Ontem a deputada Cristina Almeida líder da base do governo PSB foi notificada que tem dez dias para apresentar sua defesa ao pedido de processo de cassação protocolado pela deputada Roseli Matos. Uma rusga se cria e começa o bate boca.
O fio condutor da polêmica, ainda se dá pelas declarações da deputada ao programa humorístico CQC de que não recebia a tão famigerada verba indenizatória aprovada na ALAP de até 100 mil reais. Diga-se de passagem, nem foi tão polemico assim, até por que os deputados “machos” sumiram da frente da câmera e da câmara, deixando as mulheres de para o tiroteio.
Algumas considerações curiosas sobre o fato vem simplesmente da situação. É ilegal receber o dinheiro? Não. Apenas imoral em um estado em que o cidadão gasta unitariamente cerca de 220 reais por parlamentar, quanto que em estados como o de São Paulo, esse custo fica em 34 reais. Imoral o fato de que os deputados agora nadam na piscina de lama que eles mesmos criaram.
A atitude da mesa diretora de mitigar a gravidade da imoralidade da situação, catalisando isso em cima das declarações de Cristina ao humorístico, vem baseada na politica de riscar um fósforo no momento de flatulência, ou seja, um odor ruim para substituir um odor podre.
Muita coisa esdrúxula se enevoa sobre as cabeças dos 23 deputados e seu presidente. Cercados por uma situação incômoda como essa, a garrafa gira agora em torno de Cristina e de sua declaração demagoga sobre o fato.
Afinal a verba é indenizatória e por lógica você tem que gastar para ser ressarcido. Mas vamos partir do princípio de que o salário de deputado não chega a 40 mil. Mas que o mesmo gastou 40 mil para ser indenizado. Salvo uns quatro ou cinco deputados que tem um patrimônio empresarial e financeiro abastado oficialmente, é de se pensar muito, de onde alguns deputados tiram o dinheiro para serem indenizados posteriormente. Ou se tem um caderninho do fiado para deputados, ou o talão de cheques pré-datados é bem grande ou simplesmente o que é mais provável. Os deputados tem tirado dinheiro de lugares ocultos.
Não sou nem um pouco favorável a politica do PSB e nem muito menos ando com os Almeida no colo. Mas é uma grande falta de senso moral dos colegas parlamentares, de crucificar apenas Cristina por dizer que não recebe a tal verba em detrimento dos outros que recebem abertamente e a população nem tem conhecimento de quanto, pois a ALAP não é transparente nas contas públicas.
Nem é tão difícil criar um processo de prestação de contas públicas na internet, para que a população acompanhe os gastos de seus representantes. Afinal o que não falta no CPD da ALAP é tempo livre, haja vista que ontem eu sentado na galeria via os técnicos jogando paciência spider pelos vidros fumês, bem acima da mesa diretora.
A medida de Cristina de propor a mudança do valor da verba de 100 para 30 mil vem meio tardia, pois quase doze meses de legislatura só agora depois do ridículo exposto nacionalmente é que os deputados se mobilizaram a fazer algo, pois a população local não se digna a isso por comodismo.
O PSB poderia virar a mesa contra a oposição, de maneira estratégica, mas o PSB e nem seus dirigentes são estratégicos, pois mais parecem uma empresa familiar, mas assim como essas empresas um dia tendem a ver que não se cresce usando prata da casa, abrem espaço para técnicos que podem criar politicas pelas quais são preparados pra tal, e não na politica do achismo como tem ocorrido.
Mas o governo do PSB não descobriu essa pérola por achar que sabe tudo. Mas nesse momento tem sido como uma fruta regional chamada abiu, que é amarela, pegajosa e as pessoas só escolhem a tal frutinha quando não há nenhuma opção!






