terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A saga do anel recomeça

Parecia que a trilogia do anel, obra de Tolkien teria terminar no "Retorno do rei". Mas ao que parece, a saga recomeça no Amapá. Pois faltando menos de um ano para o pleito municipal. Começou a luta pela conquista do poder. As alianças começam a ser forjadas.

Não tem quem agüente a politicagem explicita nos meios de comunicação, dos bate bocas, das carreatas, caminhadas, das homenagens veladas sob o manto do poder publico. Briga de cães entre GEA e ALAP. Cada um puxando a sardinha para sua brasa como melhor lhe convém, para que as coisas ganhem corpo nesta terra onde se respira a política partidária.
Sob o olhar atônito de discrepâncias venais, como a paralisia dos serviços de atendimento oncológico. Das super bactérias que se entremeiam entre esclarecimentos mal ajambrados. Da discórdia entre os deputados sob a ótica de iniciar a caça às bruxas com Cristina Almeida. Da inoperância do Estado em tentar fazer tudo parecer bem quando tudo vai mal.
Os anéis começam a buscar os mestres e os mestres, aos dedos que precisam para alojar cada vez mais seu povo no seio do erário em qualquer canto onde seja possível se abastecer mais e mais com a busca incessante na consolidação do poder.
Vejo com certo escárnio estas relações factóides com as quais o embrião de sociedade que é este pequeno estado. Que talvez nunca avance em função da rebelião de seu povo, acomodado em suas espreguiçadeiras, apenas em busca da melhor oferta. E quem se propõe a oferecer o melhor agrado.
Às vezes cansa surta. Leva ao delírio mental ver quanta hipocrisia existe nesse mundinho abobado de Amapá. Terra fértil de muita coisa, mas que volta e meia, entre revolucionários e punguistas, se vê o quanto as coisas se encaminham ao nada.
Isso parece assunto de deprimido, mas realmente essa política comezinha cansa, pede um valium. Leva ao espaço abaixo.
Talvez hoje eu não esteja com garra para apontar o dedo para ninguém e posar como o bastião da moralidade. Quem sabe eu não esteja vendo tudo errado. Afinal a loucura só se mede quando a realidade da maioria é a verdade absoluta. Como sou minoria, então insano sou eu e não o Amapá com suas mazelas intermináveis.
Por isso acho que a missão esta findada. Os anéis já estão todos nos dedos de seus mestres e uma longa jornada rumo ao comodismo e estabilidade de costumes em um lugar onde o tempo parou e estacionou em uma escala onde dificilmente as coisas mudarão sem que a atitude se mostre como mãe de todas as mudanças.
Por ora, vou me conformar com o poder de olhar, sem interferir. Quem sabe assim essas pequenas mazelas por si só não sejam sinal eminente de que de uma forma ou de outra as mudanças venham, senão por amor, quem sabe por dor e pesar.
Por ora vou me conformar em assistir pela vidraça do CPD da ALAP, o paciente técnico jogar mais uma partida de freecell com a ajuda do dinheiro público.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vestígios do dia

Dia meio que incomum. Amanhecendo o dia, vi pela janela de meu quarto um alvorecer esfumado, meio gris que com certeza não ventilava os acontecimentos do dia.
Logo cedo liguei a televisão, já que nunca a assisto, nem me comunico com o mundo midiático neste dia que reservo para a família e a resignação a fé. Sou com espanto do falecimento da colega Jacinta Carvalho no domingo. Vítima de uma septicemia provocada por um patógeno ainda desconhecido, que segundo amigos da área da saúde, deve entrar para os anais médicos, pela estranheza do caso.
Sei que onde quer que esteja, com certeza estará amparada pelos que nos ajudam a transitar deste plano a outro. Em nenhum momento se deve designar culpas ao Criador. Afinal nossa passagem faz parte da vida e quando ela se dá por completa, independente da vontade de ficar, mesmo assim devemos partir e os eu ficam devem continuar.
Ao sair, pude comtemplar o alvorecer, uma boa caminhada por Macapá, passando pelo Centro, Trem, Santa Rita e Buritizal para os compromissos do dia. Resolvidos, fui a vinha visita cotidiana para assistir os trabalhos da ALAP, e para minha surpresa, grandes surpresas lá estavam.
Em regime de urgência, foi aprovado por unanimidade o projeto autorizativo que visa reajustar os salários da força da polícia civil que já desde muito fazia verdadeiras peregrinações àquela casa e saiam de lá cabisbaixos por não serem comtemplados.
Como um prêmio a conduta de Paulo José, um dos autores intelectuais da matéria que hoje se despedia do mandado que logo mais será entregue a Ocivaldo Gato. PJ se despediu dos expectadores das galerias, prometeu não chorar, mas homenageou cada um dos deputados presentes, com falas que levaram muitos às lágrimas de emoção, como só mesmo ele sabe fazer.
Fazer rir, fazer chorar. Acho que hoje foi o dia de Paulo José. Cercado pela família, pela história de vida, pelas lutas em tantos mandatos e pela sapiência visceral em tudo o que diz respeito às matérias da lei e das relações transnacionais. Por uma ironia do sistema a ALAP perde um grande, por que não fazer a comparação ao tablado de xadrez. Um bispo.
Em cheque talvez deva ficar a conduta de Agnaldo Balieiro que ameaçou não votar a favor da matéria com a desculpa de não conhecê-la e até mesmo acha-la inconstitucional. Mas sem conhecê-la como ele mesmo afirmou, dificilmente teria instrumentos ou mecanismos para dar tal parecer.
Cristina Almeida também ameaçou ir contra, mas ao ver que sua falácia governista alçava mais o discurso retórico do que a lógica em si. Bem se vê que a oposição aos trabalhos da ALAP tem sido isolada veementemente pelos demais deputados, que como Roseli Matos e Edinho Duarte, ergueram a bandeira do “respeite esta casa!”.
Com os devidos parlatórios a sessão se encerrou. Mais um dia se vai, mais uma sessão da vida encerra seu capítulo. Estamos quase no crepúsculo. As notas esfriam, cada um segue a sua vida cotidiana. Logo, logo o dia se vai e não deixará mais vestígios.

Quando se consegue ver a alma de verdade

Nunca vi um fantasma. Algumas vezes até tive a impressão que algum visitante do além veio até mim com alguma intenção, se negativa ou positiva nunca saberei, pois tais visitantes não disseram a que vieram, sendo assim não pude ver suas verdadeiras faces e nem atestar sua real existência.

Ontem entendi finalmente que para ser ver uma alma, não se precisa tê-la extraído de algum desencarnado, não se precisa ir buscar alguma ferramenta do oculto para aprisionar o espírito e enfim poder vê-lo, nem muito menos sentar-se ao lado dos túmulos. Basta apenas percebe-lo nos olhos de que está vivo e bem vivo.

A alma é algo indescritível, afinal ela emana confiança, quando liberta de todos os casulos que a contém. Percebi isso nos olhos de quem olhei. Vi a pureza da alma, resplandecendo dentro daqueles olhos, que me falavam pela primeira vez em uma vida inteira, não a verdade, mas a sinceridade mais pura e mais sublime que não houve como conter as lágrimas e arrepios pelo simples fato de reconhecer a visão da pureza e sinceridade da alma.

Acredito no que vi, mas sei que não é tão a toa assim que podemos ver o interior do ser humano e visualizar sua alma pura. Uma sucessão de fatos e acontecimentos são necessários para que este momento ocorra, e vejo que cada pessoa tem os seus fatores individuais e por isso, jamais seria possível reproduzir esta cena como uma receita generalizada.

Muitos foram os fatores que me levaram a ter minha visão da criação mais perfeita. Vi a alma do meu amor, e isso não é frase de cartão barato nem adesivos clichês. Vi realmente o interior do meu grande amor, sem interferentes, sem máscaras nem adereços que pudessem me anuviar os sentidos. Nenhuma mentira foi sentida, nenhuma lacuna apresentada.

As palavras que saíram da boca daquele corpo, em nem um pouco seriam advindas de seu estado comum. Palavras que nos atravessam e nos tocam, sem ao menos pedir licença ou ter medo de nos machucar. Ouvi coisas que comumente ouviria de uma boca comum, mas não com a intensidade e sinceridade que consegui sentir quando as palavras chegaram até mim.

Uma reconciliação, um perdão, um recomeço. As palavras chegaram até mim clamando por serem ouvidas e atendidas como se eu pudesse por alguns instantes estar com todos os dons de Deus sem ser Deus. E ao perdoar, ao conciliar e ao atender o clamor de um recomeço não me senti Deus, mas me senti realmente seu filho amado.

Eis-me aqui! Um homem que atendeu ao apelo de uma alma, sublime criação de uma pureza inestimável, que vista sem seus adereços e penduricalhos, mostra-se como algo incapaz de ser mal, de ser profana de ser cruel. Somente amor e verdade, provando assim que nossas almas são parte do próprio Criador.
 Vi sim uma alma, vi sua grande existência, e ela estava viva e clamava por mim, me pedia ajuda, ajuda por seu corpo, pelo ser que a contem. Ouvi então o eco de um mundo em que minha carne não colabora, mas os sentimentos se aguçam. E que o poder de fazer algo de bom, só dependia do meu amor, meu perdão e a minha reconciliação.

Então agora já posso aposentar as histórias de miragens e misuras, que se escondem nas sombras e espreitam e invejam nossa vivacidade humana. Afinal pelo que pude perceber. Algo tão perfeito contido dentro de algo tão falho como nós. Não pode ser senão a compleição de uma existência à outra. Carne e espírito coexistindo e nunca uma sem a outra. Logo assim, fantasmas, espíritos e almas penadas a solta a vagar pelo limbo, simplesmente devem fazer parte do mesmo universo dos unicórnios, fadas e duendes.

A difícil arte de copiar o filho de Deus

Jesus foi um visionário em tudo o que fez durante as mais de três décadas que passou na terra, tentando de alguma forma, mudar o mundo. Talvez na ânsia de fazer o ditado: “uma andorinha só não faz verão” nunca existir; tentou de muitas formas nos ensinar como é realmente ser humano em todos os sentidos e que não há corrupção que a vaidade não leve.
Sem dúvida dois dos seus ensinamentos mais difíceis, segundo a minha concepção, relatados pelos evangelhos; seriam os que retrato neste texto. A comunhão entre todos os mandamentos de Deus dados a Moisés e relatados no êxodo, sendo: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” e o que diz: “Ofereça a outra face”.
Mais difícil não é amar a Deus, afinal crescemos na cultura da imagem de um Deus punitivo, vingador, que basicamente interfere em nossas vidas a ponto de olhar somente nossas falhas e castiga-las com fogo e medo. Da mesma maneira que nos é pintado que quando agimos de acordo com os mandamentos, agradamos a Deus e não fazemos mais do que nossa obrigação, em retribuição a criação.
Sempre assim, perpetua-se esta imagem, de pai para filho, a ideia do Deus que castiga, Deus que não perdoa, Deus que manda para o inferno... Sendo assim como poderíamos amar um ser tão ditoso em virtudes e tão cruel em piedade a ponto de nos pedir para amá-lo acima de tudo e ainda oferecer seu filho como holocausto as dores do mundo. Seria no mínimo dicotômico contar com um Deus que não sentisse que sua criação é mais do que um rato de biotério, adestrado aos botões prazer-alimento.
Amar a Deus sobre todas as coisas é uma missão bem espinhosa, afinal, desapegar-se das coisas do mundo é tão difícil para quem nasceu rodeado delas. Temos um medo profundo de nos livrar de coisas que podemos precisar em um futuro que não sabemos quando, mas que o instinto pede. Assim como os bens e o dinheiro, que em nossa sociedade é quase impossível existir sem a aceitação de que estes bens são necessários à manutenção da vida. Como que há dois mil anos as coisas eram perdulárias em uma sociedade também perdulária.
Mas amar a Deus sobre todas as coisas ainda é possível. Basta crer, não duvidar, e até mesmo se espelhar nas mazelas de Jó. Mas para isso é necessário que tenhamos o estomago para aceitar as perdas que virão nesta busca em atender a vontade do Pai.
Sem dúvida, amar é fácil, mas perdoar é mais difícil, afinal amar requer apenas o objeto do sentimento, a dedicação e o empenho para amar e tentar ter a retribuição deste amor. Mas perdoar, consentir, esquecer algo que nos fere de morte, é bem mais difícil, afinal a dor física que a ofensa nos causa é bem mais profunda, pois carrega no bojo, o rancor, a mágoa, o ódio e o ressentimento. Amar é fácil, já perdoar...
Tentar se deve, a todo custo converter o mal do ódio em pelo menos na aceitação do erro alheio e a busca do perdão. Jesus devia saber muito bem do que estava falando quando preconizou o perdão e o amor. Mas você deve pensar: - Para ele é fácil, ele é o filho de Deus! Mas e nós também não somos?
Nossa única diferença é termos sido criados por Deus, para amá-lo e amarmo-nos como Ele assim nos ama. Já o Ungido, é o fruto da materialização do Espírito Santo de Deus e sua personificação em carne, nos remete ao ato da criação filial. O Cristo também não sabia o que lhe aguardava até que lhe fosse revelado no Monte das Oliveiras seu destino final e mesmo assim em sua humanidade Ele ainda se deteve diante do Pai e pediu que se fosse possível lhe afastasse o cálice de tanto sofrimento e dor.
Mas a lição vem logo a seguir, quando se reconforta com a vontade do Pai ser realizada e não a Dele próprio. Assim vem o perdão, assim vem a oferta da outra face e, por conseguinte a fusão do amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo  e ainda assim oferecer a outra face à humanidade que já esbofeteara uma face antes.
Como um pré-doutor que oferece sua tese, defende e comprova sua aplicabilidade, Ele nos mostra que seus ensinamentos cabem à realidade e assim são possíveis em tempos bem distintos de vinte séculos de distancia. Mesmo eu que ainda depois de ter aprendido a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Ainda luto diariamente para aprender a dar o perdão e oferecer a outra face, mesmo que isso me custe a própria vida. Mas sou humano, vou continuar tentando...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A tecnologia, o teatro e a arte das crianças

O vídeo game veio em uma época em que todos os educadores praticamente chegaram ao consenso de que ele mudaria os fundamentos educacionais e relacionais das crianças; ledo engano também cometido quanto à televisão que só necessitava das habilidades de atenção, entendimento e fala. Adquiridos na idade tenra. Mas o mundo em que a fusão não só da televisão e dos videogames em substituição das “babás eletrônicas” vem a geração de telefones celulares, criar um mundo onde a comunicação, a informação, o entretenimento e até mesmo as relações sociais passam pelas ondas de rádio do aparelhinho lobotômico que administra a vida do homem moderno e por que não das crianças modernas?
Neil Postman apresenta em sua teoria que o fim da infância, vem acompanhado de mecanismos de redelineamento das atividades sociais entre pais e filhos e entre as crianças em si.  A tecnologia exerce sua força sobre nosso comportamento e tem cada vez mais colocado nossas práticas voltadas para o uso de tecnologias suprimindo hábitos e costumes popularmente difundidos em nossas infâncias onde o anacronismo dos telefones parecia mostrar uma época onde nunca haveria tal dependência desses mecanismos para nossa interação.
A dependência dos pais se mostra quando vemos os filhos dando verdadeiras aulas de como manusear tecnologia que muda a cada dia e sempre com mais formas de fusão de um mecanismo e outro, onde brevemente nossa dependência será tão grande que o menor de nossos problemas será o “boa noite” dado pelo filho via celular para os pais no quarto ao lado.

Usando a lógica do teatro que ainda é uma forma de expressão das mais antigas criadas pelo ser humano para expor não só um drama da sua realidade ou das adversidades sociais que por algum motivo causam curiosidade dos outros pelo tema proposto no tablado.
As transformações propostas pela linguagem cênica fazem com que esta linguagem ancestral seja contínua para além; dos anfiteatros, arquibancadas, praças e palácios medievais que antes serviam de palco para os dramas sociais.
As crianças através da linguagem moderna; conseguem também trabalhar esta linguagem sem nenhuma dificuldade, até mesmo por que sua capacidade criativa é potencializada pelas ferramentas modernas como o mundo da internet.
Com os pinceis fáceis na contramão da pena e papel, as crianças criam um mundo de cores, sons, movimentos e imagens que conseguem imprimir suas ações dramáticas em espaços virtuais que acomodam o retrato de sua vida cotidiana. Os blogs e micro blogs, dispersos no universo da internet conseguem fazer com que esse universo teatral se expanda e consiga também atrair a atenção de outros expectadores que participam do cenário mesmo que virtual, como quem se acomoda nas cadeiras do teatro.
A polissemia de discursos do politicamente correto do que se aplica a educação infantil talvez ainda não consiga contemplar o papel cênico, não só interpretativo, mas criativo destes mecanismos oferecidos pelo mundo moderno.  Afinal, ainda hoje as crianças brincam de faz de conta, mas em vez de cobrir as mãos com os olhos e contar até dez, para imaginar, elas simplesmente se conectam.

A natureza da comunicação verbal direta talvez nunca caia em desuso em detrimento as outras formas. Seria o mesmo que comparar o uso de combustão a hidrocarbonetos com combustão hidrogenionica. Ou seja, embora uma esteja obsoleta há mais de 40 anos, a sociedade ainda faz uso dela por sua praticidade e necessidade comercial.
Assim também se concebe pela internet. A maneira com que a nova tecnologia evolui, arrastando milhares de novos usuários como “dependentes químicos do silício”, faz com que o mundo virtual acabe criando vínculos há muito levados ao nível de preconceito de palavra, como o termo seguidor, vassalo, servo.
O uso apelativo das redes sociais, cada vez mais deixa de ser uma trivialidade, um artefato adicional, para se tornar um meio efetivo de fazer com que não só crianças, mas jovens e adultos recorram cada vez mais a estes meios a fim de proverem suas necessidades sociais, afetivas e até mesmo fisiológicas.
Com a criação até mesmo de uma linguagem própria, cheia de corruptelas e abreviaturas que ilustram o grau de baixa necessidade de pensamento para o ato da comunicação, fazendo até mesmo com que o vernáculo coloquial seja elevado ao status quo de linguagem formal, levando a linguagem culta ou formal à companhia do Latim e do Grego arcaico.
O uso indiscriminado das redes sociais parece cada vez mais limitar as interações diretas, e logo após servir de meio de acesso, passe a ser o acesso em si, como quando antes se telefonava para alguém para marcar um encontro e hoje o encontro já ocorre pelo telefone. Assim também interagem os meios de internet, como vorazes térmitas a fim de consumir toda e qualquer forma de interação humana, protegendo-os do outro lado por milhares de canhões protônicos dispostos a fuzilar quem vá à contra mão do universo virtual e compactue do simples e puro aperto de mão.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E assim começa a reinar a dinastia


No princípio maniqueista de um universo criado e coordenado por dois seres antagônicos, que você pode chamar de Deus ou bem absoluto ou o diabo, o mal absoluto. Vemos que a linha tênue que separa a coordenação dos dois das rédeas do universo, é pura e simplesmente a noção do bem e do mal, conforme o principio relativo de cada termo.
Talvez por essa conjuntura bem dúbia do que é mal e do que é bem do ponto de vista de um pressuposto qualquer, podemos ter um exemplo bem claro a luz de um cidadão que passou por essa estreita linha entre o bem e o mal.
O empresário Odilon Filho, talvez consiga ser um expoente dessa teoria de que o maniqueísmo se instala rápida e fartamente, a feita que o poder deriva seu rumo de bombordo a boreste. Ontem sua empresa de beneficiamento de pescado em Calçoene foi lacrada pela polícia ambiental em conjunto com o BOPE, pelo crime ambiental de jogar rejeitos do benefiamento do pescado no aterro sanitário. Gerando assim multas distribuídas entre a empresa (2 mi), a prefeitura (90 mil) e dois agentes da prefeitura (1.300 por cabeça).
Tais alegações de crimes ambientais, são na verdade grandes chacota com o dinheiro público, quando na verdade existem questões mais emergenciais, de cunho de valorização da vida, do que o Ministério Público se preocupar com tripas e rabos de peixe, que por uma ideia leviana não podem ser despejados na única instalação de recebimento de lixo que  a cidade tem.
O Estado como um todo tem que se acostumar com a ideia da imiscuidade dos poderes. Que a obrigação do controle sanitário, parte é da iniciativa privada que produz o rejeito e parte do poder público que deve dispor de processo ou meio adequado para o destino final dos rejeitos. Não adianta a justiça soltar seus cães a ladrar, morder e uivar em cima do empresariado se nenhuma ação do executivo é desempenhada para dar o suporte necessário.
A pobre justiça cega, também não favorece o cidadão nas suas ações. Afinal em um Estado com tímidas indústrias e mesmo assim importantes por gerar empregos diretos e indiretos, essas industrias de pescado são vistas pela população regional como uma grande salvação ao desenvolvimento econômico de seu pedaço de chão. Mas juízes e promotores não tem nenhuma preocupação se empresas vão fechar, ou empregos vão desaparecer ou até mesmo empresários vão retirar seus negócios de terra tão atrasada.
Afinal nem promotores nem juízes, produzem algo que se sirva a não ser arrobas e arrobas de papel para suas falácias em um vernáculo que só eles fingem entender. Para eles pouco importa se o pior virá. Serão pagos do mesmo jeito.
Enfim entra o executivo na berlinda. Afinal Odilon Filho se beneficiou bastante no governo do PDT, ganhou contratos emergenciais e licitações, até se engraçou com o cobiçado restaurante do trapiche Eliezer Levy. Mas de lá teve seus teréns defenestrados como os de um criminoso. Fico imaginando o que ainda virá, pois a conhecer a forma de governar dos maniqueístas do PSB sei que muito ainda virá.
Só espero que a turma que hoje ocupa o poder, se lembre de que durante muitos anos, brigamos, batalhamos, fomos enjaulados, espancados como animais, afim de nos fazerem confessar um comunismo inexistente. Sentir na pele quando o poder do Estado é arbitrário e fere os direitos constitucionais da isonomia, já foi uma experiência válida pelo menos ao patriarcado do Governador.
A lição não se esquece...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sub lege progrediamur

No tripé do desenvolvimento econômico; o setor primário, transporte e Indústria de agregação de valores aos comódities são a base de todo progresso. Afinal sem a contribuição do setor primário de desenvolvimento, que gera emprego e renda, como a agricultura, não só a familiar e de subsistência, que esta, mesmo sob incipientes pernas bambas já existe. Mas a agricultura profissional, a que realmente consegue fomentar o desenvolvimento e o giro de capital onde quer que se instale.
Os transportes, e não só o transporte público, mas o transporte aéreo, portuário, ferroviário e rodoviário criam o ambiente propicio para o crescimento, para o escoamento da produção e para o desenvolvimento estratégico geográfico. E não menos importante, a indústria de transformação, a fim de agregar valor aos itens produzidos nesta etapa primária de desenvolvimento.
Ora, não vejo por que bater nesta tecla já desgastada da rota do desenvolvimento, afinal todo politico, empresário ou cidadão amapaense com alguma noção de sociedade econômica bem sucedida sabe que o governo tem pelo menos aparentado estar no caminho certo para este desenvolvimento. De uma visão ainda nublada, parece que Camilo tem um plano. Mesmo que ainda amorfo externamente, parece que desenterrar a rota do desenvolvimento, idealizada na ALAP já algum tempo, mas nunca colocada em pratica, apesar da viabilidade e necessidade do Estado.
Ainda é temerário que um Estado desse tamanho ainda seja pobre, mas a cultura de economia de contra-cheque público, os brios ecológicos da conservação da biodiversidade e um compadrio de grupos fechados ao mundo para que seus pequenos nichos não sejam perturbados, ainda são um grande empecilho para o tão sonhado crescimento. Exemplos da região norte, não faltam, mesmo que a geografia não colabore com outros estados como Amazonas e Rondônia o crescimento e desenvolvimento por lá já passou há muito.
Essa celeuma que se faz muito em cima das propostas de crescimento que virão, que embora polêmicas, ainda fará com que se levante as bandeiras de que o Porto de Santana não deve ser tocado pelas mãos das PPP´s, ou que o cerrado alienígena a vegetação amazônica, deve ser preservado em detrimento a agricultura, ou o que é pior: Que tudo fique preso a discursos demagógicos e retóricas vazias, com apenas uma intenção; “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Camilo ainda deve enfrentar um grande desafio, o do fogo amigo, Mesmo porque uma das grandes mazelas da governabilidade são as alianças com os adversários para coligar o poder. Mesmo com a forma peculiar do PSB Amapá de governar exige uma grande centralização do poder. As alianças geram aliados preocupados mais em tirar apoio aos próprios desejos do que pelo apoio em si a administração.
As portas aos técnicos competentes para planejar o futuro, ainda estão fechadas, pois a maioria deles não é amapaense e, por conseguinte não fazem parte de nenhum grupo partidário. Logo, os pseudo-técnicos que fazem parte do governo, tem que praticar a politica do autodidatismo, aprendendo na marra e com pouca ou nenhuma expertise a ensaiar a caminhada do desenvolvimento, como uma criança que começa a dar os primeiros passos, mas com um atraso de desenvolvimento de anos, deixando-se como a sombra do progresso que inibirá esta terra de suas virtudes e seu lugar expressivo no PIB brasileiro como uma grande e sufocante redoma de vidro.


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