sábado, 28 de setembro de 2013

A vaca e a submissão



A cada dia que se passa, nos intriga mais ainda como as ações explicitas de submissão conseguem indignar menos o já combalido cidadão brasileiro. Não ponhamos a submissão como um ato de obediência, já que a mesma não é opressiva e requer um código de conduta para ser obedecida. Já a subserviência é forçada, é humilhante, macula a existência do cidadão e o que é pior: Faz com que ele sinta que esta fazendo a coisa certa!

De exemplos fartos temos a história, que desde o caso mais famoso, como o dos soldados nazistas que até hoje negam veementemente que estivessem fazendo algo tão terrível quanto à culminância do holocausto. Ou dos militares brasileiros que até hoje negam a ditadura como ferramenta de opressão e morte.

Mas o pior da subserviência é ser consciente dela e mesmo assim sem ao menos calcular as consequências futuras de decisões unilaterais e nem um pouco altruístas, simplesmente pela comodidade de ser capacho por isso lhe render alguns vinténs.
Casos de subserviência explícita têm tomado as pautas dos noticiários amapaenses dia sim e no outro também, como a já conhecida submissão do PT ao governo PSB, que mesmo com a decisão nacional de seu partido, se recusa a largar o osso em troca de meia dúzia de benesses que diretamente só trás proveito uma pequena parcela do grupo político altamente fracionado que é a legenda no estado.

De maneira alguma toma-se o papel de advogar por uma causa em que há uma estreita relação entre as dinâmicas cíclicas dos negócios, da hegemonia de ideologias, da tendência para o esquecimento da inevitabilidade das crises, da prática de crimes de colarinho branco, de comportamento político face aos "mercados" e das concepções nada éticas.
O mesmo ocorre com a própria sociedade industrial, que se submete a uma inércia tão grande quanto o próprio universo paralelo em que parecem orbitar todos os tomadores de decisão, sejam eles pertencentes ao poder público ou privado. O caso da Anglo American, que parece se despedir do Estado pela porta dos fundos em uma obscura negociação com o Grupo Zamin que pagou uma bagatela pelo gordo espólio da mineradora britânica.

Apesar dos pesares o Amapá parece não ter aprendido a dura lição de que deve deixar de ser esse palco da ficção de um Estado rico, farto e de belezas mil. Pois essas dramáticas situações atuais de quebra da saúde, segurança e educação parecem que nada nos ensinaram. Tal qual estas manifestações que mais serviram para vender jornais e revistas e abarrotar o noticiário televisivo, mas que enfim não deram em nada.   Pois assim como antes, agora as manifestações da crise são semelhantes e os erros políticos também. Como diz Galbraith, "os desastres financeiros são rapidamente esquecidos". Economistas e políticos têm memória curta.

Éramos uma sociedade atrasada, condicionada e fechada, e parece que continuamos a sê-la. Copiando como no passado se fazia no Brasil colônia uma vida quase europeia no vestir e no agir. Mas por baixo de anáguas de tule e casacos de linho continuamos com a sudorese equatoriana a emanar os odores nada agradáveis, e quanto a isso, não há perfume francês que resolva!

Resta-nos então nos questionarmos: Até quando esse papel submisso da população se perpetuará? E não adianta vir com aquela retórica já ruminada pelo tempo de que a resposta vem nas urnas! Ela não vem! Não vem por que elegemos presidentes, governadores, parlamentares de toda espécie; de gladiadores, passando por salteadores até chegar à massa maior: a dos saqueadores! Mas não elegemos a presidente da Petrobras que leva a empresa à bancarrota sem dizer nenhum pio sobre a desvalorização e o endividamento da empresa. Não elegemos os Procuradores Gerais que engavetam processos e muito menos os juízes que em troca de uma aposentadoria tranquila em um apartamento na bela Paris, vendem suas almas e seus juízos para sentenças que menosprezam a pouca inteligência que resta à plebe.

Então de que adianta ter o poder de eleger um presidente? Se vangloriar de ser o empregador, o contribuinte dos impostos que patrocina toda esta festa? E continuar a ser eternamente a vaca de presépio subserviente e inerte que volta e meia tenta dar uma chifrada nos incautos, mas que na prática mesmo se tornou tão acomodada em seu papel servil, que não lhe resta outro triste destino senão o de ser carne enlatada.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O pinto imperial

Quando se imagina que já se viu de tudo em terras tucujus, aí que se dá conta de que não se pode subestimar a criatividade de sua majestade imperial que se assenta no trono do Palácio do Setentrião. Afinal depois de tão abundantes momentos que se imortalizarão no cancioneiro dos absurdos colecionáveis pela atual gestão, tudo é possível.
Desde comidas exóticas em quantidades exorbitantes, rotatividade anormal de secretários de pastas-chave na administração pública, passando por acordos feitos em surdina para serem quebrados sem nenhuma cerimônia, e até engalfinhamentos com filho de deputada em cerimônia pública. Tudo dentro da vasta ilusão de residirem nos Campos Elíseos, de tão alheios à dura realidade de um estado pobre.      
Talvez este pacote de viagens que surgiu recentemente para que a família imperial tome os ares do Caribe, sirva para ver que apesar de pobres, os países que formam aquela paradisíaca região, não vivem exclusivamente de praias, mas em contraste também não tem vocação industrial, lição esta que pode ser aprendida oxalá, pela comitiva do imperador do Amapá e seu séquito de aias e valetes.
Mas, vêm os questionamentos de praxe: de que serve mesmo esta ida aos mares caribenhos? Que acordos internacionais pode um Estado fechar sem o conhecimento do Itamarati? Que Estado é esse Amapá, tão pujante e viçoso que tem sobra de caixa para custear este nababesco mimo ao imperador das ruinas que se formam pelas bandas de acá?
Nestes questionamentos que delatam o absurdo, somam-se ainda o tal PPA. Afinal o que se entende por plano plurianual? Pois no conceito mais amplo, o plano plurianual é o instrumento de planejamento governamental de médio prazo, previsto no artigo 165 da Constituição Federal e estabelece diretrizes, objetivos e metas da administração pública para um período de 4 anos.
Sua meta é organizar as ações do governo em programas que resultem em bens e serviços para a população. Sendo aprovado por lei quadrienal, com vigência do segundo ano de um mandato majoritário até o final do primeiro ano do mandato seguinte. Nele constam, detalhadamente, os atributos das políticas públicas executadas, tais como metas físicas e financeiras, público-alvo, produtos a serem entregues à sociedade.
Mas o curioso é que em nenhum momento vê-se a população tomar parte nessas comitivas de sua majestade imperial. Verdadeiras frotas de pick-ups, ônibus e outros veículos saem da capital com destino aos incautos municípios, dos quais os munícipes mesmo, nem comparecem nas tais audiências públicas, pois quem deveria ter voz, o povo, não a tem nos parlatórios e promessas de terra que jorra leite e mel.
O que se vê nestes PPAs mesmo é a presença maciça de aduladores e bajuladores, mas povo mesmo, quase nada. Em Vitoria do Jari, recentemente a plateia de ouvintes de sua majestade imperial era basicamente assessores e carguistas, nenhum povo, nenhum munícipe! Então qual o propósito de tudo isso senão uma aberta corrida desesperada de sua majestade para se manter no poder.

Talvez por isso, nessa sucessão de tentativas de diminuir a rejeição magnânima de sua majestade, os conselheiros reais sugiram as mais esdrúxulas fórmulas para conter a desenfreada queda do imperador. De caminhadas promesseiras a viagens ao exterior para que sua majestade possa exercitar sua proficiência linguística à admiração dos seus vassalos. E é claro a mais recente novidade: a distribuição de pintos para a população. O símbolo maior da decadência não se sabe se do imperador, ou do povo que recebe o abençoado pinto imperial.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A história é como você conta

Existem algumas histórias que a gente aprendeu lá no passado e nem se dá conta de que, com a passagem do tempo e a descoberta de novas tecnologias, aquilo pode não corresponder mais a realidade, se tornaram meias verdades, mentiras inteiras, como a atribuição ao Alcorão da velha frase: "Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé” que na verdade tem origem em uma parábola inventada por Francis Bacon.

Mas também existem as mentiras convenientes que visam lançar proveito de algum aspecto da mentira. Ao apresentar a verdade em doses homeopáticas para sarar a própria consciência do mentiroso que volta e meia passa acreditar piamente em seus delírios como se fossem fatos reais, mas que no fundo do seu Id resplandece a sobra da verdade.

Talvez seja por isso que um vasto compêndio de fábulas seja fartamente divulgado pelo atual grupo político que governa o Estado ou pelo menos acredita que governa, seja tão eloquente em crer em seu próprio conto da carochinha a ponto de registrá-lo e distribuí-lo como pão de bálsamo aos pobres.

Nada pode faltar neste cancioneiro, a começar pelas declarações que mais parecem ter saído pás páginas dos contos de Grimm do que da boca de uma secretária de saúde; afinal segundo ela a saúde vive seu melhor momento! Palmas para a jovem moça das madeixas encarnadas que provavelmente não usa o serviço de saúde que administra.

Ou quem sabe aquele conto do vigário que o ocupante mor do palácio governamental aplica nos desavisados prefeitos que desconhecem haver uma lei aprovada na assembléia legislativa e sancionada por ele mesmo que estabelece a contrapartida nas obras dos municípios com recursos federais. Mas é mais fácil levá-los no bico dizendo que o Estado pode dar a contrapartida e assim colher os louros do corte da fita de inauguração.

Sem falar de tantos outros contos que são aplicados diariamente não só no povo, mas também entre eles mesmos. Afinal pregava o velho Goebbels, que basta repetir, repetir e repetir a mentira e tudo se encaixa na veracidade. Se bem que em alguns casos a coisa fica difícil de digerir até mesmo para o sistema gástrico mais robusto possível.

Nesse caso apela-se para medidas extremas; um exemplo: O candidato tucuju à ABL lançou um livro de fábulas em que conta que foi preso e perseguido, cumpriu pena, puxou cana braba. E mesmo assim lança com seu pequeno exército molambo a apologia da vergonha pela prisão de seu adversário político. Meio contraditório para quem frequentou o cárcere por crime comum, afinal não há nada de patriótico em saquear uma sorveteria.

Também não consigo vislumbrar esses heroicos atos supostamente praticados em nome da democracia contra a repressão da ditadura militar. Por acaso alguém ouviu falar deste ser mítico que hoje patusca na tribuna senatorial em uma corda bamba que pende entre a moralidade de um apontador de jogo do bicho ao caso do jaraqui doméstico que figura em rede nacional, figurando entre as listas do MOLIPO ou da COLINA? Ou quem sabe do MR-8?

Ou quem sabe perfilado ao lado dos martirizados Marighella e Herzog? E nem se pode alegar a justificativa de que ambos morreram na luta contra a ditadura. Afinal até a presidente Dilma que está vivinha da Silva, tem suas cicatrizes dos tempos em que carregava fuzis para o VAR-Palmares. Mas o que este indivíduo tem para contar? Nada mais que lendas e auto-elogios.


Eis então que se versará sobre ele para a posteridade, que junto com sua prole estabeleceu uma verdadeira dinastia da Matrix na cabeça do conturbado cidadão que cada vez mais se convence que realmente vive em outro mundo, o mundo de fábulas e lendas contadas por João e Maria (será mesmo Maria?) em que o final com certeza não promete ser feliz em nenhuma das versões escritas nessa epopeia das florestas...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pode Tudo, até o que não deve

‘Stamos em pleno mar. ’ Assim começa uma das mais eloqüentes obras de Castro Alves, em “Navio Negreiro”. Narrando o passo de uma das naves que traziam a mais farta mercadoria de comércio entre a África e o Brasil. Os escravos.

Passados os anos, desde os floreios de Isabel com a pena dourada a extinguir o oficio escravo nas terras de Vera Cruz, eis que vemos uma pitoresca artimanha da gestão do partido dos trabalhadores, sob as barbas do gigante que adormeceu após as breves espreguiçadas dadas em junho.

Certamente a maior cortina de fumaça criada para tirar o foco verdadeiro desta transação comercial, não é o programa “mais médicos”. Acho louvável a atitude de acrescentar mais profissionais a esta área tão carente da saúde pública. Mas questiono sim as condições inauditas deste verdadeiro tratado comercial entre Brasil e a ilha de Fidel, onde a mercadoria, não é a velha muamba de charutos e rum e sim um grande contrabando oficial (se é que tal antítese se permite!) de um dos produtos tipo exportação mais abundantes em Cuba: médicos!

Enquanto os noticiários se abundam em tirinhas sobre os desocupados médicos das terras de acá, que arranjam tempo em sua atribulada agenda para desferir xingamentos aos colegas cubanos em aeroportos da vida. Uma verdadeira escarrada nas faces das leis trabalhistas brasileiras; daquelas que fazem as pagina da CLT tremularem como uma brochura sem valor. Acontece em segundo plano.

Há de se perguntar ‘otras cositas mas’ acerca do estranho processo comercial de  importação. Afinal se tenta a todo momento enaltecer a generosidade dos dez mil reais pagos aos médicos como se fosse a libertação sem Che Guerava do povo cubano, que vem ao Brasil de Dilma e Cabral, sem eira, nem lenço e muito menos documento, já que seus passaportes sem visto os cerceiam do direito de ir e vir.

Há de se questionar o papel da OPAS nesta alva transação, afinal qual seria ele? Dar algum viés de legalidade a um ato rompante de escamotear-se sob os panos da lei brasileira? E por onde andam os senadores transparentes?

E não a ultima, mas a mais rompante de todas: Se do total pago pelo erário brasileiro é de dez mil reais pelos serviços dos médicos, sendo que de acordo com as inúmeras partilhas divulgadas pela mídia, dois mil e duzentos reais vão para a família do médico que teve que ficar lá em Cuba e um mil e oitocentos reais pingam nas mãos do médico. Que força oculta diz que o povo brasileiro tem que enviar seis mil reais por cabeça para o governo da Ilha?

Fazendo-se uma matemática de boteco, chegamos aos números mais escaldantes. Se forem quatro mil médicos a seis mil cada um, em um mês dona Dilma mandaria depositar vinte e quatro milhões não de pesos, mas de reais na Ilha da fantasia, o que perfaz a pitoresca quantia de duzentos e oitenta e oito milhões de reais após um ano de trabalhos “humanitários” dos médicos cubanos.

Nada, nada é uma bela comissão, já que em nenhum momento mais uma vez se estabeleceu se vão pagar alguma coisa para a OPAS. Afinal OPAS pra que? Se tudo foi fruto das manifestações de junho como afirma o governo, considera-se então que esta foi a operação internacional do serviço público mais rápida de que se tem noticia na história deste país.

São perguntas sem resposta, ou de resposta tão misteriosa que deveria servir de base para algum documentário do Discovery Chanel, daqueles que tentam dar explicações para ETs e sereias. Mas com certeza fica mais fácil enredar estes mitos do que as entrelinhas dessa estranha importação petista, que é no mínimo exótica, já que os precedentes jurídicos ficaram nas areias do mar e na espuma da praia, para manter a poesia.

Na certeza de que o PT realmente Pode Tudo, não percamos tempo em nos digladiar questionando o sexo dos anjos ou a nacionalidade dos médicos, isso é irrelevante, percamos mais tempo tentando esmiuçar esta nova era aquariana inaugurada por Lula e reinaugurada por Dilma. Afinal que mal há? É apenas dinheiro público, nem importa se voltar para cá em forma de caixa dois ou três, como uma vez disse Lula – o santo. Isso é normal.

Comecei com Castro Alves e com ele me despeço nas palavras do canto III do mesmo poema: “É canto funeral!... Que tétricas figuras!... Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!”

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Exótica importação

Roger Pinto Molina ama o Brasil e seria um cidadão boliviano comum se passasse pelo desembarque do aeroporto de Brasília incólume a qualquer desconforto se não fosse um pequeno detalhe: Ele foi contrabandeado pela embaixada brasileira em La Paz onde estava aboletado desde maio do ano passado.

Isso só foi possível após um momento de iluminação bodhisattva do diplomata de Eduardo Sabóia que resolveu assim, de próprio eixo e veneta sem nem ao menos consultar o chefe que de patriotismo só parece ter mesmo o nome. Transplantar com o uso de fuzileiros navais e um carro oficial da embaixada, um senador do país vizinho.dor, Sabóia trouxe para dentro das fronteiras brasilianas um condenado em seu país por crimes comuns, nada políticos ou de sobremaneira que justificasse tal ato heroico da diplomacia brasileira, afinal “abandono do dever”, “dano econômico de 1,6 milhões de dólares ao erário”, “venda de bens do estado” e “corrupção”, são coisas de pouca monta.

Longe de mim contestar as decisões de tribunais domésticos bolivianos, afinal cada um com seu cada qual. Se temos Lewandowski por aqui para advogar privadamente, o que são decisões de juízes de primeira instancia pelas bandas de Ekeko o farto deus de abundancia dos bolivianos.

A pergunta que fica no ar é que o governo brasileiro tem importado toda a escória condenada por crimes comuns em seus países de origem e que batem as portas das representações diplomáticas alegando que são perseguidos pela opressão política. Como o não muito longínquo caso de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana como delinqüente comum por ter assassinado quatro pessoas que ele jura de pés juntos que as mortes tiveram motivação ideológica. Credulíssimo disso, Lula e companhia endossaram o caso e Battisti que atualmente já toma caipirinha, fala com sotaque carioca e vai muito bem, obrigado!

Mas a sessão siticom não termina por ai, já que o senador Ricardo Ferraço, o presidente da comissão de relações exteriores do senado brasileiro, assina embaixo na operação que importou seu semelhante boliviano. Dando-lhe o jatinho da família e abrigando-lhe na mansão dos Ferraço. Se não fosse na Bolivia isso daria um belo enredo de dramalhão mexicano.

Mas não me recordo nem de Ferraço, nem de qualquer outro senador ter feito um roteiro protecionista parecido quando Evo “das cocas” Morales resolveu enviar uma operação militar para nacionalizar as refinarias da Petrobras e pagar a ninharia de US$ 112 milhões por um patrimônio avaliado em 1,6 bilhão de dólares. Isso sim é dano ao erário, o nosso erário.

O que assusta, não é a atuação isolada de um diplomata, visto que a política internacional do Brasil é orientada por Marco Aurélio Garcia, aquele do gesto obsceno do “top top” na vidraça do Planalto logo após a comprovação da causa do acidente do avião da TAM no aeroporto de Guarulhos. Isso o brasileiro já até assimilou, já que “top top” continua no mesmo lugar.

Nem muito menos a atitude da presidente Dilma que num momento de mea culpa, deu as contas do ministro Antonio Patriota após a repercussão do caso. Que naquele momento foi surtado pela mesma patologia que Lula tinha quando em seus lapsos de memória afirmava que não sabia de nada, nem do mensalão nem de Rosemary.


O que assusta mesmo é que depois de tanto esforço para o Brasil não aceitar ser depósito de lixo atômico, lixo hospitalar, resíduos tóxicos e outras tantas escórias que tentaram empurrar na goela tupiniquim abaixo,  à parte ao longo das décadas de pais de terceiro mundo. E que já tenhamos casos bem esdrúxulos envolvendo senadores corruptos, tenhamos que também importá-los como produto-prioridade no MERCOSUL.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Cegos por opção

No conceito dos verbetes, a cegueira é uma incapacidade orgânica que impede parcial ou totalmente o sentido da visão. É uma condição de falta de percepção visual, devido a fatores fisiológicos ou neurológicos. Enfim, a incapacidade orgânica de ver.

Mas também, popularmente é tida como cegueira a falta de percepção ou de apreensão da realidade, do significado das coisas ou acontecimentos; a falta ou perda de bom senso, de lucidez, ou da capacidade de raciocinar, especialmente devido a sentimento ou emoção intensos.

Do mesmo modo, e mais usualmente ainda, cegueira significa ignorância, fanatismo, paixão exacerbada, intensidade no afeto, obcecação, tudo que perde o sentido da racionalidade para se fazer sem limites.

A cegueira, vista sob o aspecto do forjamento do irreal, provoca situações tão conflitantes que, na maioria das vezes, torna o indivíduo alheio à realidade e passivo de ser reconhecido até como insano, completamente tomado de loucura diante do absurdo que extasiantemente cria.

Haveria de se indagar, então, por que uma pessoa tida como normal, de repente não consegue enxergar aquilo que para os outros está tão claro. Ou, de outro modo, o porquê de uma pessoa simplesmente não querer perceber determinada realidade naquilo que está à sua frente, ao seu lado, no seu convívio.

São assim os casos de militantes que de tão fanáticos por um candidato, mas tão apaixonados mesmo que aonde chegam, pregam suas virtudes, seu senso humanista, seus gestos benevolentes, sua inatacável condição de pai dos pobres e defensor dos oprimidos; o justo e o senhor da moralidade e da verdade. E falam sobre planos, sobre o muito que iria fazer, sobre as maravilhas do mundo nas mãos do seu candidato.

Mas aonde chegam também encontram alguém para dizer: muito cuidado com o que dizem e defendem, pois se observarem desapaixonadamente, se tiverem mais um pouco mais de atenção no seu deus-candidato, logo saberão que o mesmo não passa de um aproveitador e chegado à aos desvios da conduta pregada.

Exemplos de cegueira se alastram por todos os cantos e meios. Nos seios familiares, nas instituições, e também nas religiões, seitas e crendices. A religiosidade vazia impõe tamanha cegueira que se abdica da divindade para o apego a ídolos e falsos profetas. Despersonalizando totalmente o indivíduo, aos poucos o transforma num mero objeto sem identidade e sem qualquer tipo de resistência. Então é a hora em que o espertalhão, aquele que tem o olho aberto demais, começa a agir

E enquanto os cegos continuam a tatear em seu mundo “perfeito” afundados no abismo da ignorância, o todo poderoso senhor da moral, ética e da verdade lhe dirá a beira do abismo: Vem que te dou asas, basta fechares mais uma vez os teus olhos...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

E a ética deixa de ser lei

Bertold Brecht não errou um só milímetro ao desferir a pérola “O que é roubar um banco, em comparação com fundar um banco?” Na verdade o contexto fica desfocado quando colocamos sob a luz de fatos contemporâneos que cada vez mais nos indignam menos, afinal o que é uma falta de ética ou um pecadilho diante de tantos quadros indecentes que vemos diariamente?

Como um Marco Feliciano que nem consegue mais chocar as minorias que diz comandar de sua comissão desacreditada e que passou despercebida sua tragicômica incursão diante do ministro da justiça para pedir clemência para seu correligionário de fé, acusado de estupro.

Ainda assim já não conseguimos mais nos indignar profundamente quando um dos pressupostos bastiões da justiça suprema, o ministro Ricardo Lewandowski, aparece estampado na Veja, como o benfeitor na arte de aprovar as reprovadas contas de campanha tanto dos mensaleiros quanto da própria Presidente da República.

No mais ladino dos jeitinhos brasileiros, aparecem casos que a cada dia chocam menos, afinal a teoria da banalidade do mal já chegou a tal patamar, que se perde mais tempo em defesas teatrais, em brejeirices sem fim no intuito de perpetua-se no palco sob os holofotes eternos do poder.

Estes e outros fatos nos encaminham para uma contracultura tão intensa da ausência da ética que logo, logo vejo um futuro negro onde estaremos ensinando às crianças que a melhor educação é ensiná-los a serem bandidos.

Mas, antes de chegarmos a isso, façamo-nos uns cândidos questionamentos: podemos melhorar, em termos de sociedade, no que se refere ao respeito da lei e da ausência dela? É possível convencermo-nos, e convencermos os outros, de que seguir os preceitos éticos ainda são absolutamente necessários? Ou viveremos nas exceções?

Afinal temos essa mania de ensinar a nossos filhos a seus filhos a virtude da ética, mas ao mesmo tempo fechamos os olhos tanto na hora de ultrapassar um sinal vermelho quanto na hora de nos abstermos de manifestação diante das formações de quadrilha que fervilham como larvas no esterco em quase todos os segmentos da sociedade.

Ocorre então que no Brasil a lei tem papel mais indicativo do que prescritivo. Todos concordam que se deve parar no sinal vermelho – e a grande maioria o faz. Mas a pressa, o fato de não estar vindo um carro pela outra via ou a demora no sinal justificam eventualmente passar no sinal vermelho.

A lei deixa de ser lei para se tornar uma referência, apenas; ou, pior, algo que espero que os outros respeitem absolutamente, mas que infringirei quando acham “justificado” fazê-lo. É o que se vê principalmente nas eloquentes defesas de políticos pilhados no ato infame e por muitas vezes utilizam daquelas retóricas já obsoletas que não convencem mais.


Em alguns casos, usam até eventos distorcidos e que de tão rebuscados desconhecem-lhe o efeito, como em uma recente defesa política na qual se invocou a infame “espada de Dâmocles” como sinônimo réprobo de justiça infalível. Vale lembrar ao usuário, que tal expressão é uma alusão, freqüentemente usada, para representar a insegurança daqueles com grande poder que podem perdê-lo de repente devido a qualquer contingência ou sentimento de danação iminente. Logo, mesmo que por acidente aplica-se perfeitamente na situação atual do usuário em sua passagem no conselho de ética do senado.
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