um dia volta pra você, como uma espécie de boomerang. Não adianta se lamentar, porque é uma lamentação ‘momentânea’, porque quando nos arrependemos de verdade de uma coisa, a gente com certeza luta pra mudar isso…

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Amigo, a decepção faz parte da vida!

Sempre que posso me decepciono com as pessoas. Quer seja pelas suas ações ou pelas suas omissões, mas não estaciono por aí. Também me decepciono comigo mesmo e com algumas asneiras que ainda faço, mesmo depois de tanta experiência adquirida.

Mas o que é decepção? Decepção é desilusão, engano. Quando você é enganado ou desiludido por qualquer situação que você não esperava, o desespero a tristeza batem no seu coração. A pergunta que vem em primeiro lugar em nossa mente é: Como pode acontecer isto comigo? Como aquela pessoa pôde ter a coragem de tomar esta atitude?

Você já teve alguma decepção na vida?

Dificilmente alguém passa pela existência sem sofrer uma desilusão, ou ter alguma surpresa desagradável em algum momento da caminhada. Podemos dizer que o sabor de uma decepção é amargo e traz consigo um punhal invisível que dilacera as fibras mais sutis da alma. Isso acontece porque nós só nos decepcionamos com as pessoas em quem investimos nossos mais puros sentimentos de confiança e amor.

Pode ser um amigo, a quem entregamos o coração e que, de um momento para outro, passa a ter um comportamento diferente, duvidando da nossa sinceridade, do nosso afeto, da nossa dedicação, da nossa lealdade...

Também pode ser a alma que elegemos para compartilhar conosco a vida, e que um dia chega e nos diz que o amor acabou que já não fazemos mais parte da sua história... Que outra pessoa agora ocupa o nosso lugar. Ou alguém que escolhemos como modelo digno de ser seguido e que vemos escorregando nas valas da mentira ou da traição, desdita que nos infelicita e nos arranca lágrimas quentes e doloridas, como chama que queima sem consumir.

Enfim, só os nossos amores são capazes de nos ferir com a espada da decepção, pois os estranhos não têm esse trágico poder, já que seus atos não nos causam nenhuma impressão. Assim, vale a pena algumas reflexões a esse respeito para que não nos deixemos atingir pela cruel espada da desilusão.

Para tanto, podemos começar levando em conta que, assim como nós, nossos amores também não são perfeitos. E que, geralmente, não nos prometem santidade ou eterna fidelidade. Nunca nos disseram que seriam eternamente a mesma pessoa e que jamais nos causariam decepções.

Nós é que queremos que sejam como os idealizamos. Assim nos iludimos. Mas só se desilude quem está iludido. Importante que pensemos bem a esse respeito, imunizando a nossa alma com o antídoto eficaz do entendimento.

Importante que usemos sempre o escudo do perdão para impedir que os atos infelizes dos outros nos causem tanto sofrimento. Mais importante, ainda, que façamos uso dos óculos da lucidez, que nos permitem ver os fatos em sua real dimensão e importância, evitando dores exageradas.

A ilusão é como uma névoa que nos embaraça a visão, distorcendo as imagens e os fatos que estão à nossa frente. E a decepção nada mais é do que perceber que se estava iludido, enganado sobre algo ou alguém. Assim, se você está amargando a dor de uma desilusão, agradeça a Deus por ter retirado dos seus olhos os empecilhos que lhe toldavam a visão.

Passe a gostar das pessoas como elas são e não como você gostaria que elas fossem. Considere que você também já deve ter ferido alguém com o punhal da decepção, mesmo não tendo a intenção, e talvez sem se dar conta disso.

Por todas essas razões, pense um pouco mais e espante essa tristeza do olhar... Enxugue as lágrimas e siga em frente... Sem ilusões.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quanto vale uma fofoca!?

Fofocar goza, hoje, de reputação indiscutível sendo, inclusive, incentivada em vários setores da sociedade moderna. Eu mesmo já fui alvo de várias, que me caluniaram, ofenderam e até me mataram.

Muitos a praticam com zelo e competência invejáveis. A sua origem remonta a épocas imemoriais, perdendo-se na noite misteriosa dos tempos. Dizem que surgiu no Jardim do Éden, logo após Adão e Eva terem comido do fruto proibido. A Serpente - causadora da expulsão do casal primordial do Paraíso -, não satisfeita, disse para Adão que ouviu dizer que Eva teria dito que achava o seu pinto pequeno. Se Adão acreditou, ou não, o certo é que logo depois tratou de cobri-lo com uma folha de parreira.

A palavra fofoca, usada nos nossos dias, sofreu mudanças com o passar dos séculos. Usava-se, a princípio, fuxico que vem do sânscrito “fujco” com o sentido de “ouvi dizer”. Daí, a derivação para o grego “phuxko” que traduz-se por “tá todo mundo sabendo”; pelo latim tardio “fulsicum” obtém-se a tradução “me contaram”. O termo chegou à terra dos bretões, quando da ocupação pelo Império Romano governado pelo imperador Adriano, traduzido para “fullshit” com o sentido de “você viu a merda que fulano fez?”

O fuxico alcançou grande notoriedade nas cortes européias, notadamente em França, ao tempo dos reis Luis XIV e Luis XV (Luis está na moda esta semana!). Ali, era praticada com requinte aristocrático de causar inveja aos políticos da atualidade. Os nobres franceses denominavam “fois-tric” (pronuncia-se foá trique) às insinuações ouvidas de alguém que disse que alguém ouviu que uma pessoa contou que ouviu alguém dizer... Era tão difícil destrinchar a teia de um fois-tric que os envolvidos, quase sempre, perdiam a cabeça.

E vocês sabem porquê Freud separou-se de seu discípulo Jung? Nem vos conto. Dizem que foi porque Jung estava escrevendo um tratado monumental que iria derrubar todas as teorias freudianas sobre a psiquê humana. Disseram-me que a empregada de Jung, um dia, por curiosidade, viu sobre a mesa do escritório do renomado médico um manuscrito onde estava escrito: “Tratado Sobre a Futrica Como Gênese de Todas as Mazelas Humanas, Segundo me Contaram”. A empregada ficou tão curiosa que resolveu perguntar ao seu ex-patrão, doutor Charcot, sobre o significado daquele título tão instigante.

Pronto. Foi o suficiente para que toda a comunidade científica da época tomasse conhecimento da obra. Menino, quando chegou aos ouvidos de Freud, ele ficou uma fera! A raiva dele era porque em conversas anteriores com Jung, havia lhe confidenciado que, na realidade, “tudo é futrica” e não “sexo” como supunha. Jung, que não é besta, pegou o gancho e começou a escrever sobre o tema. Quando Freud soube da “trairagem” de Jung, intrigou-se na mesma hora e disse-lhe que se ele tivesse vergonha não passasse na calçada da sua casa. O rompimento com o mestre fez com que Jung, com raiva, jamais publicasse o tratado. Há rumores de que o manuscrito teria ido parar na biblioteca particular de Adolf Hitler, que teria roubado de um amigo chamado Karl Haushoffer. Haushoffer era aquele mesmo que andava espalhando que os arianos seriam os descendentes dos gigantes que habitaram a Terra há muito tempo. Além de outras histórias que ele ouviu dizer. O resto, vocês já sabem no que deu. Um holocausto.

Há muito mais coisas por trás das coisas que nos são apresentadas como verdades irretocáveis. Existem segredos ocultos em cada lance do que acontece na vida particular e na vida das coletividades. A futrica, dizem, governa invisivelmente o mundo, que é uma teia enorme de fofocas aumentando a cada segundo.

Há sempre uma boca para fofocar e muitos ouvidos prontos para acolher, distorcer, aumentar e passar adiante. Todos querem dar sua contribuição.

Eu não quero ser gente se tudo isso não for a mais autêntica verdade.

L'État c'est moi

Assim já dizia o Rei Sol, em uma das muitas e desesperadas pregações absolutistas em final de carreira.

Luis XIV reinou soberano, precedeu a revolução que mais tarde cortaria cabeças em nome de uma liberdade meio que utópica, pois assim como na revolução de Lênin, a revolução francesa se converteu a um ninho de donos de próprio umbigo, interessados não só em satisfazer suas algibeiras, como seus anseios de poder.

No Amapá não tem sido diferente, brinca-se de Estado, brinca-se de fazer governo e até mesmo brinca-se em fazer justiça com um judiciário que beira o constrangimento onde juiz e procurador eleitoral trocam farpas via corregedor e que pelo número de vistas pedidas em um caso como o que acompanho, acredito que juiz vota sem ler processo ou espera um anjo passe e de seu voto. Se não se faz uma nação com a vontade do povo e de maneira em que a lei prevaleça, não sei o que mais pode ser feito.

Crise por cima e por baixo de crise, um governador eleito com um veio de esperança em mudanças, já que seu antecessor foi um grande balaio de gatos de fraudes e golpes, Camilo Capiberibe tem se mostrado meio que inepto ao que se propôs quando decidiu abraçar um governo de estado como o Amapá.

Engessado desde o primeiro dia de mandato, quando o palácio do governo só contava com gabinetes de computador vazios, o atual governador tem tido sérias dificuldades em mostrar a famosa transparência, que vinha sendo o foco de seu governo, quando o problema está dentro de seu próprio governo.

Dois secretários já estão envolvidos em escândalos de corrupção, o tribunal de contas do estado está atolado em um mar de lama e enriquecimento ilícito e volta e meia o nome da família do governador aparece na berlinda, quer seja pela sua tia, aposentada do TCE ou até mesmo pelo de sua esposa.

Como já dizia o conselheiro do TCE do Pará, Fernando Coutinho Jorge, que já foi prefeito de Belém: “Governar é muito fácil, basta ser alimentado de informações pelos secretários, assessores e enfim tomar decisões que nem sempre beneficiam a todos, mas pelo menos a grande parcela do eleitorado.”

Em parte concordo com ele, apesar de ter sido um prefeito mediano na história da capital paraense, ele fez o que a maioria dos governantes não tem coragem ou não tem autonomia para fazer: Cercar-se de técnicos, profissionais competentes, gestores e líderes, para enfim tentar pelo menos não errar muito.

Camilo assim como todos os políticos amapaenses e isso não é um problema crônico do Amapá, ressalto para o leitor. Cercou-se de compadrios e da vasta parentela de bocas de urna, que simplesmente só se apóiam em candidato em busca de uma vaga de cargo comissionado e de preferência com bom DAS.

Essa boa parcela de apoiadores, quando na verdade se confunde confiança dada com capacidade de gerir, enchem as repartições e secretárias do estado de gente que tem tanta capacidade de administrar uma secretaria de governo quanto ao de abrir uma caixa de fósforos.

Enfim, nenhum governante admite que lhe puxem as orelhas, mas o certo mesmo que de escândalo em escândalo, só são seis meses de governo e já tem linha com ponta solta para todo mundo puxar, resta saber quanto tempo o apoio vai existir, já que a base de Camilo na assembléia; é da solitária e exótica Cristina Almeida, e nada mais.

Uma greve já esta em curso, a de educação, amanhã a da saúde, resta saber se a base popular de Camilo resistirá tanto quanto a do Rei Sol, que durou apenas dois Luises.

terça-feira, 7 de junho de 2011

imprensa Junina

Foi-se a época da censura. Foi-se a época da ditadura. Foi-se a época em que era preciso pensar três vezes antes de escrever um artigo de opinião ou sobre algo polêmico. Será? Pois muitos discordam disso. Sem sombra de dúvidas, estamos vivendo em uma sociedade que, cada vez mais, demarca os limites da imprensa, não tira os olhos das matérias publicadas - e nem de sites - e blogues pessoais de jornalistas/artistas/humoristas renomados.

E onde fica a tal liberdade de expressão? E os tiros chegam por todos os lados. Com o Twitter, ficou ainda mais fácil virar alvo de polêmica e exemplo do politicamente incorreto. Tenho um amigo que quase entra em um litígio via Twitter com um cidadão que basicamente não valia a pena.

Tudo bem que temos liberdade de pensamento e de expressão, mas aí dar uma de Ed Motta em um site de relacionamentos é superlativo de hipocrisia. O cantor ofendeu mulheres e músicos: “Estou em Curitiba, lugar civilizado, graças a Deus. O Sul do Brasil, como é bom, tem dignidade isso aqui. Frutas vermelhas, clima frio, gente bonita. Sim, porque ô povo feio o brasileiro [risos]. Em avião, dá vontade de chorar. Mas chega no sul ou SP gente bonita compondo o ambiente [risos]”.

E tem mais: “Mulher feia tem que ser mega competente [risos]. Se não, é Paula Toller nas cabeças [risos]. Linda, burra e sem talento”.

Particularmente Ed Motta veio de carona na morte de seu tio, que para quem não sabe era Tim Maia, mas esse sim tinha voz e talento, e não Ed que caiu no palco com público irrisório e se acha capa da People e modelo anatômico perfeito. Coisa que nem de longe é.

Além disso temos tanta coisa para noticiar, informar, que acaba sendo dispensável esse assedio com essa gente que corre atrás de holofotes. Osama morreu, Obama caiu, Saleh foi queimado, Dilma não vai fazer arraiá no Torto e Palocci pelo jeito não vai entrar na roda, fica na quadrilha.

Tem a polêmica sobre a futura distribuição do chamado “kit gay” nas escolas que ganhou novos capítulos nos últimos dias. Dilma decidiu vetar a distribuição do material de combate ao preconceito contra homossexuais, elaborado por organizações não-governamentais em parceria com o Ministério da Educação. Mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, já avisou que pretende refazer o kit do projeto e distribuí-lo ainda neste ano

Se a crise passou, não sei, mas que a terra ainda reclama, o Chile que o diga. Enfim vamos esperar para ver, afinal fui que nem bula de remédio, informei, adverti, amedrontei, mas vocês não me deram atenção, votaram em Dilma e deu no que deu.

Simbora arraiá...

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