terça-feira, 26 de julho de 2016

Um osso ainda mais duro de roer

Esta será provavelmente a eleição mais anômala do todos os tempos, afinal não é só por se tratar de um novo pleito para o majoritário municipal e parlamento mirim, mas, como o primeiro após a minirreforma eleitoral que promete criar toda sorte de empecilhos para quem já estava acostumado a ter sua “muralha da China” particular nas tesourarias de campanha.
Para começar o número de eleitores neste ano está 4% maior que nas últimas eleições municipais de 2012. Com isso os custos também aumentaram, pois, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral deste ano foi estimado em R$ 600 milhões, o que equivale dizer que a justiça eleitoral vai desembolsar cerca de R$ 4,16 para cada um dos mais de 144 milhões de brasileiros aptos a votar se dirigirem de casa para a urna eletrônica.
Outro fator-chave reside nas mudanças de perfil dos eleitores, algo que sugere que as táticas usadas em outros carnavais para ganhar o voto do brasileiro deverão mudar radicalmente neste ano para convencer em números atuais a massa de eleitores formada por 74.459.424 mulheres (52,13%) e 68.247.598 homens (47,79%).
Outro ponto importante é que o índice de jovens eleitores com 16 e 17 anos que correspondem a 2.311.120 (1,60%) também teve uma mudança no quesito escolaridade, fazendo destas eleições municipais a que tem um eleitorado de maior escolaridade e por tabela um mais refinado senso crítico sobre as promessas apresentadas por cada um dos postulantes às eleições municipais em comparação com as duas últimas eleições.
O aumento do número de jovens de 16 e 17 anos que poderão votar nas eleições municipais deste ano, em relação à eleição presidencial de 2014 mostra um cenário onde há 2.311.120 jovens com título de eleitor, um crescimento de 41% em relação a 2014, quando eram 1.638.469.
Já em 2012 eram 2.902.672 os jovens de 16 e 17 anos que poderiam votar, o que representa uma queda de 20% nestas eleições em relação à última disputa municipal.
Em 2012, aqueles que não haviam concluído o ensino fundamental eram a maioria (51%), incluindo os analfabetos e os que sabiam ler e escrever. Este ano esse grupo caiu para 44,17% do eleitorado e, em 2014, o percentual foi de 47,56%.
Também aumentou o percentual dos que passaram pela universidade. Os eleitores com ensino superior completo ou incompleto, em 2016, respondem por 10,7% do eleitorado. Em 2012, eles eram 7,5% e, em 2014, 9,2%. Já o percentual dos que possuem o ensino médio completo ou incompleto é de 38%. Em 2012, foi 34,2%.
Este ano aumentou o número de cidades que poderão ter segundo turno, por terem mais de 200 mil eleitores. Serão 92 nessas eleições, ante 83 em 2012.
Também cresceu a utilização da biometria, quando o eleitor é identificado pela impressão digital na hora de votar. O sistema será usado em 27,66% dos municípios (1.540 cidades). Em 2012, foram 299 municípios, ou 5,37%. Há ainda outros 840 municípios que utilizarão a biometria em apenas uma parte dos locais de votação. Assim, no total, 2.380 cidades terão urnas biométricas.

Todas estas mudanças de perfil do eleitor, associadas com os poucos recursos que a legislação eleitoral permite farão deste pleito um balão de ensaio para 2018 e principalmente apontarão um fator de destaque para o eleitor: Os candidatos que forem eleitos e que conseguiram isso com porcos recursos, têm predicados suficientes para lidar com a crise que assola os 5.570 municípios brasileiros. Afinal, o bom gestor não se revela nos momentos de fartura e sim nos momentos de penúria, e por enquanto, penúria é o que não falta nos cofres do tesouro municipal de cada um dos municípios do Brasil.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O eterno proselitismo partidário

O TSE já contabiliza 35 agremiações partidárias registradas. Constantes entre nanicos e titãs, as máquinas de fazer candidatos já estão azeitadas de supostas ideologias, mas é evidente que não existem tantas ideologias político-partidárias que justifiquem a existência de tantas siglas, algumas das quais basta mudar uma singela letra da legenda que o sentido muda radicalmente ou insignificantemente.
Algumas dessas agremiações correspondem a posições de momentos históricos anteriores, como é o caso do PDT que representa o nacional-desenvolvimentista a partir do getulismo pré 1694. Ou como é o caso do PMDB e do PP que são nada mais do que fósseis da era do bipartidarismo imposto durante o regime militar.
Após a redemocratização do país e da promulgação da Constituição de 88, nesse caldeirão fervilhante de partidos é possível identificar mesmo que sensivelmente, as principais correntes de ideologias políticas em alguns dos mais encorpados partidos. Como por exemplo, o PFL, hoje DEM que tem seu umbigo atrelado a ARENA/PP, que vislumbra o liberalismo exacerbado.
Ou como é o caso do PSDB e do PT, formados por integrantes do antigo MDB, que representam respectivamente a socialdemocracia e a dita "esquerda" de origem marxista-leninista, mesmo que seja apenas na casca mais fina do verniz externo. Hoje no PSDB essa marca não é mais visível, já o PT tenta, mesmo que na corda bamba, mantê-la indelével.
Já o caso do PMDB, hoje no poder de fato, e sempre no poder pelas extremidades, esteve na conjuntura política pós 88. Já que durante o período militar, o MDB constituiu-se como uma frente política organizada em torno de um programa mínimo, a redemocratização do Brasil. Por sua composição plural, foi capaz de liderar a luta democrática de massa pela reconquista do Estado Democrático de Direito. Cumpriu sua tarefa quando Ulysses Guimarães promulgou a Constituição Cidadã.
A partir de então, seu mérito tornou-se seu defeito. Após 88, a tarefa política urgente no país passou a ser a afirmação de um programa para o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades sociais. E justamente por ser uma frente, o PMDB passou a enfrentar enormes dificuldades para dar conta dessa tarefa. Tornou-se uma federação de interesses regionais, que vive do passado da luta democrática contra a ditadura e que, por isso mesmo, apesar de ser o maior partido brasileiro, passou a desempenhar papel de principal coadjuvante na disputa eleitoral polarizada entre o PSDB e o PT nas eleições de1994 a 2014.
Por outro lado, é compreensível que, após a conquista do Estado Democrático, num país desigual como o Brasil é; apesar dos governos do PT pregarem o contrário. A disputa tenha se polarizado entre os dois partidos que apresentam propostas diferentes para a promoção de justiça social.
Entretanto, apesar desse propósito em comum, mesmo que não admitido pelos petistas, PSDB e PT são radicalmente diferentes em questões como responsabilidade fiscal, economia de mercado, gestão pública e políticas sociais emancipatórias e não assistencialistas.

Por fim, se é verdade que há ou pode haver corruptos em qualquer partido, a existência de tantas legendas pode justificar o mesmo fenômeno que ocorre em algumas seitas carismáticas, em que quando ocorre uma dissidência de ideias gerais, se funda uma nova Eclésia a fim de prosperar “novas ideias” que nada mais são do que uma reorganização da ideia original. Simples assim: a política sempre vai ser uma eterna dicotomia tentando se travestir de multiopções para vender sempre o que menos entrega: a tal da revolução popular.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O mercado só oportuniza para quem tem criatividade

A ascensão dos mercados ditos emergentes vem na caçamba da modernidade. A prova disso é o mercado de consumo de tecnologia (aquela que você se utiliza todos os dias e nem percebe). Com mais de 60 milhões de usuários, o Brasil é o quarto consumidor de apps no mundo. E esse mercado vem ampliando o seu perfil de consumo, que até então era em sua grande maioria de público jovem masculino e hoje já conquista mulheres, crianças e idosos. Muito disso se explica pela facilidade de acesso aos smartphones e as redes sociais; além é claro da utilização em muitas outras áreas como na educação, nos negócios e na medicina, não sendo mais uma exclusividade voltada apenas ao entretenimento, algo que o amapaense precisa incorporar em sua rotina.
Outro mercado em ascensão apesar de raramente explorado no Amapá, é do audiovisual. Em 2011, foi regulamentada pelo Congresso Nacional a Lei 12.485, que determina a veiculação de conteúdos nacionais e inéditos na programação das televisões por assinatura. Com isso, além de valorizar a cultura local a produção audiovisual no Brasil, o segmento ganhou ainda mais espaço e já se posiciona a nível global como a 12ª maior economia nesse mercado que corresponde por 0,57% do PIB brasileiro. Em pesquisa realizada pela Ancine, foi apontado um crescimento de 65,8% entre os anos de 2007 e 2013, um salto de R$ 8,7 bilhões para R$ 22,2 bilhões, uma evolução bem superior aos outros setores da economia.
E liderando o ranking de crescimento no Brasil, temos a indústria da moda. Nos últimos 10 anos, o varejo de moda fez com que o país saltasse da sétima posição para a quinta no ranking dos maiores consumidores mundiais de roupas. Uma pesquisa realizada pela A.T. Kearney aponta uma arrecadação de US$ 42 bilhões em vendas, sendo que 35% é através de capturas online, sendo facilmente explicado pelo poder de influência das redes sociais e blogs de formadores de opinião dessa área.
O mercado dos Jogos Digitais, do Audiovisual e da Moda são apenas três exemplos dos 13 segmentos que englobam o que chamamos de Economia Criativa.  Um setor da economia que vem ganhando destaque e driblando o cenário atual de crise pelo qual o Brasil vem passando. São empresas que se destacam pelo talento e pela capacidade intelectual de seus empreendedores e funcionários, e que não dependem do tamanho da sua estrutura ou de quanto tem de capital.
O Brasil, de certa forma, vem dando seus primeiros passos para se fixar nessa economia. Países como EUA, China e Inglaterra já se consolidaram e juntos já correspondem a 40% da economia criativa global. Muitas cidades no Brasil já possuem iniciativas de estimulo à Economia Criativa, como por exemplo, Recife, Porto Alegre e São Paulo. A cidade de Curitiba, também, se destaca como uma das mais atuantes, e por meio da Agência Curitiba de Desenvolvimento, circula por todo o ecossistema que engloba a economia criativa, conectando coworkings, startups, iniciativas públicas e privadas e estimulando o empreendedorismo de alto impacto. O amapá ainda não foi citado.
A Economia Criativa, que hoje já apresenta uma média de remuneração superior a outros setores, será um dos grandes empregadores em um futuro breve. E as cidades que enxergarem essa oportunidade, sairão na frente. O olhar sobre a formação de seus jovens, que é a geração que mais impulsiona esse mercado, é um fator decisivo para o melhor aproveitamento de uma fatia do mercado na qual o maior recurso é o potencial criativo.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

O dilema do velho e do novo rende um epílogo sombrio ao Brasil

Claude Levy Strauss em suas andanças pelo interior do Brasil, que lhe colocaram em contato com diversas etnias brasileiras e o transformaram no mais importante antropólogo do mundo, foram fruto do acaso, contado de forma sublime no seu livro meio autobiográfico “Tristes Trópicos”.
Com muitas ideias intrigantes, sempre me chamou atenção a ideia do confronto entre o Velho mundo, lento e ancião, e o Novo, veloz e decrépito, antes do envelhecimento. Sempre me perguntei se não havia uma visão eurocentrista. Mas recentemente tenho repensado minha leitura. O Novo mundo, Brasil, como diz o turista, se torna caro antes de se tornar rico, velho antes de alcançar a maturidade. Por isso, entre outros, a leitura de Levy Strauss é tão importante neste momento de crise.
Os caminhos possíveis do desdobramento da presente crise são todos caliginosos, sombrios. Salvo uma alternativa que nenhum analista tenha detectado.
A primeira é o retorno da presidente Dilma, pouco provável, mas possível. Seu resultado mais esperado será uma elevação da crise, haja vista sua reconhecida incapacidade de dar um rumo ao País ou mesmo de simplesmente governá-lo. Ela não goza de credibilidade nem junto ao empresariado, nem ao pé dos parlamentares, e menos ainda adjunto ao povo. Seu partido não tem a menor intenção de que isso ocorra, apesar das aparências do jardim da infância na comissão do senado.
As chances de bem governar, pelo presidente interino, a segunda alternativa, estão se desfazendo. Temer conseguiu enfrentar aparentemente bem, duas de suas arenas de luta. A arena da economia: com a nomeação de pessoas de altíssimo reconhecimento no mercado, parece estar bem encaminhada. Tem desempenho similar na arena parlamentar. As primeiras votações mostram o acerto do presidente em exercício, embora as maiores batalhas ainda estejam por chegar. Porém, na arena da sociedade o resultado é, para dizer o menos, medíocre.
Falta uma administração de crise na área da comunicação. Ao invés disso sua equipe gasta tempo em elaborar um plano de comunicação. Algo sem sentido em um momento de emergência, em que o avião tem que ser concertado em pleno voo. Desta forma, a narrativa oposicionista do PT, simplória e frágil, sustentada em dois trilhos, a ideia de golpe e a de destruição dos direitos conquistados, surpreendentemente ganha força. E vence por omissão do governo. Ora, sem vencer nesta arena, o governo não terá como assegurar a adesão da base parlamentar nem, a médio prazo, a confiança do empresariado. O risco de desastre nesta alternativa é, portanto, grande.
A terceira alternativa, que há um ano, quando Marina a defendia, não parecia ter chance, ao ponto da mídia não lhe dar a menor importância, ganha musculatura. Uma frente partidária importante se articula em torno desta alternativa, que vai do PT ao PSB, passando pela Rede Sustentabilidade. E conta com o apoio da Operação Lava-Jato. Mais agora, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, prepara uma delação premiada programada. Ou seja, delação na qual as informações prestadas têm um único objetivo, além daquele de reduzir sua pena, a de melar as eleições presidenciais com provas de que foram alimentadas por recursos financeiros ilícitos. Dessa forma, o TSE não terá como não cassar Dilma-Temer e convocar novas eleições. Delação programada e apressada, pois, a cassação dos presidentes terá que se feita este ano, para que seja possível convocar novas eleições.
Tudo indica que há um bom apoio popular a esta alternativa. Contudo, seus resultados não são previsíveis. Qual político conseguirá governar com tal Parlamento? Marina, Cristovam e Ciro certamente não. Lula, Serra ou Aécio, talvez. Mas, terão chances de ser eleitos? Tudo é incerteza. Triste Brasil, periga chegar à decadência antes de iniciar a maturidade. Fica um sobre aviso para o Amapá cujo enredo politico começa a se mesclar com o do país...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Não existe fórmula para lidar como desemprego

O declínio econômico está seguindo uma trajetória tão previsível, dia após dia, que as pessoas que realmente entendem o mecanismo dos ciclos econômicos nem precisam ler as notícias. É perfeitamente possível intuir o que vai acontecer em seguida, pois tudo está acontecendo como se fosse um exemplo saído de um livro-texto - ainda que a mídia insista em reportar tudo com aquela contínua sensação de novidade.
As reportagens da imprensa sobre a recessão têm sido como os relatórios de um hipotético comitê que, sem saber nada sobre a lei da gravidade, tenha sido designado para observar e comentar o que acontece quando objetos são abandonados de lugares altos.
Eles se põem a escrever inúmeros e repetitivos relatórios sobre como os objetos caem - uma mudança bizarra e indesejável dos eventos -, e em seguida saem formulando maneiras de impedir que isso aconteça, sempre por meio de alguma intervenção externa. No caso, eles recomendam pacotes de socorro financeiro, gastança, pacotes de estímulo, mais regulamentações e inflação.
Tudo o que o cidadão quer é um pouco da atenção deles para poder explicar uma coisa simples: o que está ocorrendo é parte da estrutura da realidade em si, e não há nada que vocês possam fazer para parar isso. Podem tapar os olhos, trocar os espelhos, dar cambalhotas, conjeturar, falar e reclamar o quanto quiserem. No final, a verdade é uma só: a recessão é uma reação necessária e inevitável ao boom anterior. E ela deve poder seguir desobstruidamente seu caminho até o final.
Na semana retrasada, por exemplo, vimos a taxa de desemprego do Brasil subiu para 11,4%, de acordo com as estatísticas oficiais. É aí que vemos a face humana da recessão. Trata-se também de uma inevitável reação ao boom. As pessoas que estavam empregadas em excesso nas indústrias estimuladas pela bolha agora serão levadas dos setores em declínio para os setores viáveis - a um sério custo de transição. Os salários se ajustarão para baixo e as pessoas abandonarão os empreendimentos economicamente insustentáveis e irão para aqueles mais economicamente viáveis.
Mas a maneira como tudo isso é reportado é o suficiente para enlouquecer qualquer um. A imprensa faz parecer que tudo é algo perfeitamente corrigível. É como se as ordens do comitê político central, uma vez executadas, restabelecessem de pronto a normalidade. Um banco está quebrando? É melhor alguém socorrê-lo logo! Os preços dos imóveis estão caindo? Que se gaste trilhões para estimulá-los! As pessoas estão perdendo seus empregos? Ora, vamos criar trabalhos para elas - ou vamos simplesmente subsidiar o desemprego com mais auxílios-desemprego, fazendo com que ele dure mais tempo.
Falando particularmente sobre o desemprego, esse é de longe o quesito que mais trouxe calamidades durante o século XX. O problema em si é largamente artificial, no sentido de que o desemprego é criado pelos ciclos econômicos (ciclos de expansão e recessão). E estes, por sua vez, são consequência direta de uma política monetária frouxa implementada pelo banco central. Qualquer sociedade que tenha uma moeda sólida e estável não terá problemas de desemprego. E assim seria porque, como Mises explicou, em um livre mercado todo o desemprego é puramente voluntário.
Mas, nas economias flageladas pelos ciclos econômicos, não é apenas o capital que é erroneamente direcionado para setores insustentáveis; o trabalho também é atraído pelas bolhas criadas pelo crédito subsidiado. Quando essas bolhas estouram, os empregos são eliminados. E esse é um efeito dominó, que flui de um setor a outro. A consequência disso é a ocorrência maciça de alterações por toda a estrutura da economia.
Não há razão alguma para supor que a mão-de-obra seja menos capaz de se transferir de uma linha de produção para outra do que o capital. Porém, quando você tem sindicatos, pisos salariais mínimos, benefícios obrigatórios, custos trabalhistas, encargos salariais e outras intervenções, essas transferências acabam levando mais tempo do que deveriam - e é aí que começamos a ver o alto desemprego que vem perdurando cada vez mais.
A maneira mais segura de garantir que o problema pior é tentar consertá-lo por meio de seguro-desemprego, gastos governamentais com bolsas, empregos públicos e coisas do tipo. Todas essas intervenções apenas atrasam o necessário e inevitável ajuste, além de prolongar e piorar a crise.
Infelizmente, a classe política não dá a mínima para fatos e lógica. Assim, ela segue em frente com seu arsenal de medidas destrutivas, sob o sempre entusiasmado apoio da mídia, repetindo todos os trágicos erros do passado. A conclusão lógica é que essas pessoas podem criar todo o desemprego que quiserem, desde que elas continuem tentando "fazer algo" quanto a isso. O público apoia as medidas porque esse é um assunto que está entre os mais alarmantes e assustadores de todo o campo econômico. Afinal, "certamente a classe política pode fazer alguma coisa para resolver isso!".

terça-feira, 10 de maio de 2016

Brasileiro sim, subversivo, nunca mais

A crise político-econômica do país pode ter consequências ainda mais profundas, devido ao acirramento dos discursos dos governistas e da oposição, que têm revelado um lado violento nos embates e discussões. Observamos assustadora mudança cultural dos brasileiros, cuja índole solidária, pluralista e serena, presente inclusive em numerosas eleições e momentos de intenso debate partidário-ideológico, está sendo substituída rapidamente pela intolerância e truculência.
O direito de opinar está sendo patrulhado nas redes sociais e se convertendo em objeto de intimidação das pessoas. No Congresso Nacional, nas empresas e nas redes sociais, não faltam histórias e casos de agressão verbais e até físicas, envolvendo indivíduos que se dizem comprometidos com a ética e a democracia. Aqui no Amapá, nem se fale no número de casos, até eu já entrei no balaio.
De um lado, vemos uma minguada base aliada do governo, que defende ferrenhamente o mandato da presidente Dilma Rousseff. De outro, uma oposição renovada, que ganha forças com o impeachment. Porém, o debate político, de ambos as partes, transcende ao espírito republicano, revestindo-se de exagerada agressividade e agressões morais e físicas. Muito preocupante é como a população está cada vez mais contaminada por esse embate truculento, que não interessa à democracia e muito menos à sociedade.
A política pode até mesmo ser paixão, pois isso é inerente ao ser humano. Porém, não pode fomentar o ódio. Na fronteira entre os dois sentimentos, nota-se preocupante mudança de um paradigma cultural dos brasileiros. As sessões do Legislativo lembram as brigas de torcidas organizadas. Nas redes sociais, o debate democrático deu lugar à barbárie, com trocas de ofensas pessoais, insultos e ameaças. Veem-se pessoas que justificam o emprego da tortura (um crime no Brasil!), pedem a volta da ditadura militar, fazem apologia ao estupro como prática educativa e defendem que o adversário deveria ser exterminado (genocídio?).
Segundo uma pesquisa recente, uma em cada cinco pessoas diminui seu contato com amigos na vida real devido a brigas nas redes sociais. E 19% dos 2.698 entrevistados admitiram ter bloqueado ou cancelado amizades por causa de discussões virtuais. É triste constatar que a violência tomou o lugar do uso da razão e que a intolerância com quem pensa diferente transforma amigos e parentes em inimigos e colegas de trabalho em adversários.
Estamos na contramão da história, já que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo organiza-se para a construção da paz. O Brasil sempre teve papel importante na mediação de acordos multilaterais, exatamente devido à vocação de nosso povo e governantes para o diálogo. Talvez tenhamos esquecido de que fazemos parte de uma nação e queremos que ela supere suas dificuldades, para que todos nós, brasileiros e estrangeiros que aqui vivemos, tenhamos vida digna e progresso social e harmonia.
O debate político e o contraste das ideias e ideologias são enriquecedores e contribuem para o fortalecimento da democracia. Porém, digladiando-se com crescente agressividade, os políticos têm dado um mau exemplo. Eles deveriam cumprir melhor o papel de mediadores das relações entre o Estado e a sociedade e guardiões dos princípios republicanos, postura básica de quem recebe um mandato público.

É premente pacificar os ânimos. O PIB, os empregos e os investimentos voltarão a crescer, pois toda crise tem fim, afinal "Não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe", escreveu Gabriel Garcia Marques em “Cem anos de solidão”. No entanto, será muito difícil reverter a ruptura em curso no grau de tolerância dos brasileiros. Precisamos reaprender a conviver com as diferenças sem cair na subversão.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Empreendedor ou sobrevivente?

Com o anuncio recente feito pelo IBGE de que 10,2% dos trabalhadores estão fora do Mercado em função da instabilidade econômica e política que só tem feito mal ao país criando esta bola de neve crescente de desemprego de 10,4 milhões de pessoas. Para ‘driblar a crise’, muitas pessoas estão buscando alternativas para a geração de receita no empreendedorismo como solução viável ao cenário atual.

Segundo informações do Governo Federal, anualmente o Brasil ganha cerca de 600 mil novos negócios. Além disso, existem em torno de 1,5 milhão de microempreendedores individuais. Em valores absolutos, o País está apenas atrás da China, no número total de empreendedores, ou seja, 21,1 milhões.

Mas isso não necessariamente se reflete em um índice de sucesso garantido para os que almejam serem donos de seu próprio negócio, pois, embora seja uma alternativa viável, construir um novo negócio é tarefa árdua que envolve uma série de questões legais, tributárias e financeiras e acima de tudo: a capacidade de fazer o negócio “acontecer”.

O início de uma atividade empreendedora não é fácil, pois, além de necessitar de investimentos de tempo e dinheiro, esbarra em questões culturais e mercadológicas, como baixa rentabilidade do empreendedor, conhecimento do mercado, viabilidade do negócio e aceitação do público, dentre outros fatores que podem fazer uma receita de sucesso dar lugar a um convite ao fracasso em outro.

Fatores como a instabilidade da moeda e um mercado afetado por rupturas conjecturais e políticas, oscilação do preço dos produtos e serviços, estimulados pela inflação, prejudicam a lucratividade do empresário, desestimulando os futuros empreendedores na busca de estratégias que viabilizem seus negócios.
No entanto, a crise vivenciada nos últimos anos fez florescer o desejo e o espírito empreendedor de parte da população, principalmente pelo grande índice de desemprego que assola o país e a necessidade de sobrevivência.

Por isso, a máxima para sobrevivência de qualquer negócio, principalmente em períodos de crise, é a busca frenética de uma atitude empreendedora que visem a excelência, fazendo do insucesso um aprendizado para a melhoria contínua, sustentação e vida do negócio.

Algo que não deve ser ignorado no portfólio do negócio são as análises do cenário e do mercado escolhido para empreender, para que o empreendedor possa traçar um plano de negócios estruturado com base no seu capital real (de no mínimo três meses) para que possa arcar com as despesas fixas, evitando gastos desnecessários na abertura do novo negócio.

Dentre as inúmeras atitudes empreendedoras que o futuro empresário deve ter em mente, a maioria delas se consegue através de uma boa orientação profissional como o Sebrae ou consultores empresariais e contábeis. Fazer isso sozinho é um risco desnecessário.

Ser empreendedor é ser um sonhador, é buscar, por meio do seu trabalho e muitas vezes teimosia, a satisfação do desafio de sustentar um negócio. É uma mudança de paradigma. Infelizmente, nem todos têm um espírito empreendedor e acabam desenvolvendo negócios de sobrevivência duvidosa e que inicialmente parecem ser excepcionais, mas que, no decorrer do caminho, apresentam fragilidades, como falta de capital de giro e clientela, lucro baixo ou prejuízo, levando o investidor à falência.

Esses são os riscos do mundo dos negócios, mas que graças a um longo aprendizado deixado por nossos antecessores que desbravaram o mercado voraz, permitiram que um negócio que se faz de maneira estruturada, com mapeamento, estudos, análises e aprendizados que possam assegurar a sua subsistência, está sempre no caminho certo para que o empreendedor não se torne mais uma estatística ruim no mundo empresarial.
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