segunda-feira, 30 de abril de 2012

Marrom da cor da lama


Em tempos de Sun Tzu a arte da batalha consistia em guerrear com o inimigo no corpo a corpo somente se fosse o ultimo recurso a ser empregado, afinal o desgaste seria profundo nas hostes de ambos os exércitos, afora o fato de alguns generais serem mais afeitos a estratagemas do que calar baionetas.

Na politica amapaense tem sido basicamente assim; uso de armas não letais e muita prudência, com o corpo a corpo que não tarda a acontecer. Assim como nos anos duros da guerra fria se temia muito que a chamada “guerra de botões” acontecesse. O pânico e a paranoia de que com um mínimo toque em um botão vermelho qualquer, se disparasse misseis intercontinentais com alvos pré-determinados por um despotazinho afetado.

Os anos passaram e o pânico já não mais paira pelo toque no botão vermelho. A guerra se insurge pelas linhas de idas e vindas de pios e blogs. O botão que se teme, não é mais o que aciona mísseis, mas sim a tecla “Enter” que dispara escatologia propriamente dita.

Sob essa ótica de guerrilha lamacenta a politica amapaense tem durado. Para não se disparar nenhum projétil letal, a guerra tem se preocupado em seguir a linha ditatorial dos pequenos ditadores de repúblicas de bananas: Silenciar os críticos à base da execração pública, seguindo os velhos preceitos de Platão sobre expor os defeitos e as deformidades e fazer o ridículo deles.

Enfim a imprensa amapaense tem tomado golpes um atrás do outro. Com o trabalho de rumo desconhecido, a “senhora da foice” levou logo três boas peças do intrincado tabuleiro. Há quem diga que peças de lados diferentes, mas de todo modo, agentes da imprensa, cada um com seu toque pessoal e suas conjecturas nas artes da informação. Lá se foram Jacinta, Bonfim e Bezerra. Diz-me que o pano urdido ainda tem mais nomes, implacável tecelã tem sido a dona morte.

O tabuleiro autônomo entre agentes da informação do governo, dos opositores e dos ditos pensadores livres e isentos; coisa que deve ser muito difícil em uma terra que se parece muito com um poliedro, de tantos lados existentes a não se arraigar pé em um.

Também se golpeia os que ainda não golpearam, mas que podem golpear fortemente, como o que aconteceu com as jornalistas Girlene e Marcia. Que antes mesmo que fosse possível esboçar qualquer reação, foram varridas pelas tsunamis do rádio por um súbito interesse de uma emissora nacional querer divulgar seus dances em terras tucujús. Será que existe conto mais sombrio que esse?

Calar a imprensa é tática antiga, que ainda funciona muito bem por que jornalista não é milionário, a não ser que mude de lugar na mesa da redação e copie Marinho e Murdoch. Coisa que nem todo profissional tem como ambição uterina. Que me diga meu conterrâneo Lucio Flavio, que ainda peleia com um fantasma que lhe quer tirar as ceroulas.

Não indo muito longe, dia desses presenciei ao vivo a cena em que probo diretor de empresa pública admitiu que se falsificaram documentos sob a égide da fé pública e mesmo assim para não descer do salto e dar anuência ao destino dos fatos, resolveu processar o Reginaldo e o Silvio e o programa e a emissora e se estivesse no contrato social, até mesmo o porteiro da emissora seria indiciado.

Mas recente vem o ataque direto, coisa que se faz logo pela aplicação de um fato, sob uma leitura insinuante e algumas pitadas de cor e luz, com números (que o leitor ou ouvinte ou telespectador adora, por isso politico numérico ainda se elege) e um séquito de aduladores à “vaca de presépio” se faz de um fato, outro fato que se torna um grande fato. Assim Alcineia saiu da boca da noite e foi parar na boca do sapo e na boca do povo maledicente.

Enfim, penso eu como atento expectador desta novela causídica que; o passo de calar os críticos, conter os formadores de opinião e perseguir os demais, tem dado certo, afinal em pouco tempo a mídia deve se resumir a tabloides afetados com fotos do batizado de algum parente do governador, ou as viagens de férias da família em compras pela bela Paris ou pela abastada Milão.

A TV deve se concentrar em exibir programas que insulfla a opinião pública contra qualquer ação dela mesma contra o Estado de Faz de contas. O rádio pode se sintetizar em programas de louvação extrema, mas não a Jeová, pois pelo jeito Ele não dá DAS, nem CDS nem CA, nem se quer uma tetinha no úbere da administração pública.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Asas efêmeras


Cada vez mais a vida nos mostra o quanto somos insignificantes perante a vontade própria da natureza. Negar isso é negar a efemeridade da vida e também negar nossa própria natureza de homens.

Amigo e companheiro de muitas lutas politicas, Dalto Martins pode ser mais um dos muitos sinais de que a vida nos cobra o preço por habitar nela, mas sem nenhum contrato formal, pode rescindir seus préstimos a sua revelia sem ao menos nos consultar ou se quer saber de nossos planos para o futuro.

Com muito pesar recebi a noticia de sua morte nas primeiras horas de sexta feira assim que se confirmou o sinistro na queda de seu avião. Dalto estava em mais um dos seus mandatos legislativos conferidos pela população como sinal de confiança e apreço pelo médico e oficial da policia, que muito contribuiu pelo estado do Amapá.

Sempre comprometido com suas ações, Dalto honrou os ideais para com os amigos, para o partido que representava e com a população que o elegeu. Um histórico de vida pública e privada voltada à família e a vida pública, defendidos até seu último dia de vida.

Sempre com um semblante sisudo até mesmo nos momentos de alegria. Foi um ferrenho debatedor e habilidoso formulador de propostas não só para a saúde, da qual sempre foi fervoroso defensor, mas também para outros projetos, como o curso de medicina que hoje existe no Amapá.

Sujeito fechado, como o estreito da cidade de onde nasceu, passou por momentos difíceis; até mesmo o isolamento da família, quando foi para o sul se tornar o doutor Dalto Martins e que para o Amapá veio para contribuir com sua história e fazer parte dela.

Dalto nos deixa duas lições valorosas sobre a vida. Uma é que sua intensidade deve ser vivida na plenitude de seus atos e nas experiências que levamos e deixamos, quer seja na forma de aprendizado, quer seja na forma de nossos descendentes.

A outra é que nunca seremos senhores de nosso destino, nem no dia em que deixamos o conforto cálido do ventre de nossas mães até o momento em que nossos pares nos entregam ao frio repouso debaixo da terra.

Vai amigo, só que agora não mais nas asas do famoso Romeu Romeu. Encontre-se com nosso criador para ajuizar as causas dos homens que ficam nesta vida da qual não fazes mais parte, mas tua memória ficará incólume diante de tua tão breve passagem.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Uma ressaca e uma dor de cabeça

Os poderes públicos são bem claros quando dizem que as áreas de ressacas são áreas protegidas e que são proibitivas de ocupação. Mas não é isso que se vê pela cidade de Macapá. O fato não é recente e denota falta de fiscalização dos órgãos responsáveis, no que concerne à proteção do meio ambiente e a garantia de habitação para a população mais carente.

As áreas de ressacas não apresentam condições de infraestrutura mínimas para a sua utilização com fins habitacionais, visto que não permitem a instalação de rede de esgotos e nem suportam construções civis. Mas, nessas áreas vivem pessoas que anseiam por melhores condições de vida. Nesse caso, a infraestrutura já existente só pode receber reparos.

O Estado tem o dever de garantir moradias dignas e condições respeitáveis para os moradores, como acesso a saúde e a água tratada. Deve responder por sua deficiência, visto que não deu uma destinação certa para as pessoas que ocupam tais áreas. Pois já sabia que as mesmas eram preservadas.

Os erros do passado geram danos irreparáveis no presente e um desafio enorme para o futuro. Sendo assim, as populações de áreas de alagado não podem viver a revelia do poder público. São seres humanos e carecem de ajuda. Se a situação não mudar, só restam as pessoas se unirem e fazerem as mudanças com as próprias mãos.   

O estado em conflitos socioambientais é considerado como aquele que tem maior peso nas ações que envolvem os interesses da população. No entanto ao se visitar qualquer comunidade em área de ressaca vê-se o nível de abandono na infraestrutura básica de saneamento, energia e até mesmo a locomoção dos moradores até suas casas.

Cabe destacar que a política ambiental está desvinculada das demais políticas públicas e econômicas, pois ela não é considerada nem uma política social, nem de desenvolvimento.
Assim, em função de reverter tendências de ocupações dessas áreas, de gerar novas perspectivas de uso e de criar infraestrutura, o estado não dá condições de remanejamento nem conserva a estrutura existente.

Enquanto não se decide pelas politicas habitacionais de grande porte, a população das baixadas e ressacas amarga o abandono, fruto da omissão do executivo em se amparar no fato da interpretação da legislação que se diz que nada deve ser construído nestas áreas. A contradição entre os objetivos e as diretrizes voltadas para políticas urbanas é frequente entre as ações dos três poderes e ministério público.

Mas não se pode ignorar a ocupação desordenada que existe e não se deve em função disso abandonar estas pessoas a própria sorte sem ao menos encontrar uma solução compartilhada para melhorar a condição de vida dos moradores das áreas de ressaca.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A casa caiu malandro!

Muitas expressões específicas sejam elas; verbais ou corporais, dentro de todas as atividades humanas. Mostram muito sobre o indivíduo. Gírias, termos técnicos e outros verbetes são criados e aplicados no dia a dia das pessoas.

Na linguagem acadêmica podemos observar algumas palavras-chave que representam bem o uso do incomum na vida comum. Tirando do universo endógeno, palavras que pouco desfilavam nos meios populares, como: indiciamento, oitivas, peculato, improbidade e outras mais não tão transparentes ao universo popular.

Claro que o submundo não poderia seguir uma linha divergente. Os meliantes se utilizam muito destes neologismos, quando acabam tentando “meter o bicho” e são surpreendidos pela lei, ou são pegos pela vida pregressa de ações deliberadas no passado, que vem à tona: “a casa caiu, malandro!”. Geralmente é a ultima frase que escutam.

Na comunidade carcerária, a linguagem própria e todos os tipos de cacoetes que são criados e assimilados pelos detentos. Determinam o preso, que nunca é identificado pelo seu nome e sim pelo artigo que implica seu delito.

Como os famosos 171. Que caracterizam aqueles implicados no código penal por crimes de obtenção para si ou para outros, de uma ou mais vantagens ilícitas em prejuízo alheio por algum meio fraudulento. O velho estelionato.

Esses neologismos e eufemismos da carceragem parecem estar adentrando no meio politico, pois afinal para alguns que tem telhado de vidro e que arremessam pedras sobre os telhados alheios, muito cuidado! O apedrejado pode acumular as pedras e querer devolvê-las para o arremessador.

Às vezes com dedo em riste sempre no peito dos adversários, tentando desqualifica-los e desmoraliza-los a qualquer custo e de qualquer forma. Tem seu preço; é bom sempre tomar cuidado com a tal “volta do cipó de aroeira”.

Observamos que após fatos irrefutáveis a oligarquia reinante, parece ter muitas goteiras em seu vasto telhado de vidro. E o pior é que as telhas que estão intactas parecem estar mal colocadas e ameaçam cair na cabeça dos moradores a qualquer mínima vibração.

No interior, tem um ditado caboclo bem conhecido e interessante que diz assim: “briga com todo mundo, menos com o cara que mora na boca do igarapé” por que cedo ou tarde você acaba tendo que entrar ou sair por lá.

Estas crises que hoje estamos atravessando; já vivenciamos antes. Onde todas as autoridades sem exceção, foram execradas publicamente como narcotraficantes, inclusive com a presença no Estado do Amapá da CPI do Narcotráfico.

Tudo não só para quebrar o telhado da Assembleia Legislativa, mas arrasar toda a sua fundação e seus lideres. Data venha nada foi comprovado; era só uma tática de desmoralização que na verdade atingiu todo o Estado do Amapá.

Essa mesma ação é desenvolvida agora, sem piedade do Estado ou da população, envergonhada com tantos escândalos retratados nacionalmente. Pois os atentados contra a imagem do Amapá causam extremo prejuízo comercial, na moral empresarial e no afastamento de possíveis investidores.

Mas os 171, da oligarquia estão prestes ao desmascaramento total. Que Deus resguarde pelo menos a nossa boa história. Deixando-nos a consciência de que pato novo não mergulha fundo!

sábado, 7 de abril de 2012

Na Fortaleza não há fantasmas, só esqueletos...

Com o desenrolar dos fatos, as coisas vão ficando cada vez mais obscuras em vez de esclarecidas no que concerne à vida do governador do Amapá e família. Uma espécie de guerra politica se estabeleceu como em nenhum outro tempo no Estado. Algo como não se via nem mesmo quando o adversário do grupo politico do PSB era adversário direto do atual presidente do congresso e senador pelo Amapá, José Sarney.

Capitaneado pelo também senador João Capiberibe, o grupo socialista cada vez mais acirra a batalha contra quem quer que possa barrar o caminho do “trator socialista” que recebeu óleo por uma sucessão de fatos benéficos, como a operação mãos limpas, que afastou qualquer chance de continuidade do grupo que estava; a se manter no poder, visto que o estrago politico foi enorme, quando grande parte dos acusados foi presa durante a operação conduzida em pleno período eleitoral.

De lá para cá as coisas tem tomado proporções que fariam Homero e Dante coçarem os cocurutos a pensar se não poderiam ter escrito tal epopeia, quase rocambolesca, mas que de vez em quando toma formas de pura pulp fiction.

Programas humorísticos visitam o Estado, para fazerem o papel jocoso que um dia Alexandre Garcia fez com maestria, quando tinha um quadro “Nos bastidores da noticia” no noticiário global.

Ora golpe, ora contra golpe, Vê-se a farta coincidência de que a mídia nacional tenha tanto interesse por uma terra que tem cada vez mais alimentado seu cancioneiro anedotário, quer por notícias como as que tomaram conta do mundo quando as prisões começaram, quer por noticia mais infame, quando que por uma lei como a “Ficha limpa” tenha ajudado a empossar um senador que foi comprovadamente cassado por compra de votos e ainda faz questão de omitir este dado em sua biografia, erguendo-se como arauto da moralidade.

Em seguida vem timidamente a equipe do Fantástico, passa alguns dias, toma algumas imagens da vistosa Fortaleza de São José e alardeia estar aqui para reportar a história de um fantasma que nunca existiu.

Duas semanas depois parece que o “negócio firmado”, vem-se a equipe inteira com câmeras e repórteres a tentar filar o crème de la crème de uma noticia requentada da verba indenizatória, que qualquer amapaense conhece e da qual, pelo direito divino da democracia, acordam ou discordam do valor da rubrica que é sempre mal interpretada quando lida no geral e não nas entrelinhas.

Claro que para não transparecer tendenciosidade, mescla-se o fato puro com algumas notícias requentadas de outras casas país adentro. E pronto, temos o fato: Escandalizemos o povo! Mesmo que o povo seja malhado, a intenção é a hegemonia de um poder transparente, que de nada popular tem.

Agora vem a revista Época, que pelo pesar dos pesares faz parte do mesmo grupo global, mas pelo jeito as mãos das “arraeas” não têm influencia sobre o semanário, então pulula uma noticia sobre uma investigação federal que se depara com 35 contas bancárias sob a égide do CPF do governador do estado.

Nada que provoque a justiça, mas no mínimo esdrúxulo para movimentar tão modesta quantia de renda de proventos. Mas vale lembrar que de pequeno que se chega ao grande. Uma lei da natureza. Foi assim, por exemplo, que os “Anões do Orçamento” foram descobertos não pela Branca de Neve, mas pelas contas bancárias que levaram a ruína política, os moribundos Ibsen Pinheiro, Genebaldo Correa e o falecido João Alves, aquele que “Deus ajudou e ele ganhou na loteria dezenas de vezes”.

Panaceia ou não, a mídia deve mostrar o que veio coletar e esclarecer que os arautos da moralidade tem sempre um esqueleto no armário; seja ele grande ou pequeno mas nunca invisíveis nem transparentes.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dominus vobiscum

O desejo de ver a Deus será saciado se permanecermos fiéis à nossa vocação de cristãos, porque a solicitude de Deus pelas suas criaturas levou-o a estabelecer a ressurreição da carne, verdade que constitui um dos artigos fundamentais do Credo, pois se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou, e se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e também é vã a vossa fé. “A Igreja crê na ressurreição dos mortos [...] e entende que a ressurreição se refere ao homem inteiro”, incluído o seu corpo, o mesmo que tiver tido durante a sua passagem pela terra.

A liturgia transmite esta verdade consoladora em inúmeras ocasiões: Ele (em Cristo) brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E àqueles a quem a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que creem em Vós, a vida não é tirada, mas transformada; e, desfeito o nosso corpo mortal, é-nos dado nos céus um corpo imperecível.

Deus espera-nos para sempre na sua glória. Que tristeza tão grande para aqueles que puseram toda a sua confiança neste mundo! E que alegria para os que sabemos que seremos nós mesmos, alma e corpo, que, com a ajuda da graça, viveremos eternamente com Jesus Cristo, com os anjos e os santos, louvando a Santíssima Trindade!

Somos homens e mulheres de carne e osso, mas a graça estende a sua influência ao corpo, diviniza-o de certo modo, proporcionando-lhe uma espécie de antecipação da ressurreição gloriosa. A consideração frequente de que este nosso corpo, templo da Santíssima Trindade quando vivemos em graça, está destinado por Deus a ser glorificado, pode ajudar-nos muito a viver com a dignidade e a compostura de um discípulo de Cristo.

Que se pode dizer mais, diante do Deus configurado em carne que andou junto conosco e não iniciou rebeliões armadas, nem intifadas?

Se sua mensagem nos perdura a 20 séculos, viva e sólida, que nos desce a tragos do vinho que se constitui em seu sangue ou em nacos de pão que transpõe sua carne imolada.

Se ao som de sua voz os demônios se curvam, diante de sua grandeza o sol brilha, ante seu chamado os mortos se levantam e os paralíticos caminham.

E sob seu semblante os cegos podem ver. Mas nós ainda assim como Thomé, duvidamos e continuamos cegos, surdos e mudos diante de um Deus vivo e de amor infinito.

E ainda reclamamos, talvez lembrando suas ultimas palavras quando ainda entre nós; que "temos sede" ou simplesmente diante de nossa inercia continuamos a nos perguntar em vão: "Pai por que me abandonastes?" Quando na verdade, ainda temos medo de simplesmente dizer: "Pai em tuas mãos entrego meu espírito!"

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um mal bem entendido

Durante o governo Lula se pensou seriamente em um universo bem maior do que o período de um mandato, isso não se pode negar. Lula teve este momento (ou alguém fez o brainstorm por ele) para que se pensasse a longo prazo as ações de crescimento do Brasil para os próximos vinte anos.

Baseado nesta meta Lula meio que importou um produto nativo, mas já muito americanizado, Mangabeira Unger e seu sotaque meso-tupiniquim que ensina os americanos a disciplina “assuntos aleatórios” em Harvard.

Lula deu-lhe status de ministro e aboletou-o em uma secretaria de nome meio pomposo, batizada de SEALOPRA (Secretaria de Assuntos a Longo Prazo). Depois de muitos cafés e estudos, Mangabeira acabou passando menos do que o previsto, pois Harvard não o liberou para uma estada governista, findando o sonho de Mangabeira de bancar Thomas More e a SEALOPRA acabou virando uma utopia que logo se dissolveu.

Como nem tudo se perdeu. A partir das concepções se deu a ideia de acelerar o crescimento e assim nasce o PAC, de Pai Lula e mãe Dilma. Pronto para criar linhas de investimento em pontos estratégicos da infraestrutura, como saneamento, energia, moradia e as demais linhas básicas da estrutura do País.

Com essa linha de desenvolvimento, surgiram grandes projetos aonde o PAC chega. Assim como exemplos regionais no próprio Amapá, como habitação, que não deixa de ser uma das necessidades prementes desta terra, dentre tantas outras que ainda faltam, mas não foram a diante por fatores mais complexos que a teoria do caos ou a das supercordas.

Baseado nesta politica de crescimento algumas liderança até que tentaram seguir a cartilha dos unificadores Bolivarianos, mas em vez da América seu alvo sempre foi liderar uma Amazônia unificada.

Junto com a herança de Mangabeira e Simon, talvez o governador do Amapá tenha se esquecido da essência do que seja um PAC ao tentar surgir como paladino amazônida e sugerir um PAC das Florestas durante a agenda Amazônica, composta pelos nove estados que compreendem esta região.

Como tudo o que diz respeito a Rio +20 ganha logo domínio internacional, as palavras do jovem governador foram recebidas até mesmo com um verniz de escárnio, pois na prática o emprego do termo logo remete a um Programa de Aceleração do Crescimento de Florestas o que cria um desentendimento externo das reais pretensões do projeto (se é que há um). Pode-se até pensar que o governador quer jogar NPK sobre a floresta, se levar a coisa literalmente para este lado.

Na prática mesmo, se formos comparar com a ultima experiência do DNA dopai do atual governador, quando a época ocupava este mesmo cargo e com um plano maravilhoso de desenvolvimento sustentável (sempre siglas que ficam marcadas, um tal PDSA). De onde se embarcou um carregamento de óleo de castanha para o mercado internacional.

Sem nenhum critério de qualidade o carregamento voltou quando nem bem os fogos que estouravam a saída do navio tinham esfriado. Sepultando assim a primeira, única e ultima tentativa do velho governador em subir no cavalo branco e posar de Bolívar.

Coisa que o filho parece também almejar. Mas como casa se arruma de dentro para fora, o jovem governador deve primeiro ser governador e arrumar seu estado, antes de dar ares de estadista lidera amazônico, enquanto o povo sofre por falta até de uma folha para fazer chá. Mais ainda quando o próximo gestor assumir a vaga de Camilo e descobrir que para fazer seu PAC ele criou uma divida enorme com o BNDES por não saber correr atras de recursos  via bancada federal.
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