terça-feira, 5 de julho de 2011

Sê-de Homem, pois sois criação única!


Um dia as coisas serão melhores e o tempo deixará de ser um inimigo cruel para ser um aliado mais fiel. Não acredito que isso aconteça tão brevemente, mas quem sabe em uma vida mais lá para frente.

Um remanso e todos os seus aconchegos são um sonho que parece tão distante quando olhamos o poder devastador do tempo em função das vontades humanas que não as nossas. O mais difícil de tudo é tentar contornar as coisas quando nossa vontade não é respeitada, quando o tempo se faz tão cruel que não vê sentimentos e quando as pessoas não sabem que basta uma vontade delas para que uma alma se salve ou se perca para sempre.

Há de se ter um cuidado quando temos grandes responsabilidades impressas em nossas mãos, em nossas ações e na forma como às vezes somos omissos a grande massa que ajudamos a conduzir. Sempre tive esse cuidado quando geria massas, o de ser empático e sensível às necessidades do coletivo, em buscar ver e sentir o que os outros fazem e sente para enfim me tornar mais humano e com isso saber tomar as decisões certas.

Sempre que temos este poder nas mãos, somos capazes de quando tomamos as decisões certas nos equiparar-nos a imagem e semelhança de Deus, não como um ser cármico que sentado em seu trono reluzente, bate em nossas pesadas cabeças a fim de nos castigar por cada fagulha de desobediência às suas leis imutáveis.

Só agora o sei o quanto Ele deve ser desgostoso das nossas ações egoístas e introspectas de maneira que tudo o que fazemos com certeza deveríamos levar as famosas pancadinhas na cabeça, pois somos indignos de deter o poder de dirigir às massas quando não nos conscientizamos que as massas se movem.

Se sabemos ou não conduzir as coisas, acho que não sabemos como conduzi-las com amor, pois no fim de tudo, quando se vão a leveza da juventude, a beleza da cútis pueril, as traças levam o urdido dos tecidos que antes embelezavam o corpo e o couro que aquecia nossos cansados pés. Nada nos sobra além do amor que sentimos e a sabedoria que levamos conosco.

O resto... simplesmente serve a voracidade das traças e vermes.

4th jully Down


4 de Julho nos Estado Unidos é coisa séria. O vermelho, azul e branco tomam conta das ruas e calçadas. Bandeiras para todos os lados, estrelas e símbolos da Independência espalhados por vários lugares, uma festa própria da cultura gestada nesta porção de terra chamada Estados Unidos da América. Verdade é que muitos brasileiros ficam decepcionados com a dita "festa", afinal sempre esperamos festa popular parecida com o que vemos no Brasil, barulho, alegria e euforia, todo mundo estravazando sem preconceito. Mas as coisas são um tanto "mortinhas", claro que há fogos de artifícios, celebrações, mas muito longe do ritmo verde-amarelo lá do sul do hemisfério.

Talvez isso signifique seriedade e respeito pelas coisas da pátria, ou simplesmente a maneira norte-americana de celebrar suas datas. Mas apesar desta postura, a lição do 4 de Julho é universal, serve para brasileiros, mexicanos, argentinos, europeus, africanos e todos outros povos que sabem o valor da independência. Poderíamos, aqui neste espaço, levantar dados históricos, traçando assim um paralelo, uma comparação entre a história americana e as demais do continente, citar datas além da de 4 de Julho de 1776, buscar momentos em que pudéssemos descobrir porque este lado das Américas deu certo. Porquê Estados Unidos e Canadá alcançaram a posição de riqueza, enquanto as demais nações, com passados semelhantes, permaneceram no atraso e subdesenvolvimento.

Mas quem acompanha os jornais e a vida cotidiana, bem sabe as demonstrações de maturidade e independência nas atitudes deste povo e seu governo. O caso do menino Eián, que envolveu do presidente do país e sua secretária de justiça (equivalente ao ministro brasileiro) até altas esferas da diplomacia local, resultou numa demonstração de respeito as instituições e as autoridades. A lei e a lógica sempre estiveram na direção da decisão tomada, e assim foi feito, Elián voltou a Cuba e a outra parte mesmo protestando acatou a decisão das autoridades. Outra grande demonstração de força e independência, algo não muito comentado na imprensa em português, foi a prisão e condenação da "prefeita" de Hallandale. Em pouco mais de 6 meses, averiguou-se, julgou-se e condenou-se uma mulher eleita para o cargo que ocupava. Sob as acusações de mandante do assassinato do esposo, perjúrio e falso testemunho, foi sentenciada, e aguardará na cadeia uma última acusação de fraude aos seguros. Bem parecido com os fatos no Brasil, não é?

4 de Julho serve para isso. Para que reflitamos e aprendamos como se fazem as coisas por aqui. Como se forjam a justiça e o respeito ao cidadão. Talvez seja esse o motivo desta comemoração um tanto tímida aos olhos brazucas, a comemoração da Independência dos Estados Unidos da América, ainda traz viva conflitos e discordâncias de um povo e sua elite. Mas que apesar das diferenças e da história que ainda pulsa, os valores de respeito às suas instituições e os limites de cada um são alvos de muito debate e que poucos tem a ousadia de questionar. Muito ao contrário da realidade na maioria dos países da América do Sul, em especial da nossa pátria verde-amarela.

domingo, 3 de julho de 2011

Kata ton daimona eaytoy


Há quatro décadas morria em Paris, aos 27 anos, Jim Morrison, o poeta que liderou o The Doors e que se tornou um ícone de uma geração.

O rastro dos últimos passos de Morrison, que morreu com a mesma idade de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain, deixou Paris repleta de lugares venerados por fãs incondicionais a cada 3 de julho.

Protegidos por uma cerca metálica na divisão 6 do cemitério Père-Lachaise, os restos mortais de James Douglas Morrison (1943-1971) jazem sob uma lápide que nunca fica sem flores e onde um epitáfio reza: "Kata ton daimona eaytoy" (Fiel a seu próprio espírito).

Lá se reúnem adeptos, que frequentemente declamam poemas, tiram fotografias ou colocam garrafas de bourbon junto à célebre lápide, muito mais frequentada que as do escritor Oscar Wilde, a soprano Maria Callas ou do compositor Frédéric Chopin, que ficam próximas.

Itamar Franco, também nos deixou há algumas horas. O senador e ex-presidente morreu por volta de 10h de sábado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado na Unidade de Terapia Intensiva para tratamento de leucemia. Desde o dia 21 de maio, o ex-presidente estava internado para tratamento da doença. Seu estado de saúde piorou na sexta, quando passou a respirar com a ajuda de aparelhos. A morte aconteceu em decorrência de um acidente vascular cerebral seguido de coma.

Itamar tinha sido eleito vice de Fernando Collor, mas quando o então presidente foi cassado por práticas pouco republicanas, em 1992. Diante das circunstâncias, Itamar Franco acabou fazendo um ótimo governo, deixando o Palácio do Planalto no final de 1994, com um índice de aprovação popular semelhante ao de Lula, no final do ano passado.

Foi ele, afinal, quem colocou Fernando Henrique Cardoso na Fazenda e bancou o Plano Real, que acabou elegendo o ministro como seu sucessor.

Assim era Itamar Franco, sempre meio imprevisível, instável, desconfiado de tudo e de todos, mas que acabou passando para a história como um presidente providencial, um homem probo, que nunca deixou de ser, antes de tudo, um político mineiro, embora tenha nascido num navio no litoral da Bahia

Assim como Jim Morrison teve seu tumulo protegido de imagens, e excessos, Itamar sempre dizia que quando morresse não era para ficar com o corpo dele rodando pelo país. Era para mandar direto para o Juiz de Fora. E assim será.

Adeus Itamar!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...