quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Franquias, será uma forma de driblar a crise?

Em tempos em que se fala muito em crise, em fechamento de empresas, em endividamento e desemprego, o mercado de franquias tem se mostrado extremamente promissor e vai muito bem, obrigado.
O número de pessoas que se interessam pelo segmento cresce a cada dia. Entretanto, muita gente acaba desistindo no meio do caminho por uma simples questão, com tantas opções disponíveis o potencial investidor não consegue escolher qual é o melhor negócio para investir e acaba se sentindo desmotivado para prosseguir com esse sonho.
A dúvida é comum. Afinal, segundo a Associação Brasileira de Franchising, existem mais de 3.000 marcas de franquias no país divididas em 20 amplos segmentos. Por isso é recorrente procurarmos fórmulas mágicas sobre como escolher a melhor opção para investir. Mas, por experiência própria, já posso te adiantar que não será assim que você vai encontrar as respostas que procura.
O mercado pode estar crescendo, a marca pode ser interessante, o produto de qualidade e o retorno de investimento ser excelente. De nada vai adiantar todos esses argumentos, você encontrará pontos negativos nas melhores opções se estas não tiverem a ver com o seu perfil. Assim, a pergunta correta não é qual a melhor franquia para investir, mas sim qual a melhor franquia para você.
Para isso, é importante que você avalie quais são suas principais motivações para investir nesse mercado. Por exemplo, você deseja uma franquia para se tornar sua principal fonte de renda ou para presentear algum familiar, cônjuge ou filho? Ou, na verdade, seu objetivo é só fazer um dinheirinho extra? Essa definição é essencial para que você tenha mais clareza na hora de avaliar as marcas que mais combinam com você.
Depois disso, também é preciso cuidado para não cair em algumas armadilhas bem comuns. Por exemplo, se você deseja uma franquia como fonte de renda principal, mais do que escolher sua marca favorita, é importante você se imaginar no dia a dia do negócio, acordando e indo trabalhar. Se coloque no lugar do dono daquela marca e pense como seria sua motivação diante de suas obrigações diárias, quais tarefas você gostaria ou não de fazer? O que você não desejaria fazer de jeito nenhum e o quanto isso afetaria seu bem-estar caso fosse obrigado a fazê-lo? Como é mais fácil saber aquilo que não queremos, provavelmente, ao final dessa reflexão você terá a maior parte dos segmentos de franquia pré-selecionados na lista de franquias que você não se imagina trabalhando!
Ao invés de responder qual é a melhor franquia, primeiro é fundamental entender qual é o perfil da pessoa e objetivo pelo qual ela estava interessada em comprar uma franquia. A verdade é que a melhor franquia para um, não é necessariamente a melhor franquia para o outro.
Isso significa que em quantos uns sonham em ter uma franquia Cacau Show, ou uma franquia Subway, outros encontrariam 10 objeções para mostrar como essas franquias não são boas opções, e diriam que boas oportunidades de negócio são franquias de estética e que “sem dúvida nenhuma, uma franquia de depilação é a opção certa, pois é muito fácil de administrar e ao lado de minha casa tem uma que vive lotada ”.
Portanto, facilitar a sua busca, ao invés de seguir a rota tradicional e filtrar franquias por valor do investimento ou por segmento, não me restringirei as dicas tradicionais para escolher a melhor franquia. Aliás, encontrar a franquia ideal não é tarefa fácil. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), existem quase 3.000 marcas de franquia no Brasil.
Além do grande número de marcas de franquia, a diversidade de segmentos é grande. A ABF divide as franquias em 20 segmentos diferentes, e ainda assim, são segmentos amplos e que alguns casos, agrupam franquias bastante diferentes
Entretanto, não se desespere com a grande diversidade de franquias disponíveis. Fazendo uma busca inteligente, é possível reduzir as opções a um número gerenciável.
Se você tiver grande dificuldade, existem trabalhos de coaching personalizados que podem ajudá-lo a encontrar a franquia certa. Aliás muita gente se interessa pelo franchising mas poucas pessoas acabam de fato abrindo uma franquia.
Para quem busca uma franquia que seja a principal fonte de renda, é fundamental procurar algo que esteja alinhado ao seu campo de interesse. Muitas pessoas enxergam na franquia uma oportunidade para ganhar o máximo de dinheiro possível e, ao mesmo tempo, se livrar do seu chefe e tornar-se dono de seu próprio destino.
Embora essa visão seja respeitável, se você procura uma franquia para ser sua principal fonte de renda, as chances são altas que você irá trabalhar diretamente no negócio. Isso significa que, é fundamental que busque algo que você goste de fazer. Nesse caso, um ponto de partida inicial é buscar franquias de produtos e serviços que você goste, ou até mesmo, que seja um consumidor desse produtos e serviços.
Independente do objetivo que você tenha para empreender, a certeza é que você encontrará boas opções para serem exploradas no mercado de franquias. E, se você procurar de forma inteligente a melhor franquia que encaixa no seu perfil, não ficará perdido na vasta imensidão de marcas de franquias disponíveis.

Com os devidos cuidados e com a devida dedicação, uma boa franquia é garantia de bons negócios!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A zebra que chupou um "blaus" e acabou prefeito de Santana

Nas duas primeiras páginas de uma busca no Google, encontrei cerca de 14 resultados de candidatos que na última eleição usaram o nome político de “Zebra”. Em uma rápida consulta nos resultados a apuração de domingo passado, certifiquei-me de que pelo menos oito conseguiram uma cadeira na câmara municipal de seu município.

Em Santana, talvez Ofirney Sadala, embora não tenha usado o nome de “zebra” em sua legenda, mas, o belo equino africano (não me refiro ao prefeito eleito!), que exibe suas listras pretas e brancas intercaladas, cavalgou fazendo de Ofirney a zebra do segundo maior colégio eleitoral do estado.

Com perplexidade os grupos políticos que se afamavam “donos da bola” viram minguar suas expectativas de governar o município, e, diga-se de passagem, foram composições bem densas entre partidos de expressão e tradição política que se juntaram para apoiar os três candidatos ditos, mais bem cotados, como Marcivânia, Isabel Nogueira e o atual prefeito Robson Rocha.

Em alguns casos houve até debandada, como o caso do senador Davi Alcolumbre que ao ver sua nau ir a pique fazendo água por todos os lados, pegou o único bote salva-vidas e pulou para apoiar Marcivânia Flexa deixando para sua pupila o mesmo destino do Titanic.

O prefeito que corria pelas beiradas, mesmo que vigiado pelo MPE, já que há precedentes passados de que a máquina pública havia empreendido para eleger a irmã, a deputada Mira Rocha, não conseguiu a compreensão do santanense em lhe confiar as chaves do município mais uma vez.

Antônio Nogueira que, mais uma vez queria sentir o gosto da cena de alcaide, mesmo que por intermédio da irmã, também teve o passe negado pelo eleitor, e no caso de Santana, essa recusa não se deve a crise do PT em nível nacional, mas sim pelo histórico de vários indícios de malversação dos recursos públicos e histórias que entraram para o cancioneiro popular como as famigeradas CNHs.

Já Marcivânia Flexa, relutou muito em consentir arriscar a cadeira que tem no Congresso Nacional para governar um município cheio de desigualdades que pululam a periferia. Para isso tentou enfiar o marido goela abaixo no eleitor. Não colou. Então foi ao plano B e igualmente usou a tática de seu ex-correligionário de partido e lançou a irmã, que sem nenhuma afinidade ou tato com a política, também não foi digerida e se liquefez. Não deu outra. Se lançou candidata, ao estilo “banana amadurecida na marra”.


Enquanto isso, Ofirney Sadala chupava um blaus à espera do resultado das eleições. Talvez o ex-juiz e atual tabelião, não tivesse a visão desse cenário que o tornaria prefeito. Aliás, nenhum analista político ou pesquisa de intenção de voto moldou este cenário incomum, que sob uma óptica mais nova mostre que o Santanense quer arriscar mais e experimentar novos sabores, já que os últimos, vindo dos Petistas e Trabalhistas desceram travosos e ainda deixam o gosto amargo na boca do santanense.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Quase igual as eleições de Pompéia

Ceium Secundum é igual aos nossos candidatos ao pleito municipal de 2016. Melhor dizendo: Nossos candidatos são iguais a Ceium Secundum. Mas afinal, quem é Ceium Secundum?
Ele é, antes de tudo, um morto. Ele morreu quase 2000 anos atrás, quando as cinzas do Vesúvio soterraram Pompéia, em 24 de agosto de 79 DC. Ele é, portanto, um morto e uma múmia. Além de ser um morto e uma múmia, Ceium Secundum, no momento da tragédia que matou todos os moradores da cidade, era candidato a um cargo público.
Quando os arqueólogos italianos, no século XIX, desenterraram Pompéia, encontraram alguns de seus cartazes de propaganda eleitoral. Um deles dizia o seguinte:
“Ceium Secundum para duoviro. Seu pai o apoia! ”
É nisso que Ceium Secundum e nossos candidatos se assemelham. Tanto um quanto o outro só possuem um atributo eleitoral: o apoio de quem os gerou. O primeiro tem o apoio do pai, o segundo tem o apoio de inúmeros padrinhos. Mas até agora só ouvimos os afilhados, e uma pergunta ecoa por aí nas cabeças dos formadores de opinião: O que pensam os padrinhos? Afinal se eles nunca falam, nem sobem em palanques, o que será que eles pensam?
Para alguns candidatos o que conta mesmo é quem os apoia, quer seja para duoviro, quer seja para vereador ou prefeito, não importa, pois, nós meros eleitores não sabemos na verdade o que “eles” pensam.
Mas se nossos candidatos são iguais a Ceium Secundum, podemos comparar alguns a Cuspium Pansam. Os cartazes de propaganda eleitoral desse segundo ilustre desconhecido também resgatados nas ruínas de Pompéia, aludiam exclusivamente à figura de seu padrinho:
“Cuspium Pansam para conselheiro.”
Quem pede para votar nele é Fabius Eupor, o príncipe dos libertinos.
Os padrinhos de alguns candidatos, em fotos (não mais em cartazes manuscritos como em Pompéia de 79 DC) pedem para votarmos neles. Na verdade, esses padrinhos, parece que batizaram seus afilhados na última missa de domingo, pois até antes disso, nunca tínhamos ouvido falar deles, nem uma única linha de elogio, ne se quer um rabisco em discurso; nada, nada.
Mas agora eles surgem, vem pedindo votos, com sorrisos e elogios com uma ternura secular, num gesto de pura libertinagem eleitoral tentam incutir na cabeça do incauto eleitor uma intimidade inexistente para com seus afilhados.
Alguns padrinhos tem um grande senso de oportunidade. Se um sagui é capaz de escolher o momento certo para entrar pela janela da cozinha e pegar um cacho de bananas, alguns padrinhos são capazes de escolher o momento certo para atropelar as leis e apoiar seu afilhado. Assim como Ceium Secundum e Cuspium Pansam, as múmias pompeianas, esses afilhados sempre se mantiveram à sombra de alguém e não gratuitamente vão permanecer sob as asas do padrinho.
O curioso de tudo isso, é que ao longo dos anos, quando conseguem adentrar na vida pública, esses afilhados trocam de padrinhos, como um motel troca de lençóis em sexta-feira de pagamento do funcionalismo. Logo no primeiro ano, já os vemos sob novas legendas, sob novos padrinhos, sob novas ideologias, ou simplesmente atrás de uma cerca intransponível entre eles e o eleitor.
Vigiai ó eleitor, vigiai! Pois sobre Ceium Secundum e Cuspium Pansam os pompeianos nada puderam fazer, pois o Vesúvio explodiu em cinzas ardentes antes das eleições acontecerem e nos darem no resultado do pleito; qual foi o melhor padrinho, se o pai de Ceium Secundum ou o príncipe dos libertinos que apoiava Cuspium Pansam.

Por aqui pelo Amapá, não temos o velho vulcão, mas uma força muito mais titânica pode se mostrar mais eficiente contra a eleição de “postes”, “marionetes” e oportunistas. O “Vesúvio das urnas”, o eleitor amapaense.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Agora é muito mais do que bate-boca no Twitter

Chega o período eleitoral e as redes sociais usadas como plataforma política vem se transformando no antro da difamação e da propaganda negativa em face de candidatos, partidos e coligações. Encorajados, militantes maliciosos encaminham a grupos e listas de transmissão montagens, trucagens, calúnias, ofensas, vídeos e áudios, na certeza de que estão em um ambiente protegido. Na Justiça, o responsável pelo App continua a insistir: "Basta descobrir qual a operadora do número telefônico identificado na ofensa e diretamente pedir dados a ela". Como veremos, não é bem assim.
Aplicativos como parallel space permitem duplicar e ter dois WhatsApps no mesmo celular. Tecnologias de envio de mensagens em massa usando Short-codes, por exemplo, denominação dada a um número geralmente de 5 dígitos, utilizado para comunicação de mensagens SMS, tanto para o envio quanto para o recebimento das mesmas, não permite que vítimas descubram qual a operadora ou prestadora responsável pelo código. A vítima recebe a ofensa, e quando busca um número telefônico, encontra um código, não associado a nada nem ninguém.
Inúmeros manuais na rede e deep web ensinam desde montar chipeiras, utilizar serviços para receber códigos via SMS anônimos, clonar um Whatsapp legitimo em questão de minutos a mesmo usar um WhatsApp fake, incluindo, mas não se limitando a fake de GPS, impedindo que a real localização do remetente seja descoberta.
Outras tecnologias ainda como Bulk WhatsApp Messengers permitem o envio de milhares de mensagens e massa a números desconhecidos, com ferramentas ainda que permitem garimpar estes números destinatários na web, permitindo ampla difamação em massa em questão de minutos, burlando inclusive os mecanismos de segurança da aplicação. Quando a aplicação detecta e bloqueia os envios já é tarde e muitos já receberam o conteúdo ilícito.
Os ofensores anônimos ainda usam serviços de canais, que são números internacionais para se cadastrarem no WhatsApp e enviarem mensagens. Os canais são descartáveis, não regulamentados pela ANATEL (Aliás, nem o SMS é regulamentado!) sendo utilizados por pouco tempo e logo que o Aplicativo bloqueia, são abandonados, porém já serviram à finalidade criminosa. Quando a vítima busca a operadora responsável, descobre se tratar de operadora no exterior.
Outras técnicas são ainda a utilização de números virtuais, que usam codificação internacional, também descartáveis, e que permitem o cadastro no aplicativo. A partir dos números, o criminoso pode espalhar ofensas e inverdades, ciente de que o provedor do número virtual não registra informações sobre o proprietário da conta. Todas estas técnicas podem ainda ser combinadas com um "simulador android", onde não existirão rastros do equipamento celular (como loggins em estações radio-base), mas em verdade trata-se de um software que simula em um computador qualquer o funcionamento do sistema operacional de um terminal, computador este que pode operar com um proxy ou mesmo ser um servido cloud, em localidade incerta.
Estas são apenas algumas das técnicas que dificultam ainda mais ao ofendido apurar a autoria de desinformações, ofensas e propagandas negativas, razão pela qual, diante do crescente número de ofensas compartilhadas pelo aplicativo, que se intensificam em período eleitoral, dá-se por ainda mais necessário que a provedora de aplicações coopere com a Justiça, atendendo ordens judiciais emanadas neste sentido, fornecendo os registros os quais é obrigada a custodiar, por lei. Não temos dúvidas que o Spam das guerrilhas das mensagens piratas em massa crescerá cada vez mais, sobretudo em período eleitoral, prejudicando a muitos. Tememos, logicamente, por mais decisões radicais em face de provedores reticentes em cumprirem a Legislação Brasileira, que prejudiquem milhões de usuários. É preciso um meio-termo, urgentemente.

As vítimas, por fim, não devem recear, pois a Legislação, sobretudo eleitoral, assegura a vedação no anonimato na campanha e até mesmo a remoção de ofensas e propagandas negativas oriundas de anônimos. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um biênio de rufiões, cafetões e proxenetas

É bem possível que nos próximos anos passemos a nos questionar sobre o Brasil entre os anos de 2015 e 2016 e tenhamos uma surpresa sobre os resultados encontrados não só no Google como nos recortes de jornais e revistas daqueles dois anos estranhos que poderiam ter marcado a mente dos brasileiros de maneira indelével, mas não marcaram. Simplesmente passaram!
Talvez o ávido leitor se recorde vagamente que foi ano de impeachment, ano de olimpíadas, ano de Dilma, Lula e Temer em uma grande rede de traições e reveses da qual dentre mortos e feridos o Brasil acabou redescobrindo Eduardo Cunha e sua mão boba, assim como Sergio Moro e sua mão pesada.
2015 foi um ano atípico, afinal nele começou a desembocar não se sabe ao certo por onde, todas as mazelas da economia moderna, como o descalibramento do cambio, alta da inflação como nunca dantes a pós-ditadura militar e índices de desemprego semelhantes aos dos militantes do núcleo do Partido dos Trabalhadores. Foi o ano da ultima centelha do Mensalão e do fogaréu da Lava-jato que queimou tanto quanto a fogueira santa de Edir Macedo, foi o ano até de ressuscitar o Templo de Salomão e de ter os Dez Mandamentos como Blockbuster nos cinemas brazucas, com direito até a “carona da fé”.
Já 2016 não foi nada diferente no quesito frissons, piripaques e siricoticos. Tivemos uma sessão circense no Congresso nacional, com direito a “beijinho, beijinho” e “Tchau querida” sob o manto de confetes de Wlad, o deputado festeiro e agora cassado. Que no frigir dos ovos acabou defenestrando a “Dama de metal ausente na tabela periódica” juntamente com sua corte do Palácio idealizado por Niemeyer para simbolizar o novo Brasil nascido do planalto central de JK.
É verdade, foram anos atípicos dos que estávamos acostumados, muitas marolas, muitas firulas. E até a Seleção entrou na roda, quem diria... Chegou até ao ouro olímpico apesar de não ter podido varar a rede de Iraquianos e dinamarqueses, lavou à meia-boca a honra da “Copa das Copas”.
Mas entre sobressalentes e remanescentes, 2016 foi o ano do “legado grego”, assim como 2014 foi o ano da “Copa das Copas”. Os resultados práticos disso, a gente ainda não contabilizou, mas os rombos deixados no tesouro nacional depois de dois megaeventos dessa envergadura comprovam a capacidade dos petistas e da dinastia da estrela com certeza saberem fazer oba oba.
Também um ano de eleições municipais, diga-se de passagem as eleições mais esquálidas das quais se tem noticia em função da minirreforma eleitoral que empobreceu partidos e coligações mas não extinguiu o caixa 2, pelo contrário, abriu brechas abissais por todo e qualquer tipo de mal feito no intento de cooptar de maneira ilícita o sufrágio universal.

Claro que com o “Pai da Copa” e a “Mãe da Olimpíada”, acabamos ficando órfãos nesse pós-PT que enevoou os olhos de alguns, deu luz a outros, mas no frigir dos ovos deixou para trás muitas incertezas, a mais gritante delas, é se ainda vai ter algum brasileiro capaz de relevar o passado, enxugar as lágrimas e recolocar a cobra surucucu de volta no ninho e se preparar para mais doses cavalares de soro antiofídico para suportar mais duas décadas vindouras de maus agouros, com direito a mais piripaques e siricoticos que de nada adiantaram até hoje, junto com os gritos e ranger de dentes que nosso novo “Pinóquio”, Ryan Lochte vem acrescentar em nossas agruras.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Feijão e arroz pela "hora da morte", amém!

Quando nessa semana a Secretaria de Planejamento anunciou que o nosso pobre feijão já não é mais tão pobre assim, pois aumentou a inflação do estado em 7,11% e sofreu uma alta nos preços de 31,14%, então é chegada a hora de afirmar: O feijão está pela hora da morte.
Sendo a estrela de uma das combinações mais tradicionais e preferidas dos brasileiros – o feijão junto com o arroz – pode estar com os dias contados, tendo em vista a constante alta nos preços dos dois produtos. Nos últimos 12 meses, o preço do feijão carioca já subiu mais de 58%. Este ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a escalada do preço do feijão chega a 33,49%.
Já o preço do arroz, desde o início do ano, aumentou quase três vezes mais do que a inflação – uma alta de 12,42%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados. Somados ao óleo, cebola e alho, ingredientes utilizados no preparo dos dois pratos, a alta atinge a 131,53%. Sem muitas opções, a saída para o consumidor é substituir os alimentos.
De acordo com especialistas, a alta dos produtos se deve ao clima e à elevação da cotação do dólar, além da crise internacional. O excesso de chuvas, principalmente na Região Sul do país, que detém 70% da produção nacional de arroz, registrou perdas e atraso no plantio. O mesmo ocorreu no Paraná, que responde por cerca de 24% do feijão que é produzido no Brasil. A alta média desses produtos foi quase o dobro da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de 12 meses, que fechou janeiro em 10,74%. No mesmo período do ano passado, a variação em relação a 2013 havia sido de aproximadamente 10%.
Porém, não é só o clima que determina o aumento nos preços de alimentos. Outro fator fundamental é a valorização do dólar, que elevou em 25% os custos de produção do arroz na safra 2015/2016 em relação à colheita anterior, a maior alta desde a implementação do Plano Real. Os preços de itens cotados na moeda, como agroquímicos e fertilizantes, subiram 19% e 44%, respectivamente.
Esses fatores diminuem a oferta dos produtos, enquanto há uma pressão da demanda. Quando há redução da oferta, os preços sobem. Quando a oferta de produtos é maior, os preços se ajustam. A demanda acaba pressionando a oferta. A crise é um componente que gera aumento de custos, principalmente dos insumos utilizados na produção. Além disso, ainda há as intempéries do clima, como a chuva em excesso e a seca, comum para este período, e que comprometem a produção. Todos esses fatores acabam ocasionando o aumento nos preços.

Apesar dos preços altos e das tentativas de substituição do nosso “par perfeito” nada substitui o substrato básico do prato dos brasileiros, afinal já é uma cultura nacional que não tem como ser alterada. Cabe ao povo bater os pés e ranger os dentes, quem sabe assim as políticas voltadas para o setor agrário voltem a ser uma realidade e não um caminho para a lenda do feijão com arroz, contada para nossos netos com o saudosismo de algo bom que não voltou mais...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Um osso ainda mais duro de roer

Esta será provavelmente a eleição mais anômala do todos os tempos, afinal não é só por se tratar de um novo pleito para o majoritário municipal e parlamento mirim, mas, como o primeiro após a minirreforma eleitoral que promete criar toda sorte de empecilhos para quem já estava acostumado a ter sua “muralha da China” particular nas tesourarias de campanha.
Para começar o número de eleitores neste ano está 4% maior que nas últimas eleições municipais de 2012. Com isso os custos também aumentaram, pois, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral deste ano foi estimado em R$ 600 milhões, o que equivale dizer que a justiça eleitoral vai desembolsar cerca de R$ 4,16 para cada um dos mais de 144 milhões de brasileiros aptos a votar se dirigirem de casa para a urna eletrônica.
Outro fator-chave reside nas mudanças de perfil dos eleitores, algo que sugere que as táticas usadas em outros carnavais para ganhar o voto do brasileiro deverão mudar radicalmente neste ano para convencer em números atuais a massa de eleitores formada por 74.459.424 mulheres (52,13%) e 68.247.598 homens (47,79%).
Outro ponto importante é que o índice de jovens eleitores com 16 e 17 anos que correspondem a 2.311.120 (1,60%) também teve uma mudança no quesito escolaridade, fazendo destas eleições municipais a que tem um eleitorado de maior escolaridade e por tabela um mais refinado senso crítico sobre as promessas apresentadas por cada um dos postulantes às eleições municipais em comparação com as duas últimas eleições.
O aumento do número de jovens de 16 e 17 anos que poderão votar nas eleições municipais deste ano, em relação à eleição presidencial de 2014 mostra um cenário onde há 2.311.120 jovens com título de eleitor, um crescimento de 41% em relação a 2014, quando eram 1.638.469.
Já em 2012 eram 2.902.672 os jovens de 16 e 17 anos que poderiam votar, o que representa uma queda de 20% nestas eleições em relação à última disputa municipal.
Em 2012, aqueles que não haviam concluído o ensino fundamental eram a maioria (51%), incluindo os analfabetos e os que sabiam ler e escrever. Este ano esse grupo caiu para 44,17% do eleitorado e, em 2014, o percentual foi de 47,56%.
Também aumentou o percentual dos que passaram pela universidade. Os eleitores com ensino superior completo ou incompleto, em 2016, respondem por 10,7% do eleitorado. Em 2012, eles eram 7,5% e, em 2014, 9,2%. Já o percentual dos que possuem o ensino médio completo ou incompleto é de 38%. Em 2012, foi 34,2%.
Este ano aumentou o número de cidades que poderão ter segundo turno, por terem mais de 200 mil eleitores. Serão 92 nessas eleições, ante 83 em 2012.
Também cresceu a utilização da biometria, quando o eleitor é identificado pela impressão digital na hora de votar. O sistema será usado em 27,66% dos municípios (1.540 cidades). Em 2012, foram 299 municípios, ou 5,37%. Há ainda outros 840 municípios que utilizarão a biometria em apenas uma parte dos locais de votação. Assim, no total, 2.380 cidades terão urnas biométricas.

Todas estas mudanças de perfil do eleitor, associadas com os poucos recursos que a legislação eleitoral permite farão deste pleito um balão de ensaio para 2018 e principalmente apontarão um fator de destaque para o eleitor: Os candidatos que forem eleitos e que conseguiram isso com porcos recursos, têm predicados suficientes para lidar com a crise que assola os 5.570 municípios brasileiros. Afinal, o bom gestor não se revela nos momentos de fartura e sim nos momentos de penúria, e por enquanto, penúria é o que não falta nos cofres do tesouro municipal de cada um dos municípios do Brasil.
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