quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Memento mori



Em um dos muitos momentos da gloriosa Roma, dos Césares e suas divindades especulares ao próprio orifício umbilical, se pregava a loa de que sempre que um grande general que esteve à frente das legiões em campo de batalha e dela saia vitorioso. Para comemorar mais uma das muitas expansões do império de Roma, se fazia uma fabulosa procissão pelas ruas da cidade com o triunfante general a frente do povo que o saudava.

Essa senão outra era a honraria máxima que um cidadão romano poderia obter do povo, fora o trabalho hercúleo que deveria se predispor para dela desfrutar. Para isso deveria derramar pelo menos o sangue de cinco mil soldados inimigos, humilhar os generais derrotados e leva-los a ferros. Tendo enfrentado um exército inimigo de igual ou superior força a legião comandada e acima de tudo: Tinha que conduzir ao seio de Roma, a sua tropa remanescente.

Apesar de toda esta pompa e circunstancia com a qual os generais triunfantes, alguns como o próprio Júlio Cesar assentaram-se sobre o trono do mundo antigo. O povo romano também levava em alta conta a modéstia pessoal, e em consequência disso desdenhava de qualquer demonstração de soberba.

Mas então o que seria dos generais vitoriosos na hora de desfrutar do gozo das aclamações? Dos ípis e urras?  Das salvas e ovações? E quem sabe até de fogos coloridos se os chineses já os tivessem compartilhado com os romanos.

Para evitar este momento de absoluta oportunidade de desenvolvimento da soberba, o triunfante general carregava a tira colo, na mesma biga, um escravo fiel que tinha uma única função naqueles momentos; sussurrar de quando em quando no ouvido do herói: memento mori! Que sabiamente lembrava ao general a sua posição de homem, humano e mortal. “Lembre-se que um dia você vai morrer!”
Esta era apenas uma das muitas maneiras de o escravo lembrar ao amo não só a parte bonita da filosofia e da temporaneidade, mas também de um sacolejo no bom estilo do “cala a boca e fica na tua que logo, logo todo mundo vai engolir esta farsa de humildade forçada”. Talvez esta seja uma das vantagens do latim; tecer abstrações tão sólidas quando a ponta de uma adaga.

Esta talvez não seja uma verdade comprovada pela história, mas é indiscutível que se trata de uma criativa ideia que poderia ser muito bem copiada pelos chamados políticos-popstar. Aqueles que só veem um objetivo em seu mandato: Conseguir um próximo! Mesmo que para isso tenham que vender até a genitora no mercado em Rabat.

Estes tipinhos que tentam a todo custo encarnar uma quimera de Rodolfo Valentino com Michael Jackson. Não perdem uma oportunidade se quer de estar na ribalta, seja por que motivo for. Não importa se em batizado de cachorro de alguma socialite afetada, ou saracoteando de microfone em microfone pelos corredores do Congresso Nacional. Não importando se a matéria vai sair no JN ou na reprise das quatro da manhã de algum jornal tapa brecha.

Para eles tudo é motivo de publicidade. Desde os momentos mais singulares das suas atividades até os mais íntimos se possível for. Em alguns casos a mesma população que imita a romana do passado com a ojeriza à soberba dá-lhes corda para o próprio cadafalso e eles vão em frente, atirando-se para a morte desde que isso lhes traga um momento de flashes e de microfones para a fanfarrice de sempre.

Até mesmo as suas obrigações constitucionais outorgadas pelo sufrágio embora sejam atos comuns da rotina, lhe são motivo para alarde da mídia que às vezes não tem muito que noticiar e novamente para preencher as lacunas, lá estão eles: as estrelas cada vez mais cadentes e por que não decadentes?

Pois é parte dos anais da física moderna mostrar-lhes que assim como os generais romanos de outrora tinham seus fieis escudeiros a proclamar-lhes a efemeridade da vida. Talvez nossos políticos de reality show tenham o bom e velho Isaac Newton a esperar-lhes às portas do destino e lhes mostrar não intimamente, mas sim abertamente que tudo o que um dia sobre a gravidade leva para baixo. E ao que me consta, aqui pelo mundo real a “gravidade” tem título de eleitor e ficou mais exigente dos tempos de Roma pra cá.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O construtivismo não é um sonho.


O conceito errôneo que alguns analistas educacionais fazem das teorias construtivistas, faz até parecer que o construtivismo veio de um planeta distante, onde a civilização que o criou não tem nada mais do que dois neurônios para educar e muitas cartilhas, uma para cada ação da vida para dominar seu comportamento social.

Os que condenam o construtivismo, o fazem talvez por acreditar que o papel da educação nesta pratica é uma via de mão única onde o papel do mestre é apenas de expectador do real passante; o aluno. Jogar a responsabilidade de como aprender sobre os ombros do aprendiz não é estúpido. É cruel. E é só mais uma das muitas interpretações equivocadas que se disseminou, pela falta de conhecimento, estudo e informação.

Com isso acabam criando vertentes inexistentes no processo construtivista, como se fosse uma ideologia que se molda de acordo com a vontade do ideólogo. Gerando bobagens como construtivismo brando, radical, ou outras excrescências do gênero. Aconselho a estes “doutores da lei” que vale à pena estudar mais, apropriar-se dos conceitos que envolvem o construtivismo, perceber suas ações, suas bases teóricas, obter referências de sucesso, especialmente em nosso país. E não comparar Brasil com Suécia ou Macapá com Estocolmo.

Acreditar que o construtivismo é um sonho é quase como se afirmássemos que a mente humana não é capaz de criar e sim apenas acumular o conhecimento pronto, embalado e carimbado com o selo de aval do MEC. Que pelo jeito é o que vale como símbolo da verdade suprema.

Enquanto não nos acostumarmos que a educação é um processo criativo constante, de onde o que hoje parece ser o ápice do conhecimento, não passa de um efêmero pensamento amanhã. Já que assim como a humanidade, o conhecimento está em constante fase de evolução e crescimento.

Se não crermos nisso não outra há saída, só nos restaria a tradicional cartilha, igual para todos, com seus conteúdos pré-estabelecidos, sem oportunidade de considerar as diferenças, nem tampouco as mudanças no mundo e na infância. Depois disso o próximo passo é nos vestirem com as mesmas roupas e nos chamarem por números ao invés de nomes, pois nossa individualidade estaria extinta.

Seguir o modelo, preencher o pontilhado, responder estudo dirigido com a cópia da resposta dada pelo professor, treinar, treinar, treinar. Resta saber que individuo está sendo considerado, para ser formado para que mundo? Para qual sociedade? Com quais parâmetros? E será que depois disso ainda seremos indivíduos?

A sociedade, hoje, requer um ser participativo, cooperativo, criativo e autônomo. Como tornar cidadãos conscientes, atentos à heterogeneidade e multiplicidade de situações e autônomos. O conteudismo cerceador já teve sua era. O convite do construtivismo é perceber o entorno, respeitar as diferenças, aprender nas interações sociais com o outro, considerar a historicidade, ver o mundo com outras lentes que não apenas as instituídas e formalizadas pela escola e sociedade.

Ter oportunidade de opinar, errar, pensar, dialogar. Este lado que os ideólogos do conteudismo de latas de ervilha trazem é apenas uma faceta do que significou, de início, uma filosofia mal interpretada. Dizer que “ao ser exposto repetidamente àquela grafia que se refere a um objeto conhecido, ele acabe por assimilá-la, como por osmose” é o fim do bom senso e da falta de leitura e compreensão sobre a psicogênese da língua escrita e o verdadeiro sentido do conhecimento.

Alguns educadores tradicionalistas ao afirmar que em um país como o Brasil, onde as carências educacionais são agudas, em especial a má formação de professores, a existência de um método rigoroso, de uma liturgia de ensino na sala de aula, é quase obrigatória.

Será? Esquecem-se de que é justamente por conta destas carências e diferenças, é que há que de se pensar em novas formas de abordagem que atendam às especificidades dos regionalismos e particularidades.

Por isso está na hora de parar de apedrejar o construtivismo sem conhecimento de causa, deixar de repetir o jargão que tantos dizem a respeito. E que de nada contribui para o proveito da educação e da construção do indivíduo pensador e tomador das suas próprias decisões que são construídas em parte pelo velho “binário do sim ou não”, mas que pode evoluir para o vasto contexto do “Porque Sim ou do Porque Não”.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Uma lição perdida no tempo


O setor industrial amapaense, na verdade não existe de fato, é apenas uma fábula engendrada por quem nem de indústria conhece o chão. Podemos classifica-lo como um pequeno aglomerado de manufatureiras e extrativistas que na verdade não causam no PIB nem mesmo um leve suspiro.

Mesmo com o setor industrial brasileiro estando bastante aberto ao comércio internacional. Como câmbio real valorizado, e com os preços em dólares de produtos manufaturados exportados e importados pelo Brasil mantendo-se estáveis devido à recessão e ao baixo crescimento na Europa e EUA, a incipiente indústria amapaense parou no tempo.

E já não é um aprendizado novo, pois desde a implantação do polo de extração mangânica pela ICOMI para servir aos interesses da segurança nacional, vemos que a indústria amapaense já nasceu com a sina de não crescer. Com esse hábito arraigado na história da indústria do Amapá gerou-se a incapacidade de responder à competição externa, sendo esta uma das maiores causas da estagnação da indústria.

Mas isso não conta toda a história. O setor industrial é, também, muito menor do que o setor produtor de serviços. O PIB do setor de serviços embora represente mais de 65% do PIB brasileiro, empregando em torno de 60 milhões de trabalhadores, enquanto que o PIB da indústria de transformação representa apenas 25%, empregando um volume de trabalhadores muito menor, em torno de 20 milhões. Mesmo assim não conseguiu-se extinguir o estigma de que ser funcionário público é o melhor a se fazer.

Já que se incutiu desde o berço na cabeça do amapaense que o setor industrial e o setor de serviços “pagam mal” e o melhor é se engajar no exército da viúva do que com o morto em si. Então vem de fora o contingente de migrantes vindos de todos os cantos em busca daquilo que o amapaense parece não querer.

Atualmente setor industrial amapaense está deprimido, sofrendo com a competição externa, afinal, a sereia cantou muito a canção da sustentabilidade e do extrativismo. Quando na verdade tudo se resumiu ao universo da sustentabilidade pela simples ideia de catar coquinhos para ser sustentado.

Dia sim e no outro também, se assentam os atestados de óbito de cada uma das joias da coroa da indústria amapaense que tanto adornaram bravatas nacionalistas de um estado que parece ter parado no tempo e ainda parece não se dar conta disso, quando continuamos a ouvir as mesmas bravatas de meio século atrás.

Muitas das culpas são divididas, afinal, este excesso de nacionalismo de botequim, gerou bazófias e retóricas eternas nas bocas da politicagem e dos muitos Policarpos, mas também abriu as portas para aventureiros e especuladores que não são novidades, desde o velho Ludwig até o contemporâneo Eike, passaram por aqui e amealharam seu quinhão, deixando sempre para trás a terra arrasada de onde não quiseram levar nem o pó na sola dos sapatos.

Exemplos a mil, remontam das mineradoras que se foram, das experiências mal fadadas de indústria extrativista que só existe no reino das sinapses de quem ainda acha que enaltece-las, rende-lhes alguns louros no alto do palanque. Enquanto isso a CEA se vai e se esvai, valendo menos que um vintém furado e na cauda dela vem o atraso maior do que o da omissão.

E nessa omissão, mais um dos marcos da epopeia amapaense também começa a enrolar a bandeira e se evadir do estado. A Jari Celulose que após tantos anos esqueceu-se que o mundo cresceu e que novos e mais baratos produtos assolam o mercado.

Assim como nossos antepassados da Amazônia ocidental se iludiram com o Eldorado da borracha, que fez era na nossa história, gerando tanta opulência no afã de querer ser Europa. Nossos contemporâneos esqueceram que o mundo continua a girar para a evolução. Apostaram em um retrocesso que levou a era de ouro da borracha natural para as páginas dos livros de sexto ano, em detrimento a borracha sintética que substituiu tudo.

Assim caminha a indústria amapaense, sem incentivos, sem energia abundante e de baixo custo, sem norte para que possa andar mesmo estando no próprio norte. O custo de toda essa omissão não por falta de aprendizado; vai chegando todos os dias em faturas e mais faturas que são anonimamente colocadas por debaixo das portas de cada amapaense, que não se exima da culpa, pois assim como diz o dito: “se não por amor, será pela dor”. Agora a indústria agoniza e a nós cabe, senão, enxugar as lágrimas e pagar a conta de nossa própria omissão.

O que resta agora é reiniciar o planejamento de novos objetivos por cima dos escombros do que já se foi. Mas pelo jeito, na linha politica parece não valer muito a busca desses objetivos, mesmo porque produz resultados apenas em longo prazo, e o horizonte politico é o do seu mandato, e não o que garanta o crescimento de longo prazo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Inclusão não é caridade


O termo inclusão que é tão mencionado atualmente, é alvo de estudos e discussões entre governos, escolas e sociedade. Vê-se em propagandas de televisão, ouve-se em cursos e seminários, lê-se em manchetes de jornais, revistas e literaturas contemporâneas, a extrema discussão em torno de um assunto polêmico: Incluir pessoas portadoras de necessidades educacionais especiais nos diversos segmentos de nossa sociedade visivelmente despreparada principalmente no espaço escolar.

A Política Nacional de Educação Especial define como aluno portador de necessidades educacionais especiais, todo aquele que por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à sua idade, requer recursos pedagógicos e metodologias educacionais específicas.

Em outras palavras, o aluno portador de necessidades educacionais especiais não é aquele que apresenta um ou mais tipos de deficiência em si, mas aquele que pedagogicamente falando, pode possuir dificuldade de aprendizagem e necessita de orientação diferenciada para que desenvolva suas competências e habilidades e assim minimize tal dificuldade como qualquer outro aluno do ensino regular.

Nota-se, atualmente que a ideia de inclusão de alunos portadores de necessidades educacionais especiais, faz-se presente nas instituições do ensino fundamental, porém, as barreiras para que essa ideia seja colocada em prática, são também notáveis: poucos são os alunos especiais que estão frequentando o ensino fundamental; os educadores que deveriam por lei recebê-los demonstram claramente estarem despreparados para atuarem com um aluno “diferente” em meio a uma sala lotada.

O gestor municipal que é o responsável pelos projetos do espaço físico, muitas vezes esquece-se deste “detalhe” e acaba criando um ambiente inacessível à movimentação desses alunos e entre tantas barreiras, evidencia-se a discriminação da comunidade escolar.

A Lei de diretrizes e bases sistematiza o atendimento educacional ao portador de necessidades educacionais especiais e visa a não estabelecer os rumos e fundamentos da educação brasileira como também reconhecer a importância da Educação Especial.

Fica explícito no artigo 58 da LDB o qual se refere à Educação Especial como sendo “a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.” Assim, torna-se evidente a preocupação a qual sugere a LDB em possibilitar a educação inclusiva em um espaço onde a diversidade de seres humanos contribui para a formação acadêmica, cultural e social de forma igualitária e não segregada.

Porém, deve esclarecer que o mero acesso à escola de ensino fundamental não é o suficiente, há que se ter uma maior responsabilidade do poder público, além da criação de modalidades alternativas de atendimento nas escolas para cada tipo específico de deficiência.

Por tudo isso, nota-se a extrema importância que há na modificação de alguns paradigmas educacionais, já que educação é impreterivelmente um direito de todo cidadão brasileiro e está na diversidade a riqueza da verdadeira aprendizagem.

Torna-se visível a partir desse trabalho, a transformação pela qual o sistema educacional brasileiro deverá passar ou que certamente já vem passando ao receber, principalmente no ensino fundamental, alunos com as mais diversas especificidades de aprendizagem, dentre eles os portadores de necessidades educacionais especiais. Espera-se, no entanto, que a inclusão seja implantada de forma coerente mesmo que aos poucos para que futuramente “ser diferente” seja algo simplesmente normal em todo e qualquer segmento da sociedade. Eis então um grande desafio para os novos gestores municipais em 2013.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O saber e o votar sabendo


Em época de eleição, é compreensível e até desejável que os cidadãos se perguntem com mais frequência quais são, afinal, as políticas que devem ser implantadas ou continuadas em seus municípios. Na educação, algumas responsabilidades são bem definidas, sendo que duas, com certeza, merecem destaque: o fornecimento da Educação Básica gratuita para crianças de zero a cinco anos, e do Ensino Fundamental I (1º. ao 5º. ano), também sem ônus algum para os estudantes.

Essas incumbências foram delineadas na Constituição de 1988 e são exemplos da democracia que vem sendo conquistada aos poucos no ensino brasileiro. Municipalizar as primeiras séries da escola foi uma decisão descentralizadora e democrática. Conhecendo-se as responsabilidades do município, o eleitorado pode se dispor a acompanhá-las e, sobretudo, a cobrá-las.

As eleições representam também esperança aos professores da rede municipal.  Neste período há sempre uma nova expectativa para os docentes. Se, por um lado, esse é um período em que as discussões são intensificadas, por outro, pode abalar as escolas regidas pelo sistema municipal de ensino. Afinal na maioria dos casos as escolas dos municípios onde os governantes não foram reeleitos ficam praticamente abandonadas no período de transição, esperando as novas orientações que poder vir tardiamente por parte de quem assume.

O maior problema é a falta de um Plano Municipal de Educação, com metas claras para serem alcançadas num prazo maior que dez anos e não voltadas apenas para um mandato de quatro anos, que ao se esgotar cede espaço ao sabor de mais experimentações muitas vezes desastrosas pelo fato de as políticas públicas nunca serem continuadas pelos novos prefeitos e secretários de Educação. Isso porque de um governo para outro, em geral, não há continuidade de políticas educacionais. Os novos secretários encontram, muitas vezes, secretarias destituídas de informações básicas e, em casos mais graves, computadores e arquivos esvaziados. O que obriga gestores e docentes a sempre ter que reinventar a roda a cada quatro anos.

A falta de competência técnica é outro problema da gestão da educação municipal.  Pois a municipalização do ensino é relativamente recente. Foi só há cerca de 20 anos que as entidades municipais foram responsabilizadas pela Educação Infantil e pelo Ensino Fundamental.  Mas ainda com todos os seus problemas, o ensino municipal é mais bem visto diante do oferecido pelo Estado ou pela União, por esses não realizarem um acompanhamento tão próximo e frequente quanto o prestado pelos municípios.

É obrigação do município, em colaboração com o Estado, fornecer como prioridade o Ensino Fundamental gratuito para toda a população, incluindo os cidadãos que não tiveram acesso na idade adequada. O Ensino Fundamental é o segundo estágio da Educação Básica e deve assegurar ao estudante o desenvolvimento da capacidade de aprender, por meio das noções plenas da escrita, leitura e do cálculo. É dever dos municípios matricular todos os alunos em fase de Ensino Fundamental em escolas, preferencialmente nas próximas às residências dos alunos.

Deve haver uma busca constante pela relação numérica adequada de professores e alunos, por uma carga horária ideal e por boas condições materiais em cada estabelecimento. O ideal, porém raramente praticado é que os municípios criem medidas de médio prazo, os chamados Planos Decenais, para acompanhar e avaliar o ensino onde as diretrizes básicas são as mesmas para qualquer região ou realidade sócio econômica:

Cabe aos novos ou reeleitos gestores municipais definir as melhorias necessárias, como a infraestrutura. Onde a pergunta principal deve sempre ser: "O que falta nas escolas?”.

A definição do modelo de gestão e de como o ensino será acompanhado nada mais é do que criar um modelo de gestão articulado entre as escolas e a secretaria, para que não ocorram desperdícios e mal-entendidos, como livros distribuídos pelo governo que ficam parados nas escolas quando estas não sabem que destino dar a eles.

E enfim a mobilização de educadores. É preciso criar uma proposta consistente, que garanta uma educação de qualidade para os alunos com transmissão de valores, alfabetização plena e a construção do caráter social.

Pense bem, quantas vezes ouviu, leu ou discutiu estes temas com o candidato que pede seu voto no próximo domingo?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um passo adiante, um atrás


Todas as vezes que as ações politicas para a educação são aprovadas pelo Congresso Nacional, chego a ter alguns calafrios ao olhar pelo prisma de uma desconfiança arraigada por tantos tiros no pé que volta e meia aparecem sob o falso manto do benefício educacional.

Mas é claro que em algumas ações temos que baixar o semblante talibã e aplaudir a iniciativa. As duas ultimas aprovações que prometem realmente dar um caminho à educação no Brasil, já que depois de tantas cabeçadas provenientes de cabeças vazias que na verdade mesmo que revolucionário no campo educacional, não trouxeram mais do que alardes e polêmicas como as mal fadadas cotas.

O uso de 10% do PIB na educação vem mostrar talvez uma maturidade politica em um Brasil que cada vez mais se achava que tinha uma grave preferencia pelo obscurantismo da falta de educação de qualidade, levando os teóricos das conspirações até a imaginar que nos queriam burros, para que continuássemos cegos, surdos e mudos para as necessidades das quais temos direitos constitucionais assegurados, sendo a educação uma delas.

O investimento de maior monta na educação, não vai resolver milagrosamente da noite para o dia os problemas seculares que já fazem parte do histórico escolar, tanto quanto matemática e português. Mas uma consequência dos anos, talvez em uma década ou  quem sabe duas, tenhamos resultados concretos e práticos desse investimento plantado neste momento em que o Brasil parece sepultar de vez as velhas práticas militaristas retrógradas.

Outra alvissareira noticia é a limitação oficial para as salas de aula, com o número de 25 crianças por sala no ensino fundamental e 35 no ensino fundamental II e Médio. Com isso o rendimento escolar promete ser mais eficiente pelo valor de tempo disponibilizado por cada docente para com suas turmas, dando a possibilidade de um atendimento de ensino quase próximo da excelência.

O único porém (claro que sempre tem que haver um!) nesta segunda medida que tramita no Senado, é que não se pode colocar o carro na frente dos bois. Antes de se limitar a lotação útil de uma sala de aula, tem-se que primeiro prover o espaço para alocar tantos estudantes e jovens em idade escolar que seriam alijados após a contagem das cabeças. Ou seja, construir-se mais escolas. Algo que os 10% do PIB deva ajudar a resolver.

Mas a lei entra em vigor já em 2013 e estamos em meados do fim de outubro, de um ano eleitoral, com recessos chegando, pensa-se que nem com uma megaoperação de construção de escolas, consegue-se seguir a lei ao pé da letra antes mesmo de 180 dias corridos de 2013.

Como sempre, falta a estas medidas louváveis o papel fundamental dos técnicos, que na maioria das vezes são consultados, mas na maioria dos casos são ignorados os seus posicionamentos numéricos e estatísticos sobre determinados temas que conflitam com a “beleza” das leis criadas.

Técnicos que possam determinar o crescimento populacional em determinadas áreas dos municípios, para que se possam construir escolas onde realmente a carência de vagas seja saneada. Consultar estes técnicos antes de se propagandear estas leis que apesar de terem boas intenções, não carregam em seu bojo as soluções básicas para torna-las práticas. O que inviabiliza a lei e sua aplicabilidade em si ainda é o caminho.

Em suma; a velha fábula da minhoca que quer sair do poço, sempre avança dois palmos e escorrega três. Neste ritmo, as leis devem continuar fluindo, afinal é belo alardear que uma canetada resolveu as dores do mundo, mas é difícil acreditar nisso quando se vive imitando uma fábula, onde pelo jeito ainda somos nós as minhocas a querer incessantemente sair do poço.

O sujo e o mal lavado

Quando a concepção socialista surgiu após uma contemplação marxiana e leniana do que seria de uma sociedade se não houvessem fronteiras ao que é do publico e ao que é do privado, dando o poder do povo ao povo. Enfim a boa e velha filosofia grega da democracia ao pé da letra.

Mas o que na verdade acabou acontecendo ao sabor das correntes dos brios de cada um é que isso não passava de uma ficção que precisava da lapidação dos iluminados líderes que mais tarde viriam abraçar-se a bandeira do "povo poderoso", mas que no fim de tudo buscavam mesmo eram os próprios umbigos carentes das realizações dos interesses pessoais que fariam Maslow se revirar na tumba seguidas vezes.

De Mao Tsé, passando por Stalin até chegar no velho Fidel, chegamos aos ferrenhos seguidores brasilianos que seguindo ao pé da letra os ensinos tanto da corrente filosófica do social quanto dos deturpados saberes dos iluminados pregaram a liberdade e o moralismo baseados na premissa de que o mundo é belo e nele todos podemos queimar um baseado sem o peso na consciência que o ateísmo que acompanha a vã filosofia socialista prega: Um estado acima até mesmo do próprio Deus.

Nesse contexto uns gatos pingados meio que destituídos de voz dentro do Partido dos Trabalhadores resolveram clamar pela liberdade de se expressar em seus radicalismos, que não tinham vez, uma vez que dentro do universo da politica partidária, não se governa sem se abrirem concessões e o firmamento de alianças multipartidárias. algo que o PT teve que aprender a duras penas no primeiro mandato de Lula paz e amor.

Assim nasceu o PSOL, um partido pregando a moralidade nas verborragias e vomitórios de pragas nas bocas de seus principais pitbulls Heloisa Helena e Babá. Oriundos de uma corrente do PT que pregou até o fim a condenação ás negociatas partidárias que tanto condenou.

Conseguiram ao sabor das correntes também eleger uma liderança ascendente no senado federal, também oriundo das militâncias radicais e panfletagens do PT, o hoje senador Randolfe Rodrigues, chegou ao senado, arrotando a moralidade que tanto filosofou seu partido. Partiu até para o corpo a corpo contra Demóstenes Torres, aquele que em outro tempos, trouxe ao Amapá para discursar contra a corrupção e a favor da moralidade.

Com achaques da moralidade, criticando e crucificando tanto Demóstenes das cachoeiras quanto Roberto Jefferson que destampou o caldeirão do mensalão que agora é julgado pelo Supremo Tribunal Federal, fez valer por um curtíssimo espaço de tempo o viés pelo qual seu partido que era tido tão fundamentalista xiita quanto seu companheiro PSTU que ainda mantém a essência do bom e velho "FORA" alguma coisa, quer seja FHC, LULA, FMI ou outra sigla qualquer que represente o antagônico papel de imagem especular.

Um triste fim ver que mais uma vez a essência parida por Marx seja desvirtuada entre ação e discurso, para o fim de amealhar mais poder, com a falsa proposição de que isso é o melhor para o já escrachado "poder do povo" pregado pelos gregos, mas que na prática tem tanta aplicabilidade quanto absorventes internos já utilizados.

Esse é o PSOL, da liberdade aos grilhões da politicagem em um curtíssimo espaço de tempo. Fato este que não precisa de mais de alguns minutos de análise introspecta até mesmo do mais leigo dos cidadãos para se avaliar que entre o sujo e o mal lavado o que existe mesmo em comum e presença da sujeira, seja ela pouca ou muita, não importa, é sujeira...

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