quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Khadafi, o Ministro do trabalho.


 “Só saio abatido à bala”. Esta declaração ao estilo de Muammar Khadafi, ditador deposto e morto da Líbia, do ministro do trabalho, Carlos Lupi gerou um grande desconforto ao governo, que logo procurou articular sua máquina através da ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann que levou o recado da Presidente ao ministro revolucionário, para que procurasse se retratar pela quebra de hierarquia.
A ministra da Casa Civil falou a Lupi sobre os excessos da declaração, passando até uma imagem negativa de que o futuro do governo dependeria da presença dele e não da decisão de Dilma. Ficou entre as entrelinhas que Lupi estava mandando um recado sobre sua conduta e talvez algum argumento forte que o fizesse pressiona-lo a presidente a mantê-lo no cargo.
Gleisi passou um grande sabão em Lupi e enfim colocou um esparadrapo para o ministro evitar novas declarações polêmicas. Mesmo com muitos perfumes, a ministra colocou em seu discurso o roteiro de que o ministro não está com sua posição ameaçada dentro do governo, mas que cabe única e exclusivamente à Presidente a decisão de que ele fique desempregado ou não.
Com a fisionomia de quem está calçando as sandálias da humildade, Carlos Lupi deu uma declaração de que em nenhum momento tentou desafiar a presidente e não era sua intenção desautorizar a mais alta autoridade. Negou que seja a próxima vítima na faxina ministerial.
O PDT considerou a celeuma exagerada e até lançou uma notinha para minimizar a crise de declarações polêmicas, tentando direcionar auspiciosamente as declarações do ministro para “os acusadores anônimos” que causa estranheza, pois quem são estes denunciantes e o que pleiteiam ainda é um mistério.
Para quem está alheio ao clima da crise ministerial atual, O ministro é alvo de suspeitas lançadas pela revista Veja em que três servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho estavam envolvidos em esquema de propinas para recolher fundos ao PDT, o partido de Lupi.
Resta saber quanto tempo à situação vai se sustentar afinal o gênio de Dilma serve à política do mosquito e a mão, ou seja, incomodou é esmagado sem dó nem manchas. Mesmo Lupi pertencendo a um partido mais forte na base aliada ao governo que o PC do B do ex-minstro dos esportes, Orlando Silva, sabe-se que o governo não tem muita democracia na arte de manter alianças com partidos problemáticos da herança de Lula.
Para Jorge Hage, escritor responsável por bobagens como “Lula, o filho do Brasil” e “Governo Lula e o combate à corrupção”. O governo Lula foi responsável por retirar a tampa do esgoto da corrupção no Brasil e revelar a sujeira existente. Apesar de respeitar o excesso de sedas rasgadas por Hage a Lula, afinal cada um tem direito a escolher nos pés de quem deve orar. Acredito que não só o governo Lula tem parte neste grande bueiro, pois, O atual ainda tem destampado novos esgotos, e esses não são heranças de FHC, Itamar e Collor.
Mas resquícios de uma pista que esclarece que Lula herdou uma rede de esgotos e continuou sua ampliação, e ao que parece, Dilma tem atrasado as obras, talvez por falta de conhecimento da engenharia da corrupção, mas a presença de Lupi no governo deve mostrar que ela aprende rápido, até na arte de dar sequencia as entranhas da corrupção histórica neste país.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Enquanto uns manifestam...


No inicio de ontem a PM paulista cumpriu a decisão judicial de reintegrar a posse do prédio da reitoria da USP. 70 manifestantes foram detidos e acusados indiciados por desobediência a ordem judicial e destruição do patrimônio público.
Uma operação bem Hollywoodiana foi montada pela PM. Cerca de 400 homens armados, 50 viaturas e dois helicópteros foram o aparato utilizado para prender os 70 “criminosos” fortemente armados com seis coquetéis Molotov.
Como a operação ocorreu na madrugada, por volta de 5 da manha, os estudantes confinados no prédio da reitoria foram pegos de surpresa e não ofereceram resistência contra a invasão da policia.
A invasão teve sua origem motivada contra a presença da Policia Militar no campus da USP Butantã que acabou prendendo alguns estudantes (maconheiros) de posse de maconha (não falei? Maconheiros) e para dar um verniz mais social ao protesto, alegaram que alguns funcionários da USP têm sofrido processos administrativos injustos.
A policia nunca foi bem vinda dentro do campus da USP, em face de uma velha rixa remanescente da ditadura, quando depois de muita negociação de direitos, a policia foi destituída da segurança do campus.
Mas voltou de uns tempos pra cá a operar na segurança desde que o Reitor Grandino Rodas e o Governador Alckmin passaram a defender a presença da PM no campus após a morte de um estudante ocorrida em maio deste ano.
O grande pavor dos estudantes é de que a PM passe a coibir não só os crimes dentro da USP, mas também interferindo nas manifestações de caráter politico ocorridas com frequência, nesta que é a maior instituição da América Latina.
Parece irônico que enquanto uns rechaçam a presença da polícia, outros clamam pelo menos a presença dela em locais onde realmente ela é necessária. Não sou favorável a invasão e depredação do prédio da reitoria da USP, afinal sou de um tempo em que manifestar era preciso e manifestar com violência e raça era necessário, afinal podia ser a única chance antes que o DOPS baixasse o cassetete.
Mas vem a grande contradição. Naquela época, tínhamos o motivo da falta de liberdades constitucionais tolhidas pelos diversos atos institucionais do governo militar. O que nos faltava eram oportunidades para manifestar. E isso os estudantes tem em demasia e não usam com maestria com o seus antecessores.
Hoje se tem a total liberdade de manifestar-se, de chegar em frente ao Senado Federal e colar cartõezinhos vermelhos nas paredes com forma de protesto contra o código florestal. Se levar choque com pistola elétrica, de ser arrastado pela policia do congresso.
Mas por uma causa válida, justa e serena.
Mas ao criar um rebuliço destas proporções, simplesmente por causa de um baseado, faz os estudantes parecerem meninos mimados querendo seu brinquedo preferido, derrubando a honra de todos os outros estudantes antecessores dos maconheiros, que lutaram, alguns até sucumbiram nas mãos do DOPS, só para manter a policia fora do Campus.
E a PM paulista também ficou feio, um aparato destas proporções para prender estudantes desarmados, é simplesmente prova de desperdício de dinheiro público, a não ser que o interesse eleitoreiro (sempre ele) esteja envolvido.
Deixaremos os estudantes saírem da cadeia, refletirem e chegarem ao acordo de que a PM deve permanecer do lado de fora dos portões do campus. Vamos torcer para que essa leva de novos estudantes; consigam manter a honra lavada dos que conseguiram a duras penas fazer com que o simbolismo da não entrada da PM continue valendo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

As cadeiras que dançam lá e cá...


O clima de limpeza e desinfecção com Veja ainda acomete Brasília que se põe em polvorosa desde a ultima cabeça rolada, a de Orlando Silva. Destituído forçadamente sob o manto do pedido de demissão, o Ministro dos Esportes abandonou o barco, dando a Aldo Rebelo, seu sucessor, a oportunidade de limpar as coisas para o PC do B.
Carlos Lupi, da pasta do trabalho está no alto do mesmo precipício, esperando instruções de navegação de seu partido, o PDT, que ao que parece já deu a ordem kamikaze, já que pediu a Controladoria Geral da União para investigar o ministro e as irregularidades com ONG’s, assim como na ultima crise.
A Presidente Dilma parece gostar do fato, já que assim como Orlando; Lupi também agoniza sob as acusações de desvio do dinheiro público através de ONG’s apadrinhadas por uma verdadeira quadrilha instituída nas instituições públicas.
Já dirigi ONG’s no passado, o suficiente para saber o quanto é difícil conseguir verba pública para tocar projetos de natureza assistencial. Vale ressaltar que a febre de ONG’s surgiu da necessidade de complementar as ações que o governo não foi capaz de desempenhar. E assim como o próprio governo, sucumbiram a corrupção.
Sabemos muito bem que Dilma pode cozinhar Lupi até a reforma ministerial, onde ele deve atuar como zumbi até lá, ou na mais provável das hipóteses se as coisas se tornarem insustentáveis, como tem se mostrado, é fato que a Ministra Ideli Salvati, das relações institucionais já deve ter acionado a cúpula do partido da base governista para pedir um nome para substituir Lupi.
As cadeiras também dançam por aqui, já que o Procurador Geral Marcio Figueira, teve um surto “tropa de elite” e jogou a toalha. Sob a alegação de assumir um cargo efetivo na defensoria pública do Pará, o procurador geral deixa o governo sob uma crise institucional na Procuradoria do Estado.
Nepotismo, assédio moral e até acusações de atecnia, por parte dos próprios defensores, colegas de instituição. Marcio Figueira sai pela porta dos fundos sem dar as horas. Sabe-se que o Governador já foi informado da ação do ex-Procurador e já providencia um nome para assumir a PGE.
Assim como Paulo Figueira, primo de Marcio que chefiava a SEMA, saiu sob acusações de recebimento de propina em um esquema ainda investigado. Marcio deixa o governo justificando que apesar de apresentar a demissão ao governador, o mesmo não aceitou a exoneração.
As crises continuam, Dilma pelas bandas do planalto central, administra sua crise doméstica por cima das panelas, afinal ela tem faxinado ministros herdados de Lula. Ou seja, apenas está limpando algo que impacta diretamente não em sua imagem mas sim, na do presidente anterior que empossou uma quadrilha que tem sido aos poucos desmascarada.
Sabe-se lá que nos oito anos de Lula estes mesmos ministros já não atuavam em suas falcatruas, e como as coisas mudam e a propinas também, agora as denuncias afloram e os ministros caem como piolhos pós-andiroba.
Para Dilma isso é bom e ruim para Lula se ainda tem (e tem mesmo!) pretensões para 2014. Afinal ela chegará ao fim do mandato sob a proteção até agora da imagem de estar na marginal das ações suspeitas de Lula e seus meninos de ouro. Mas a lição não serve de exemplo para Camilo, pois Dilma limpa o que não sujou, mas o Governador do Amapá tem estado como criança de fraldas, brincando com a própria sujeira que ele mesmo empossou.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O filósofo Equus asinus e a viagem no tempo


Meu amigo Wilson Meiler em seu livro “Sucesso é um segredo do coração”, narra uma estória muito legal.
“Conta a lenda, que um velho burro estava pastando distraidamente num campo. Ele não estava prestando atenção por onde pisava e de repente caiu num poço fundo. O burro começou a zurrar e zurrar até que o fazendeiro chegou e viu o burro lá no fundo. O pobre burro estava desesperado e olhou tristemente para o fazendeiro, como se quisesse dizer-lhe: “por favor, tire-me daqui, deixe-me voltar para minha casa”. 
O fazendeiro não disse nenhuma palavra... virou-lhe as costas e foi embora. O burro ficou no poço por três dias, que pareceram uma eternidade.
No quarto dia, o fazendeiro voltou com seus três filhos. Todos eles olharam para o burro lá no fundo e ainda se riram dele. 
Então, o fazendeiro falou – o poço está abandonado, não há mais água e o burro está tão velho que não vai valer a pena salvar, então mãos à obra... e começaram a jogar terra no poço com o burro lá dentro.
À medida que as pás se sucediam e a terra era jogada sobre o burro, este se sacudia para tirar a terra do lombo. Isto aconteceu durante algum tempo, até que suas patas começaram a ficar cobertas de terra que caia no solo. Para não afundar o burro começou a pisotear o chão, livrando as patas coberta pela terra que caia. E assim foi; as pás de terra eram jogadas, o burro sacudia e pisava em cima; a terra caia o burro sacudia e pisava em cima. 
Não demorou muito para que todos vissem espantados que o poço estava sendo fechado e o burro estava saindo do poço para a liberdade.
Liberto do poço, ao chegar em casa ainda meio assustado, o seu neto um burrico ainda jovem, perguntou-lhe como só as crianças sabem fazê-lo:
- Vô, o que é que eu tenho que fazer para quando crescer tornar-me um burro de sucesso assim como o senhor? Ao que o burro velho respondeu. 
É fácil meu neto. Para ser bem sucedido tudo o que você tem de fazer é “sacudir e pisar em cima”.
Vamos embarcar na máquina do tempo e retornar lá no início, muito antes do período histórico.
Lá iremos redescobrir que o ser humano tinha uma clarividência natural que lhe possibilitava a convivência direta com os deuses, ele tinha consciência cósmica, mas ainda não tinha consciência de si, para ele, a consciência estava mais presente no mundo espiritual do que no mundo físico, logo ele convivia com seus deuses mais ainda não tinha adquirido a autoconsciência.
Se avançarmos um pouco, lá por volta de 3.000 a.C., na chamada Era Matriarcal, descobriremos que os seres humanos perderam a possibilidade de conviver diretamente com os deuses e o contato agora passava a ser feitos através de sacerdotisas em Oráculos, para receber orientações de como os seres humanos deveriam proceder. 
É uma época importante porque na tradição hindu, por exemplo, é o início da Era da Escuridão da evolução humana chamada no sânscrito, língua arcaica, de kaly yoga. 
Este é o início da Era Histórica, a partir da qual existem documentos produzidos por representantes das épocas culturais que antecederam a época atual e é o início do patriarcado e de toda a nossa história conhecida.
Nesta época longínqua as sacerdotisas começaram a perder gradativamente a influência e o poder na sociedade, os oráculos entraram em decadência, o último é o oráculo de Delfos cujas ruínas ainda existem no Monte Parnaso na Grécia. Os oráculos foram sendo substituídos gradativamente pelos Templos dos Mistérios. 
Nessa época, a consciência do desenvolvimento da humanidade era grupal e não individual.Era a época da “teocracia”, em que a vida espiritual política-jurídica e a vida econômica formavam uma unidade em si e era conduzida pelos templos de mistérios.
A clarividência se extinguira a tal ponto que a morte passou a ser um enigma. O homem vivenciava a interdependência dos fenômenos materiais e espirituais, que os historiadores denominavam de visão orgânica.
Caminhamos mais um pouco nos deparamos com o período grego-romano, é neste período que desperta no ser humano a consciência individual e a palavra “Eu” aparece pela primeira vez. A mitologia é substituída pela filosofia, marcando maior consciência do “Eu”, com isso nasce o intelecto e com ele, a filosofia grega. 
Com a tomada da consciência do “Eu individual” cresce o egoísmo e o homem que era, naturalmente, um ser grupal passa a necessitar de leis para que possa viver em grupo. O homem perde definitivamente a ligação com os mundos espirituais, a força de coesão de grupos pelos laços de sangue, a tradição e as normas de comportamento social e o contato com a natureza, dominando-a e destruindo-a.
Caminhamos mais um pouco e chegamos ao Renascimento onde o homem abandona o conceito de terra como mãe nutridora e entra com o conceito de natureza supridora de todos os seus desejos. 
Do ponto de vista da ciência, essa mudança alterou também a relação ética e teórica do homem consigo mesmo, inicia-se a era denominada de antropocentrismo que é seguida do racionalismo onde a visão homem/máquina deu origem a um novo método de investigação científica que envolve a descrição matemática da natureza.
Esta mudança provoca importantes transformações e uma sensível evolução científica que tem como conseqüência o aumento do poder de manipulação do homem sobre a natureza.
Nossa máquina do tempo segue viagem posarmos em uma época em que a população rural começa a migrar para as grandes cidades transformando-se em operários, ocupados com a produção e a distribuição de bens industriais. 
É o fim do feudalismo que dá passagem para a chamada revolução industrial.
Essa transformação deu origem à automatização do trabalho humano, com inúmeros desdobramentos a partir do final do século XVIII e o homem que era um ser puro com uma clarividência natural começa a viver uma era de homem máquina cujos valores são outros completamente diferentes do que ele construíra ao longo de sua história. 
A revolução industrial provoca um acelerado desenvolvimento dos meios transportes fazendo com que os mercados se ampliassem rapidamente. Esta mudança faz com que aconteça uma produção em escala maior, com isso os preços baixaram e muito mais pessoas podiam adquirir bens e serviços. Começamos a vivenciar a chamada era do mercantilismo. 
Com a revolução científica em marcha o divino desaparece completamente da visão científica do mundo, deixando um vácuo espiritual que se tornou característico de nossa cultura atual onde a base filosófica passou a ser a divisão cartesiana entre espírito e matéria e o homem torna-se materialista. 
Hoje sentimo-nos como individualidades livres, emancipadas, mas, também solitárias no mundo, convivendo com a insegurança cada vez maior, com a escassez e competição por recursos naturais, violência, poluição, aquecimento global, desaparecimento de espécies, etc...
Como resultado de todo o processo de individuação ou emancipação do indivíduo surgem duas forças básicas na alma humana: o egoísmo e o medo. 
A força do egoísmo nos faz ver que vivemos como indivíduos conscientes num corpo físico, e o medo porque nos tornamos conscientes de nossa solidão interior. 
A força do medo também se individualizou, tornando-se uma marca existencial individual comum ao nosso tempo. São nossos medos: do desconhecido, do risco, da mudança, do fracasso, do futuro, da perda material, da perda das relações, da morte, da perda da saúde física e mental.
Passamos a viver a era do consumo em massa ou a era da imitação onde eu não posso ser o Brad Pit, mas, posso me vestir como ele. Como conseqüência, a partir daí toda administração foi construída com o intuito de melhorar a eficiência e produzir mais e mais para atender a grande demanda, sem nenhuma preocupação com o ser humano.
A facilidade de se conseguir bens materiais gera um vazio existencial e conseqüentemente uma nova busca pelo sentido da vida.
Você deve estar perguntando:
- O que tudo isso tem a ver com a estória do burro?
O grande Sêneca certa vez ensinou que “... aquele que persegue a volúpia e a ela subordina tudo o mais, a primeira coisa de que descuida é a sua liberdade…” 
Se atualizarmos os ensinamentos de Sêneca podemos afirmar que “… aquele que persegue o sucesso e a ele subordina tudo o mais, a primeira coisa de que descuida é da sua liberdade…”
Logo, estamos vivendo em uma era em que o homem não compra o sucesso, vende-se a ele e torna-se seu escravo, pois, o homem passa a precisar do sucesso a qualquer preço.
Daí resulta uma vida ansiosa, suspeitosa, temerosa, assustada com os acontecimentos, sem ética e sem os verdadeiros valores. Em função de tudo isso o mundo foi ficando árido, incolor, sem estética, materialista, sem consciência e espírito.
O homem precisa rever o seu conceito de sucesso.
Eu ouso dizer que sucesso é levar a felicidade aos outros, ser feliz, estar em paz, usufruir de conforto, ser querido, ser interessante, conhecer e experimentar, viver de forma ampla...
Sucesso é uma coisa simples, quando imbuída de valores éticos e morais, isto significa que existe um elo perdido na vida pessoal e na vida das organizações.
Logo, precisamos repensar e desenvolver novas crenças, novas conexões, novas competências, precisamos rever o significado da vida, precisamos rever o significado da empresa, pois, a facilidade de se conseguir bens materiais, está gerando uma sensação de vazio e provocando o declínio das instituições mais nobre.
Não será esta a causa de tanta solidão, de tanto estresse e de tanta infelicidade? 
Lembre-se nascemos homem e nos tornamos humano.
A escolha de que tipo de seres humanos queremos nos tornar depende de nossas escolhas e estas escolhas implicam diretamente na nossa maneira de ser como pessoas, como executivos, gestores ou gerentes, enfim, como profissional. 
Precisamos buscar um novo jeito a ser aplicado para que as pessoas e as organizações possam transformar o trabalho numa experiência que transcenda as ações diárias, no qual a motivação e o entusiasmo venham de dentro para fora naturalmente e isso não será através de uma técnica e sim de um novo valor de vida.
Que tal seguir o conselho do velho burro, sacudir os velhos valores materialistas e pisar em cima para que possamos construir uma nova história para o Amapá, sem pensar relevar os erros do passado para amparar nos erros do presente e nem muito menos, jogar terra no burro, pois quem sabe este, se enterre de vez... 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um demagogo ruim


Dois dias depois de sair do hospital e ainda se recuperando da primeira sessão de quimioterapia para tratar de um câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou a ordem médica de falar pouco. Na manhã de quinta-feira, ligou “iradíssimo” para o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para se queixar dos resultados brasileiros no Relatório de Desenvolvimento Humano, apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) na última quarta-feira.
A bronca de Lula, desgostoso com os números que mostraram um avanço tímido do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), movimentou Brasília. À tarde, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, para acertar uma resposta ao Pnud. Em seguida, Tereza convocou, às pressas, uma coletiva de imprensa, na qual reclamou de dados defasados do país utilizados no cálculo do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) — e não no IDH — e afirmou que o governo brasileiro desconhece a metodologia da pesquisa, embora o país participe do levantamento desde a primeira versão, em 1990.
Tereza destacou serem de 2006 os dados utilizados para chegar ao IPM — que mede privações de serviços essenciais independentemente da renda, apontando 2,7% da população brasileira com necessidades graves. “Foi a partir de 2007 que se incorporou um contingente grande do Bolsa Família, que houve a valorização do salário mínimo, o programa de agricultura familiar integrada ao programa de alimentação escolar, melhoramos o acesso à energia com o Luz para Todos. Então, se esses avanços fossem computados, certamente teríamos um salto muito maior”, disse a ministra, sem precisar quantas posições o Brasil subiria no IPM caso os progressos mais recentes estivessem no cálculo do Pnud, exatamente por não “conhecer a metodologia”.
A ministra tampouco não soube explicar os motivos que levaram as Nações Unidas a não considerar estatísticas atualizadas, depois de uma solicitação nesse sentido que o governo brasileiro teria feito no início deste ano. “Por que (os dados) não foram incorporados? É uma boa pergunta”, limitou-se a declarar.
A ministra Tereza Campello negou, entretanto, que a motivação para uma coletiva de última hora sobre o assunto tenha vindo de queixas de Lula, sugerindo desconhecer o telefonema dado pelo ex-presidente a Gilberto Carvalho. Mas a versão não se sustentou. “O presidente Lula nos deu um telefonema iradíssimo sobre os números do Pnud, dizendo que não era justo, e que a gente tinha que reagir”, comentou Carvalho, durante um seminário internacional com o embaixador da Itália, no Palácio do Planalto.
O ex-presidente não teria concordado com os critérios considerados pelos técnicos do Pnud. Falando como se estivesse no governo passado, quando era chefe de gabinete de Lula, Carvalho disse que o ex-presidente teria cobrado uma crítica aos dados. “O presidente ficou preocupado com a primeira visão que houve, nós estamos o colocando a par de tudo que aconteceu. Ele está bem, vigilante e acompanhando cada fato.”
O secretário-geral também defendeu que os parâmetros da pesquisa não retratariam a realidade brasileira. “Com todo o respeito, entendemos que vale a pena uma discussão em torno da metodologia usada. Temos consciência de que nossos indicadores sociais cresceram e seguem crescendo. Nossos técnicos vão sentar com os técnicos do Pnud para discutir isso”, adiantou Carvalho.
Ainda durante o seminário, Carvalho deu outro exemplo de como a atuação de Lula no governo, especialmente com a presidente Dilma Rousseff, continua firme. “No dia em que fomos visitá-lo no hospital, mal a presidente entrou, ele já começou a falar como ela tinha que se comportar no G-20, o que tinha de dizer (...) Está atento e vigilante a tudo”, destacou o secretário-geral.

Nota Final:
A revista semanal inglesa The Economist trouxe um artigo sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as implicações políticas do diagnóstico do câncer na laringe. O texto faz uma comparação na divulgação da doença de Lula e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que optou por mantê-la em sigilo. A revista só não explica o por que de Lula achar que nosso IDH é tão bom, mas tão bom que ele não foi se tratar no SUS.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Manifestar é preciso...


A gratificação natalina, mais tarde instituída nacionalmente como décimo terceiro salário, instituída em 1962 e regulamentada em 65, especifica que todo o trabalhador tem direito a 1/12 avos da remuneração por mês trabalhado.
Embora muitos críticos sejam veementes em dizer que tal benefício na verdade é um engodo dos cálculos entre o ano com 52 meses. E que na verdade é uma disposição mascarada da forma de devolver ao trabalhador algo que saiu sorrateiramente no decorrer do ano em curso como se fosse uma aplicação de médio prazo.
Vale lembrar que Getúlio Vargas instituiu tal benefício e depois dessas como de outras ações em benefício do trabalhador brasileiro, lhe rendeu a alcunha de “pai dos pobres”. E depois disso nenhum governo mexeu nesse tema.
O caso mesmo gira em torno de algo que tem se tornado a lenda urbana mais difundida nos meios informais de comunicação. Na verdade existe sim uma proposta da bancada do empresariado brasileiro para que se limitem alguns benefícios concedidos ao trabalhador. Talvez por essa polêmica o 13º seja tão alvo das críticas.
O que me assusta, não é a ficção ou firula em torno do fim do 13º, mas sim a passividade com que as coisas têm sido levadas pela população e a corda solta que tem sido afrouxada cada vez mais ao longo dos anos. Os “príncipes do povo” que deveriam resguardar os direitos de quem lhes colocou no emprego dos sonhos, parecem não se preocupar com nada e a população menos ainda.
Em um paralelo recente, vimos quase um milhão de franceses em manifestação nas ruas de Paris, pelo simples fato da aprovação da Lei do Primeiro emprego. A pressão foi forte e a polêmica lei fez até mesmo com que o premier Allain Juppé a retirasse às pressas de pauta seu projeto previdenciário.
De 1984 a 2006,os franceses deram um show de como uma manifestação, que as vezes truculenta, ajuda a fazer com que os políticos entendam que devem respeito e obediência aos direitos da população e a não do governo.
Infelizmente aqui no Brasil ainda temos um comodismo muito grande e uma passividade extremamente complacente com as atitudes condenáveis dos representantes do povo. As vezes parece que os brasileiros acreditam menos no voto, menos nas casas legislativas e mais ainda no poder das paradas gays, pois por incrível que pareça elas atraem multidões.
Quem sabe um dia essa lenda urbana, como a do fim do 13º, um dia seja mesmo votada às escuras, aprovada, e apresentada ao povo. E quando enfim a população perceber que foi ludibriada nas sombras e no apagar das luzes do congresso, como muitas vezes acontece, resolva acionar os organizadores das paradas gay, para produzir uma manifestação digna de brigar por seus direitos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Banca do Destino

Um dia feriado para se recordar os finados. Não poderia esquecer de postar algo não tão funesto para não enevoar o dia. Assim como não falar de futebol em época de copa do mundo; vamos procurar ser mais criativos e não achincalhar os vivos pelo menos hoje.
Mas vale lembrar que a soberba ainda caminha solta sobre a terra e como não pode faltar, vamos deixar para um finado, morto, falecido; dar o recado do dia. Deixo para meu conterrâneo Billy Blanco, que se foi este ano, em meados de julho, a missão de dar o recado musicado através de uma criativa peça que apesar de ser da “Época da Bossa”, ilustrou muito bem as crônicas de costumes do Rio de Janeiro, nos dourados anos 50. E a lição ainda cabe nos dias de hoje.
Apesar de ser uma espécie de acerto de contas para um relato que Dolores Duran fizera ao compositor, sore um fato preconceituoso ocorrido na década de 50 no beco das garrafas lá em Copacabana. 
Havia um homem que ia aos shows de Dolores por que gostava muito dela, porém odiava negros e Dolores era negra.
O “Doutor” ia ao show todas as noites, sentava-se a primeira fila de mesas, mas sempre de costas para o palco. Não dirigia uma única palavra a ela por que não falava com negros, sequer a olhava! Quando queria uma música, dirigia-se ao garçom com um bilhetinho na mão: “Manda a neguinha cantar esta aqui!”
Profissional paciente era Dolores, que sempre atendia aos pedidos do “Doutor”. Um dia muito aborrecida com a grosseria do sujeito pedante, contou a história a Billy, que de imediato compôs o samba “A Banca do Distinto” para na noite seguinte, Dolores lavar a sua honra e cantar o samba ao sujeito:
Não fala com pobre
Não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Prá quê tanta pose, doutor?
Prá quê esse orgulho?
A bruxa que é cega
Que carrega a gente
E a vida estanca
O infarto lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim
Põe o homem no alto
E retira a escada
Mas fica por perto
Esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde
Ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro
Maior é o tombo do côco
Afinal, todo mundo é igual
Quando o tombo termina
Com terra por cima
E na horizontal.
Sábias palavras para o caminho de todos nós...
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