sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Agora é muito mais do que bate-boca no Twitter

Chega o período eleitoral e as redes sociais usadas como plataforma política vem se transformando no antro da difamação e da propaganda negativa em face de candidatos, partidos e coligações. Encorajados, militantes maliciosos encaminham a grupos e listas de transmissão montagens, trucagens, calúnias, ofensas, vídeos e áudios, na certeza de que estão em um ambiente protegido. Na Justiça, o responsável pelo App continua a insistir: "Basta descobrir qual a operadora do número telefônico identificado na ofensa e diretamente pedir dados a ela". Como veremos, não é bem assim.
Aplicativos como parallel space permitem duplicar e ter dois WhatsApps no mesmo celular. Tecnologias de envio de mensagens em massa usando Short-codes, por exemplo, denominação dada a um número geralmente de 5 dígitos, utilizado para comunicação de mensagens SMS, tanto para o envio quanto para o recebimento das mesmas, não permite que vítimas descubram qual a operadora ou prestadora responsável pelo código. A vítima recebe a ofensa, e quando busca um número telefônico, encontra um código, não associado a nada nem ninguém.
Inúmeros manuais na rede e deep web ensinam desde montar chipeiras, utilizar serviços para receber códigos via SMS anônimos, clonar um Whatsapp legitimo em questão de minutos a mesmo usar um WhatsApp fake, incluindo, mas não se limitando a fake de GPS, impedindo que a real localização do remetente seja descoberta.
Outras tecnologias ainda como Bulk WhatsApp Messengers permitem o envio de milhares de mensagens e massa a números desconhecidos, com ferramentas ainda que permitem garimpar estes números destinatários na web, permitindo ampla difamação em massa em questão de minutos, burlando inclusive os mecanismos de segurança da aplicação. Quando a aplicação detecta e bloqueia os envios já é tarde e muitos já receberam o conteúdo ilícito.
Os ofensores anônimos ainda usam serviços de canais, que são números internacionais para se cadastrarem no WhatsApp e enviarem mensagens. Os canais são descartáveis, não regulamentados pela ANATEL (Aliás, nem o SMS é regulamentado!) sendo utilizados por pouco tempo e logo que o Aplicativo bloqueia, são abandonados, porém já serviram à finalidade criminosa. Quando a vítima busca a operadora responsável, descobre se tratar de operadora no exterior.
Outras técnicas são ainda a utilização de números virtuais, que usam codificação internacional, também descartáveis, e que permitem o cadastro no aplicativo. A partir dos números, o criminoso pode espalhar ofensas e inverdades, ciente de que o provedor do número virtual não registra informações sobre o proprietário da conta. Todas estas técnicas podem ainda ser combinadas com um "simulador android", onde não existirão rastros do equipamento celular (como loggins em estações radio-base), mas em verdade trata-se de um software que simula em um computador qualquer o funcionamento do sistema operacional de um terminal, computador este que pode operar com um proxy ou mesmo ser um servido cloud, em localidade incerta.
Estas são apenas algumas das técnicas que dificultam ainda mais ao ofendido apurar a autoria de desinformações, ofensas e propagandas negativas, razão pela qual, diante do crescente número de ofensas compartilhadas pelo aplicativo, que se intensificam em período eleitoral, dá-se por ainda mais necessário que a provedora de aplicações coopere com a Justiça, atendendo ordens judiciais emanadas neste sentido, fornecendo os registros os quais é obrigada a custodiar, por lei. Não temos dúvidas que o Spam das guerrilhas das mensagens piratas em massa crescerá cada vez mais, sobretudo em período eleitoral, prejudicando a muitos. Tememos, logicamente, por mais decisões radicais em face de provedores reticentes em cumprirem a Legislação Brasileira, que prejudiquem milhões de usuários. É preciso um meio-termo, urgentemente.

As vítimas, por fim, não devem recear, pois a Legislação, sobretudo eleitoral, assegura a vedação no anonimato na campanha e até mesmo a remoção de ofensas e propagandas negativas oriundas de anônimos. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um biênio de rufiões, cafetões e proxenetas

É bem possível que nos próximos anos passemos a nos questionar sobre o Brasil entre os anos de 2015 e 2016 e tenhamos uma surpresa sobre os resultados encontrados não só no Google como nos recortes de jornais e revistas daqueles dois anos estranhos que poderiam ter marcado a mente dos brasileiros de maneira indelével, mas não marcaram. Simplesmente passaram!
Talvez o ávido leitor se recorde vagamente que foi ano de impeachment, ano de olimpíadas, ano de Dilma, Lula e Temer em uma grande rede de traições e reveses da qual dentre mortos e feridos o Brasil acabou redescobrindo Eduardo Cunha e sua mão boba, assim como Sergio Moro e sua mão pesada.
2015 foi um ano atípico, afinal nele começou a desembocar não se sabe ao certo por onde, todas as mazelas da economia moderna, como o descalibramento do cambio, alta da inflação como nunca dantes a pós-ditadura militar e índices de desemprego semelhantes aos dos militantes do núcleo do Partido dos Trabalhadores. Foi o ano da ultima centelha do Mensalão e do fogaréu da Lava-jato que queimou tanto quanto a fogueira santa de Edir Macedo, foi o ano até de ressuscitar o Templo de Salomão e de ter os Dez Mandamentos como Blockbuster nos cinemas brazucas, com direito até a “carona da fé”.
Já 2016 não foi nada diferente no quesito frissons, piripaques e siricoticos. Tivemos uma sessão circense no Congresso nacional, com direito a “beijinho, beijinho” e “Tchau querida” sob o manto de confetes de Wlad, o deputado festeiro e agora cassado. Que no frigir dos ovos acabou defenestrando a “Dama de metal ausente na tabela periódica” juntamente com sua corte do Palácio idealizado por Niemeyer para simbolizar o novo Brasil nascido do planalto central de JK.
É verdade, foram anos atípicos dos que estávamos acostumados, muitas marolas, muitas firulas. E até a Seleção entrou na roda, quem diria... Chegou até ao ouro olímpico apesar de não ter podido varar a rede de Iraquianos e dinamarqueses, lavou à meia-boca a honra da “Copa das Copas”.
Mas entre sobressalentes e remanescentes, 2016 foi o ano do “legado grego”, assim como 2014 foi o ano da “Copa das Copas”. Os resultados práticos disso, a gente ainda não contabilizou, mas os rombos deixados no tesouro nacional depois de dois megaeventos dessa envergadura comprovam a capacidade dos petistas e da dinastia da estrela com certeza saberem fazer oba oba.
Também um ano de eleições municipais, diga-se de passagem as eleições mais esquálidas das quais se tem noticia em função da minirreforma eleitoral que empobreceu partidos e coligações mas não extinguiu o caixa 2, pelo contrário, abriu brechas abissais por todo e qualquer tipo de mal feito no intento de cooptar de maneira ilícita o sufrágio universal.

Claro que com o “Pai da Copa” e a “Mãe da Olimpíada”, acabamos ficando órfãos nesse pós-PT que enevoou os olhos de alguns, deu luz a outros, mas no frigir dos ovos deixou para trás muitas incertezas, a mais gritante delas, é se ainda vai ter algum brasileiro capaz de relevar o passado, enxugar as lágrimas e recolocar a cobra surucucu de volta no ninho e se preparar para mais doses cavalares de soro antiofídico para suportar mais duas décadas vindouras de maus agouros, com direito a mais piripaques e siricoticos que de nada adiantaram até hoje, junto com os gritos e ranger de dentes que nosso novo “Pinóquio”, Ryan Lochte vem acrescentar em nossas agruras.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Feijão e arroz pela "hora da morte", amém!

Quando nessa semana a Secretaria de Planejamento anunciou que o nosso pobre feijão já não é mais tão pobre assim, pois aumentou a inflação do estado em 7,11% e sofreu uma alta nos preços de 31,14%, então é chegada a hora de afirmar: O feijão está pela hora da morte.
Sendo a estrela de uma das combinações mais tradicionais e preferidas dos brasileiros – o feijão junto com o arroz – pode estar com os dias contados, tendo em vista a constante alta nos preços dos dois produtos. Nos últimos 12 meses, o preço do feijão carioca já subiu mais de 58%. Este ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a escalada do preço do feijão chega a 33,49%.
Já o preço do arroz, desde o início do ano, aumentou quase três vezes mais do que a inflação – uma alta de 12,42%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados. Somados ao óleo, cebola e alho, ingredientes utilizados no preparo dos dois pratos, a alta atinge a 131,53%. Sem muitas opções, a saída para o consumidor é substituir os alimentos.
De acordo com especialistas, a alta dos produtos se deve ao clima e à elevação da cotação do dólar, além da crise internacional. O excesso de chuvas, principalmente na Região Sul do país, que detém 70% da produção nacional de arroz, registrou perdas e atraso no plantio. O mesmo ocorreu no Paraná, que responde por cerca de 24% do feijão que é produzido no Brasil. A alta média desses produtos foi quase o dobro da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de 12 meses, que fechou janeiro em 10,74%. No mesmo período do ano passado, a variação em relação a 2013 havia sido de aproximadamente 10%.
Porém, não é só o clima que determina o aumento nos preços de alimentos. Outro fator fundamental é a valorização do dólar, que elevou em 25% os custos de produção do arroz na safra 2015/2016 em relação à colheita anterior, a maior alta desde a implementação do Plano Real. Os preços de itens cotados na moeda, como agroquímicos e fertilizantes, subiram 19% e 44%, respectivamente.
Esses fatores diminuem a oferta dos produtos, enquanto há uma pressão da demanda. Quando há redução da oferta, os preços sobem. Quando a oferta de produtos é maior, os preços se ajustam. A demanda acaba pressionando a oferta. A crise é um componente que gera aumento de custos, principalmente dos insumos utilizados na produção. Além disso, ainda há as intempéries do clima, como a chuva em excesso e a seca, comum para este período, e que comprometem a produção. Todos esses fatores acabam ocasionando o aumento nos preços.

Apesar dos preços altos e das tentativas de substituição do nosso “par perfeito” nada substitui o substrato básico do prato dos brasileiros, afinal já é uma cultura nacional que não tem como ser alterada. Cabe ao povo bater os pés e ranger os dentes, quem sabe assim as políticas voltadas para o setor agrário voltem a ser uma realidade e não um caminho para a lenda do feijão com arroz, contada para nossos netos com o saudosismo de algo bom que não voltou mais...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Um osso ainda mais duro de roer

Esta será provavelmente a eleição mais anômala do todos os tempos, afinal não é só por se tratar de um novo pleito para o majoritário municipal e parlamento mirim, mas, como o primeiro após a minirreforma eleitoral que promete criar toda sorte de empecilhos para quem já estava acostumado a ter sua “muralha da China” particular nas tesourarias de campanha.
Para começar o número de eleitores neste ano está 4% maior que nas últimas eleições municipais de 2012. Com isso os custos também aumentaram, pois, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral deste ano foi estimado em R$ 600 milhões, o que equivale dizer que a justiça eleitoral vai desembolsar cerca de R$ 4,16 para cada um dos mais de 144 milhões de brasileiros aptos a votar se dirigirem de casa para a urna eletrônica.
Outro fator-chave reside nas mudanças de perfil dos eleitores, algo que sugere que as táticas usadas em outros carnavais para ganhar o voto do brasileiro deverão mudar radicalmente neste ano para convencer em números atuais a massa de eleitores formada por 74.459.424 mulheres (52,13%) e 68.247.598 homens (47,79%).
Outro ponto importante é que o índice de jovens eleitores com 16 e 17 anos que correspondem a 2.311.120 (1,60%) também teve uma mudança no quesito escolaridade, fazendo destas eleições municipais a que tem um eleitorado de maior escolaridade e por tabela um mais refinado senso crítico sobre as promessas apresentadas por cada um dos postulantes às eleições municipais em comparação com as duas últimas eleições.
O aumento do número de jovens de 16 e 17 anos que poderão votar nas eleições municipais deste ano, em relação à eleição presidencial de 2014 mostra um cenário onde há 2.311.120 jovens com título de eleitor, um crescimento de 41% em relação a 2014, quando eram 1.638.469.
Já em 2012 eram 2.902.672 os jovens de 16 e 17 anos que poderiam votar, o que representa uma queda de 20% nestas eleições em relação à última disputa municipal.
Em 2012, aqueles que não haviam concluído o ensino fundamental eram a maioria (51%), incluindo os analfabetos e os que sabiam ler e escrever. Este ano esse grupo caiu para 44,17% do eleitorado e, em 2014, o percentual foi de 47,56%.
Também aumentou o percentual dos que passaram pela universidade. Os eleitores com ensino superior completo ou incompleto, em 2016, respondem por 10,7% do eleitorado. Em 2012, eles eram 7,5% e, em 2014, 9,2%. Já o percentual dos que possuem o ensino médio completo ou incompleto é de 38%. Em 2012, foi 34,2%.
Este ano aumentou o número de cidades que poderão ter segundo turno, por terem mais de 200 mil eleitores. Serão 92 nessas eleições, ante 83 em 2012.
Também cresceu a utilização da biometria, quando o eleitor é identificado pela impressão digital na hora de votar. O sistema será usado em 27,66% dos municípios (1.540 cidades). Em 2012, foram 299 municípios, ou 5,37%. Há ainda outros 840 municípios que utilizarão a biometria em apenas uma parte dos locais de votação. Assim, no total, 2.380 cidades terão urnas biométricas.

Todas estas mudanças de perfil do eleitor, associadas com os poucos recursos que a legislação eleitoral permite farão deste pleito um balão de ensaio para 2018 e principalmente apontarão um fator de destaque para o eleitor: Os candidatos que forem eleitos e que conseguiram isso com porcos recursos, têm predicados suficientes para lidar com a crise que assola os 5.570 municípios brasileiros. Afinal, o bom gestor não se revela nos momentos de fartura e sim nos momentos de penúria, e por enquanto, penúria é o que não falta nos cofres do tesouro municipal de cada um dos municípios do Brasil.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O eterno proselitismo partidário

O TSE já contabiliza 35 agremiações partidárias registradas. Constantes entre nanicos e titãs, as máquinas de fazer candidatos já estão azeitadas de supostas ideologias, mas é evidente que não existem tantas ideologias político-partidárias que justifiquem a existência de tantas siglas, algumas das quais basta mudar uma singela letra da legenda que o sentido muda radicalmente ou insignificantemente.
Algumas dessas agremiações correspondem a posições de momentos históricos anteriores, como é o caso do PDT que representa o nacional-desenvolvimentista a partir do getulismo pré 1694. Ou como é o caso do PMDB e do PP que são nada mais do que fósseis da era do bipartidarismo imposto durante o regime militar.
Após a redemocratização do país e da promulgação da Constituição de 88, nesse caldeirão fervilhante de partidos é possível identificar mesmo que sensivelmente, as principais correntes de ideologias políticas em alguns dos mais encorpados partidos. Como por exemplo, o PFL, hoje DEM que tem seu umbigo atrelado a ARENA/PP, que vislumbra o liberalismo exacerbado.
Ou como é o caso do PSDB e do PT, formados por integrantes do antigo MDB, que representam respectivamente a socialdemocracia e a dita "esquerda" de origem marxista-leninista, mesmo que seja apenas na casca mais fina do verniz externo. Hoje no PSDB essa marca não é mais visível, já o PT tenta, mesmo que na corda bamba, mantê-la indelével.
Já o caso do PMDB, hoje no poder de fato, e sempre no poder pelas extremidades, esteve na conjuntura política pós 88. Já que durante o período militar, o MDB constituiu-se como uma frente política organizada em torno de um programa mínimo, a redemocratização do Brasil. Por sua composição plural, foi capaz de liderar a luta democrática de massa pela reconquista do Estado Democrático de Direito. Cumpriu sua tarefa quando Ulysses Guimarães promulgou a Constituição Cidadã.
A partir de então, seu mérito tornou-se seu defeito. Após 88, a tarefa política urgente no país passou a ser a afirmação de um programa para o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades sociais. E justamente por ser uma frente, o PMDB passou a enfrentar enormes dificuldades para dar conta dessa tarefa. Tornou-se uma federação de interesses regionais, que vive do passado da luta democrática contra a ditadura e que, por isso mesmo, apesar de ser o maior partido brasileiro, passou a desempenhar papel de principal coadjuvante na disputa eleitoral polarizada entre o PSDB e o PT nas eleições de1994 a 2014.
Por outro lado, é compreensível que, após a conquista do Estado Democrático, num país desigual como o Brasil é; apesar dos governos do PT pregarem o contrário. A disputa tenha se polarizado entre os dois partidos que apresentam propostas diferentes para a promoção de justiça social.
Entretanto, apesar desse propósito em comum, mesmo que não admitido pelos petistas, PSDB e PT são radicalmente diferentes em questões como responsabilidade fiscal, economia de mercado, gestão pública e políticas sociais emancipatórias e não assistencialistas.

Por fim, se é verdade que há ou pode haver corruptos em qualquer partido, a existência de tantas legendas pode justificar o mesmo fenômeno que ocorre em algumas seitas carismáticas, em que quando ocorre uma dissidência de ideias gerais, se funda uma nova Eclésia a fim de prosperar “novas ideias” que nada mais são do que uma reorganização da ideia original. Simples assim: a política sempre vai ser uma eterna dicotomia tentando se travestir de multiopções para vender sempre o que menos entrega: a tal da revolução popular.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O mercado só oportuniza para quem tem criatividade

A ascensão dos mercados ditos emergentes vem na caçamba da modernidade. A prova disso é o mercado de consumo de tecnologia (aquela que você se utiliza todos os dias e nem percebe). Com mais de 60 milhões de usuários, o Brasil é o quarto consumidor de apps no mundo. E esse mercado vem ampliando o seu perfil de consumo, que até então era em sua grande maioria de público jovem masculino e hoje já conquista mulheres, crianças e idosos. Muito disso se explica pela facilidade de acesso aos smartphones e as redes sociais; além é claro da utilização em muitas outras áreas como na educação, nos negócios e na medicina, não sendo mais uma exclusividade voltada apenas ao entretenimento, algo que o amapaense precisa incorporar em sua rotina.
Outro mercado em ascensão apesar de raramente explorado no Amapá, é do audiovisual. Em 2011, foi regulamentada pelo Congresso Nacional a Lei 12.485, que determina a veiculação de conteúdos nacionais e inéditos na programação das televisões por assinatura. Com isso, além de valorizar a cultura local a produção audiovisual no Brasil, o segmento ganhou ainda mais espaço e já se posiciona a nível global como a 12ª maior economia nesse mercado que corresponde por 0,57% do PIB brasileiro. Em pesquisa realizada pela Ancine, foi apontado um crescimento de 65,8% entre os anos de 2007 e 2013, um salto de R$ 8,7 bilhões para R$ 22,2 bilhões, uma evolução bem superior aos outros setores da economia.
E liderando o ranking de crescimento no Brasil, temos a indústria da moda. Nos últimos 10 anos, o varejo de moda fez com que o país saltasse da sétima posição para a quinta no ranking dos maiores consumidores mundiais de roupas. Uma pesquisa realizada pela A.T. Kearney aponta uma arrecadação de US$ 42 bilhões em vendas, sendo que 35% é através de capturas online, sendo facilmente explicado pelo poder de influência das redes sociais e blogs de formadores de opinião dessa área.
O mercado dos Jogos Digitais, do Audiovisual e da Moda são apenas três exemplos dos 13 segmentos que englobam o que chamamos de Economia Criativa.  Um setor da economia que vem ganhando destaque e driblando o cenário atual de crise pelo qual o Brasil vem passando. São empresas que se destacam pelo talento e pela capacidade intelectual de seus empreendedores e funcionários, e que não dependem do tamanho da sua estrutura ou de quanto tem de capital.
O Brasil, de certa forma, vem dando seus primeiros passos para se fixar nessa economia. Países como EUA, China e Inglaterra já se consolidaram e juntos já correspondem a 40% da economia criativa global. Muitas cidades no Brasil já possuem iniciativas de estimulo à Economia Criativa, como por exemplo, Recife, Porto Alegre e São Paulo. A cidade de Curitiba, também, se destaca como uma das mais atuantes, e por meio da Agência Curitiba de Desenvolvimento, circula por todo o ecossistema que engloba a economia criativa, conectando coworkings, startups, iniciativas públicas e privadas e estimulando o empreendedorismo de alto impacto. O amapá ainda não foi citado.
A Economia Criativa, que hoje já apresenta uma média de remuneração superior a outros setores, será um dos grandes empregadores em um futuro breve. E as cidades que enxergarem essa oportunidade, sairão na frente. O olhar sobre a formação de seus jovens, que é a geração que mais impulsiona esse mercado, é um fator decisivo para o melhor aproveitamento de uma fatia do mercado na qual o maior recurso é o potencial criativo.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

O dilema do velho e do novo rende um epílogo sombrio ao Brasil

Claude Levy Strauss em suas andanças pelo interior do Brasil, que lhe colocaram em contato com diversas etnias brasileiras e o transformaram no mais importante antropólogo do mundo, foram fruto do acaso, contado de forma sublime no seu livro meio autobiográfico “Tristes Trópicos”.
Com muitas ideias intrigantes, sempre me chamou atenção a ideia do confronto entre o Velho mundo, lento e ancião, e o Novo, veloz e decrépito, antes do envelhecimento. Sempre me perguntei se não havia uma visão eurocentrista. Mas recentemente tenho repensado minha leitura. O Novo mundo, Brasil, como diz o turista, se torna caro antes de se tornar rico, velho antes de alcançar a maturidade. Por isso, entre outros, a leitura de Levy Strauss é tão importante neste momento de crise.
Os caminhos possíveis do desdobramento da presente crise são todos caliginosos, sombrios. Salvo uma alternativa que nenhum analista tenha detectado.
A primeira é o retorno da presidente Dilma, pouco provável, mas possível. Seu resultado mais esperado será uma elevação da crise, haja vista sua reconhecida incapacidade de dar um rumo ao País ou mesmo de simplesmente governá-lo. Ela não goza de credibilidade nem junto ao empresariado, nem ao pé dos parlamentares, e menos ainda adjunto ao povo. Seu partido não tem a menor intenção de que isso ocorra, apesar das aparências do jardim da infância na comissão do senado.
As chances de bem governar, pelo presidente interino, a segunda alternativa, estão se desfazendo. Temer conseguiu enfrentar aparentemente bem, duas de suas arenas de luta. A arena da economia: com a nomeação de pessoas de altíssimo reconhecimento no mercado, parece estar bem encaminhada. Tem desempenho similar na arena parlamentar. As primeiras votações mostram o acerto do presidente em exercício, embora as maiores batalhas ainda estejam por chegar. Porém, na arena da sociedade o resultado é, para dizer o menos, medíocre.
Falta uma administração de crise na área da comunicação. Ao invés disso sua equipe gasta tempo em elaborar um plano de comunicação. Algo sem sentido em um momento de emergência, em que o avião tem que ser concertado em pleno voo. Desta forma, a narrativa oposicionista do PT, simplória e frágil, sustentada em dois trilhos, a ideia de golpe e a de destruição dos direitos conquistados, surpreendentemente ganha força. E vence por omissão do governo. Ora, sem vencer nesta arena, o governo não terá como assegurar a adesão da base parlamentar nem, a médio prazo, a confiança do empresariado. O risco de desastre nesta alternativa é, portanto, grande.
A terceira alternativa, que há um ano, quando Marina a defendia, não parecia ter chance, ao ponto da mídia não lhe dar a menor importância, ganha musculatura. Uma frente partidária importante se articula em torno desta alternativa, que vai do PT ao PSB, passando pela Rede Sustentabilidade. E conta com o apoio da Operação Lava-Jato. Mais agora, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, prepara uma delação premiada programada. Ou seja, delação na qual as informações prestadas têm um único objetivo, além daquele de reduzir sua pena, a de melar as eleições presidenciais com provas de que foram alimentadas por recursos financeiros ilícitos. Dessa forma, o TSE não terá como não cassar Dilma-Temer e convocar novas eleições. Delação programada e apressada, pois, a cassação dos presidentes terá que se feita este ano, para que seja possível convocar novas eleições.
Tudo indica que há um bom apoio popular a esta alternativa. Contudo, seus resultados não são previsíveis. Qual político conseguirá governar com tal Parlamento? Marina, Cristovam e Ciro certamente não. Lula, Serra ou Aécio, talvez. Mas, terão chances de ser eleitos? Tudo é incerteza. Triste Brasil, periga chegar à decadência antes de iniciar a maturidade. Fica um sobre aviso para o Amapá cujo enredo politico começa a se mesclar com o do país...
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