sexta-feira, 25 de maio de 2012

Roma, Hermanos e os Tucujús



A guarda pessoal e a devoção ao agraciado protegido, é um fenômeno histórico que com graça tem Roma e os pretorianos de Cesar como seu expoente mais ferrenho, com a diferença é que o imperador romano era tido como deus na terra, herança da natureza de o ser humano ter uma divindade com poderes titânicos e superiores aos pobres mortais.


Isso não impediu que muitos líderes incluindo o próprio Cesar dos Césares, Júlio Cesar de ser apunhalado literalmente dentro de seu senado por seus próprios senadores que acharam que isso era para o bem de Roma e para o próprio bem de seus agraciados pescoços.

Cristina Kirchner também tem tido seu momento Cesar, mas não sob a louvação da SPQR mas sim pelos seus próprios correligionários comandados pelo rebento da presidente, Máximo Kirchner, que detém o comando do grupo de jovens devotos de La Cámpora.

Para manter esta pequena milícia Cristina é claro loteou diversos cargos para os camporistas dentro do governo e nas empresas estatais, como a Aerolíneas Argentinas e da agencia estatal de comunicação Telám. Assim como as cadeiras camporistas dentro do próprio congresso argentino ajudam nas decisões mais radicais da presidente.

Como prova disso, as ações de Cristina em “benefício” de seu povo, tentando um discurso peronista fadado ao fracasso, resolveu reencarnar as ações do cocaleiro Evo Morales que num ímpeto nacionalista factoide foi à boca da fronteira e expropriou o que encontrou pela frente incluindo nossa Petrobrás, sob o olhar de Lula que agiu como o pai que vê o filho defecar no tapete da sala e diz com ternura: _ Que bonitinho!

A Espanha fez que fez e bateu o pé contra a decisão de Cristina, apoiada pela sua milícia, de expropriar a YPF. Como não se tem politica, se faz com militância legislativa, afinal foi assim que Hitler conseguiu aos poucos a maioria no congresso, para que o partido Nazista forçasse o presidente Hindenburg a lhe abrir os caminhos para chegar a onde chegou.

Mas la Càmpora não tem dedicado seu tempo a apoiar e aprovar a politica econômica e as ideologias de Cristina, mas no cerco à liberdade de imprensa. Prova disso foi a lei que, pasmem, tornou o papel jornal, item de interesse público, sujeito a controle do estado assim como o papel moeda.

Essa história é velha conhecida dos argentinos, já que o grande Perón também não era chegado a uma critica jornalística, que quando não rebatia veladamente através de seu séquito militar, o fazia diminuindo a importação de papel jornal para a Argentina. Fazendo assim com que os jornais opositores saíssem mirradinhos, alguns com quatro paginas apenas e pouco espaço para exposição de muitos problemas.

Em rebate, já que não se vive mais a era Perón. Jornais como Clarín e La Nación, os maiores da Argentina, aumentaram suas reservas de papel, ironicamente combustível em duplo sentido ao fogo que promete se alastrar nos próximos meses.

Ao que parece, Cesar não tinha estes problemas, pois em Roma os arautos desapareciam misteriosamente sem aviso prévio quando algo desagradava os imperiais e divinos ouvidos do imperador. Na argentina os Hermanos podem padecer por falta de noticia impressa e papel para uso em higiene sanitária, o que deve ser uma pena, já que o papel que os colocou nessa lastimável situação, foi o da cédula de votação.

E infelizmente no Amapá, parece que a imprensa tem papel (em duplo sentido), tem noticia, o governo tem Cesar e tem pretorianos dispostos a manchar as folhas de jornal com sangue se preciso for, para proteger a divindade passageira pela qual se ajoelham para agradecer as benesses materiais do pão de cada dia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

E na França havia fifi...


Não entendo esse frisson todo em cima da chegada de François Hollande à presidência da França. Afinal o governo deve se alternar em comando, por ideologias e partidos. Isso é saudável, me recorda até mesmo Eça de Queiroz quando diz que fraldas e políticos devem ser trocados constantemente pelo mesmo motivo. Vejo como uma mudança salutar a saída de Nicolas Sarkozy do poder após um mandato meio truculento e cheio de altos e baixos durante os cinco anos em que dormiu no Eliseu.

Sarkozy prometeu uma nova França, apesar de ser uma promessa bem difícil de cumprir, pois apesar da bimilenar existência a França não vive nas trevas e nem necessita de modernismos que não os que já passaram por lá desde a queda da Bastilha. O resto mostra que a França já viu mais ou menos tudo o que poderia ser visto, sem novidades, como a descoberta da pólvora proposta pelo marido de Carla Bruni.

Muito nos ensina que nestas promessas de mudança, feitas aqui no reino tucujú ou na elitista França, o resultado final mostra que as coisas continuam muito parecidas com as de anos atrás, nem bom, nem ruim e nem o milagroso futuro dourado. E ao que tudo indica tanto o Amapá quanto a França vão continuar incólumes a promessas feitas em pré e pós eleições.


Mas o que me surpreende é que após as eleições, mesmo depois da luta ferrenha entre direita e esquerda, na segunda feira pela manhã tanto a França quanto o Amapá continuavam os mesmos da véspera. Nenhum cogumelo nuclear, nenhuma virulência e nem mesmo uma praga bíblica para dar vazão às previsões do fim dos mundos; franco e tucuju.

Vivi na França de François Mitterrand e de Jacques Chirac, até respirei o ar impregnado do socialismo de proveta regurgitado por Lionel Jospin, assim como também sobrevivi ao governo de pai e agora filho da dinastia Capiberibe. O suficiente para ver e ouvir a mesma cantilena que os políticos dizem sobre o que a mídia querer explicar como o mundo deve funcionar, tentando mostrar a verdade da razão assim como tentar adivinhar o próximo realinhamento planetário, para no fim de tudo demonizar a imprensa.

Vi a politica segregacionista e xenófoba de Sarkozy de perto e com a mesma credulidade com que vejo as pregações apocalípticas de Hollande ou os lamentos do Jovem Capiberibe sobre um estado devastado e estéril que insiste em sonhar com a ponte milagrosa sobre o rio Oiapoque. 

Comparar os dois reinos é quase uma heresia de minha parte, afinal na França os problemas são bem mais cosmopolitas do que os nossos bucólicos problemas domésticos tucujus. Mesmo com a crise europeia, a França ainda é um dos países mais bem sucedidos do mundo. Enquanto nós protegemos nossos cordões e carteiras, os franceses mal sabem o que é um assalto á mão armada ou um arrastão de rua.

Dentre as condições de infraestrutura da qual desfrutam os mais de 65 milhões de franceses, estão um PIB per capta maior que 40 mil dólares por ano. Os transportes estruturados, que não deixam passageiros abandonados pelas paradas inexistentes ou que os proprietários de veículos não fazem ideia do que seja uma cratera viária nos mais de onze mil quilômetros de estradas francesas.

Com um aproveitamento produtivo inegável, soube usar com eficiência o espaço para produção em um território 94% menor que o disponível pelos brasileiros. E enquanto nos batemos por um aumento de 5 ou 7 % em nossos parcos R$ 622 de salário mínimo as classes que dependem desse provento já evoluíram ha mais de um século.

Em suma, comparar os problemas da Europa ou até mesmo da França em particular aos nossos é de uma temeridade bem estranha, mas muito ouvida na teoria por socialistas históricos e pelo jeito moucos. Pois simplesmente pelo regime socialista trazer alguma semelhança em seu DNA, fato que eu particularmente desaprovo, pois as ideias de um sujeito que nunca empunhou uma arma e a caminhada maior que fez na vida foi a do caminho da biblioteca pública de Londres para sua casa, fazem de Marx uma leitura incompreendida assim como Maomé.

Mas o grande desafio dos socialistas aliados a Hollande, talvez sejam os mesmos que enfrentamos aqui pelos trópicos, afinal o desemprego é um monstro que ainda devora muito mais que o demônio da inflação, que por aqui parece estar exorcizado e no claustro sob forte cadeado. Mas os franceses devem ter poucos problemas por enquanto com a imigração ilegal dos “pobres do mundo” como costumava alcunhar Sarkozy.

A França ao contrario do Brasil, tem a sorte de não necessitar de seus políticos para conservar tudo aquilo o que conquistou e soube construir desde que cabeças rolaram por Paris. Mas algo é certo, como a morte e o pagamento de impostos. A politica continua a fazer as cabeças girarem com promessas de salvação ou de danação, dependem do santo padroeiro, mas será que somos muitos, de direita, de esquerda, os presbiterianos, os socialistas, os ecologistas e tantos outros para nos dar ao luxo de nos dilacerar e enfrentar de forma dispersa os donos de um poder insensível à nossa razão de viver?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As fantasias susttentaveis


Analisando os valores de receitas tributarias do estado do Amapá de 1994 e 2001 observa-se que a mesma quase quadruplicou neste período, mas que isso foi fruto de um crescimento desordenado, quase obra do acaso e não de uma receita pronta de qualquer gestor. O modelo econômico que vigorou em amis de 50 anos de território federal, não foi orientado por qualquer politica de desenvolvimento capaz de induzir o aproveitamento racional dos abundantes recursos naturais da região, instalar uma infraestrutura básica da rede de prestação de serviços públicos e de mobilizar a participação da sociedade civil.

Com isso faltaram à economia do Amapá condições básicas para a decolagem e consolidação de um processo de desenvolvimento econômico, que ainda afunda o estado em desigualdades sociais entre as diversas camadas da população. Em um quadro de fragilidade da base econômica, além de provocar o desequilíbrio da ocupação do espaço físico, concentrando o grosso da população na capital do então território, o que sem novidade transformou o governo estadual no grande empregador.

Em 1995 o Amapá deu inicio a construção de um modelo de desenvolvimento diversificado de atividades produtivas, fundamentado na agregação de valor ao produto local e no respeito aos princípios da sustentabilidade econômica social e ambiental. As dificuldades reais de levar o PDSA á prática, dada a importância da parte técnica e científica, se expressa na afirmação de que lidar com recursos naturais, envolve ciência.

Como o argumento politico foi mais forte do que a vontade em si de transformar o estado em um polo de crescimento e desenvolvimento sustentável, exemplo na Amazônia. O que se viu foi um peso da ausência do conhecimento científico e investimento em educação, que para qualquer atividade são necessários para que se dimensione o impacto ambiental, social e tecnológico.

Um exemplo marcante deste período em que se ousou ousar, mas pelas pernas dos outros se falhou, vem na tentativa frustrada de exportar castanha-do-Pará infestada por aflotoxina, fazendo com que o carregamento inteiro fosse rejeitado pelo mercado internacional. Fato triste, não pelo fracasso, mas pelo atropelo sobre as fases do processo extrativista, onde muitos erros foram cometidos e ignoradas varias fases que talvez fizesse com que o programa fosse um sucesso e não o fiasco que se ignora ter sido.

Não se pode avançar sem estudos sociais em que grande parte da população do estado não é oriunda de suas raízes, logo não se pode esperar que essa mesma população rural domine a cultura do extrativismo amazônida, pois suas relações ecológicas com seu estado de origem diferem profundamente da nossa. Também foram ignoradas as propostas concretas, apontando caminhos alternativos na geração de emprego, ocupação e renda de forma a minimizar os efeitos drásticos advindos do inchamento populacional na sua maioria compostas por maranhenses e cearenses.

O extrativismo desenfreado de uma cultura como a castanha, por exemplo, é uma forma errônea de se avaliar desenvolvimento sustentável, visto que uma castanheira pode atingir facilmente a altura de 50 metros, com idade estimada entre 800 e 1200 anos.  O que dificilmente produz um reflorestamento viável a base desta espécie.

Da mesma maneira que problemas de natureza social também não forma avaliados adequadamente como a presença do atravessador que faz o aviamento dos coletores e lhes proporciona mantimentos e insumos para os períodos de permanência do extrativista na mata durante a realização do trabalho. Em troca, o atravessador compra toda a produção retirada da floresta, mas paga preços aviltantes. Já os preços do aviamento são superestimados, de forma a colocar o extrativista num ciclo de dívidas que o leva inevitavelmente a uma “escravidão branca”. No município de Laranjal do Jari, por exemplo, até a poucos anos era comum um castanheiro trocar vários quilos de castanhas por uma lata de leite em pó.

Enquanto exploram os trabalhadores da floresta, os atravessadores são também explorados numa outra ponta da cadeia produtiva. Isso ocorre porque o comércio de produtos da floresta é extremamente concentrado, o que leva à formação de cartéis e de monopólios, como acontece com todos os demais produtos da Amazônia (açaí, seringa, palmito, frutas, tropicais, etc.).

Hoje é muito simples se falar em desenvolvimento sustentável na Amazônia, mostrando uma ou outra experiência favorável, mas efêmera. O encontro: Sustentabilidade Sem Fronteiras – Alianças climáticas e outras experiências, que aconteceu em Berlim, contou com a presença do senador amapaense Capiberibe, contando apenas a parte positiva de sua incursão mateira, omitindo do relato aos alemães que o sonho do PDSA, só não solidificou por que os anseios políticos de Capiberibe foram mais sustentáveis do que desenvolvimentistas... Kann man nicht betrügen mehr senator!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Vamos morrer abraçados!


Esta semana a greve no setor de educação completou 30 dias de muitas polêmicas e partidários pró e contra o movimento dos educadores, que capitaneado por um sindicato de identidade abalada pelos meandros políticos parece fazer com que ao mesmo tempo em que se avança um passo se retroceda dois.

As mesas de negociação tem tido de tudo menos consenso e ponderação de ambos os lados e ao que tudo indica o tão sonhado piso não alcançará nem o alicerce sonhado pelos mais ferrenhos defensores, ou pelo menos uma adequação decente a uma profissão que é mãe de todas as outras.

Dei muitos anos de aulas aos mais diversos segmentos e fases da educação. Sei bem a dura vida de um professor, que entrega boa parte de sua juventude e saúde em função daquilo que acredita e ainda mais quando se doa de corpo e alma sabendo que riquezas e glorias não o aguardam no fim do túnel da aposentadoria, que muitas vezes vem por um calo nas pregas vocais ou por que se deu pelo dever cumprido, de muitas lutas inglórias.

Tentar jogar o manto da politica em um movimento sindical reconhecido como justo e legal, é dar um tapa nas faces de educadores que ao contrário de muitos que coabitam nas relações político-partidárias e se beneficiam disso tentando marginalizar os professores que somente buscam não o justo nem o suficiente, pois ambos não chegam nem perto do retorno digno à profissão, é crime maior, mas não o punível pelo CPC, mas pelo pecado do menosprezo com a classe a ação de muitos dissidentes de uma causa una.

As mesas de negociação se mostraram um grande engodo, pois não há negociação e sim oferta pronta e esta não se negocia nem se discute; se proclama. Mas ao alardear que se debate socialmente, tanto os prepostos do governador, quanto os representantes da classe em litígio, é bravata para quem nada vê por trás das paredes de eucatex da sala de reuniões.

Veem-se membros da própria classe que em concubinato com interesses e benesses governistas que saem à cata de correligionários a bancar os apátridas e contribuir com firma para forçar uma assembleia geral e assim arraigar as ideias desferidas pela proposta governista de que 15,56% é mais do que justo, é o peso e a medida de quanto vale o trabalho de cada um deles.

Vejo sindicalistas que banhados pelo mar e queimados pelo sol de tantas lutas por tantos direitos, hoje se confessarem indignados ante a intransigência dos prepostos governistas, que em um ato sem medidas de desprezo à classe. Anunciaram negociações a torto e a direito, quando na verdade na ultima rodada, o que se viu foi nada mais do que despeito puro e o brilho de ódio nos olhos de quem vê uma mácula no mundo perfeito e maravilhoso pintado em campanha aos quatro cantos do Amapá.

Alegando que se o governo sofre desgaste o sindicato também terá suas feridas. Em tom de forte contenda de fera acuada, viu-se nas palavras de um destes gestores de auditório a máxima de que não se arredará um pé em função do já ofertado e que se for para morrer, que morram todos abraçados.

Politica de quem nada tem a somar ou ideias para se equacionar problemas e que no fim de tudo, vê-se que nem gerir, nem negociar e nem mesmo saber a hora de “colocar os trapinhos na mucuta e pegar o beco”, como se diz no submundo, é de conhecimento de uma turba que se instalou pelas urdidas fazendas da mãe destino, costuradas pela linha da sorte. Hei de ver; que como já dizia meu autor favorito: Não há bem que sempre dure, nem mal que dure para sempre. Mas não morro abraçado em vala comum por uma ideia natimorta de uma ideologia capenga.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Navalha na carne dos juros


Na cabeça de Bertolt Brecht a Ópera de Três Vinténs ambientada no Soho, um bairro que abriga a boemia de Londres, contando a história do carismático anti-herói Macheath, apelidado de Mac Navalha. Cercado de mendigos, ladrões e prostitutas, Mac Navalha, um estereótipo de Don Juan do submundo, miscigena o amante, o cavalheiro e o ladrão. A trama que poderia ser uma comédia situacional é um grande celeiro onde são desveladas as verdadeiras relações sociais, políticas e financeiras contidas nessa história de amor ordinária.

Mas não foi para fazer uma crítica literária sobre Brecht que dispensa tais catarses, mas sim sobre uma fala do personagem que me remete a corroborar o pensamento de Maílson da Nóbrega sobre as ações dos bancos em detrimento à falácia governista de bancar o indulgente e fazer a usura desaparecer.

Mas (...) o que é roubar um banco comparado a abrir um banco?

Assim já dizia o anti-herói de Brecht. Colocando abertamente o poder usurário das casas bancárias contrariando até a bíblia, que o condena. Mas os bancos serão mesmo os Mac Navalhas da história do brasileiro ou simplesmente apenas demonizamos o lado errado da moeda?

Afinal é unanime se falar mal de governos, sogras e bancos. Pois o pensamento institucional é de que um banco será sempre uma porta de vidro com moças sorridentes e rapazes engravatados onde você entra e pega dinheiro emprestado dando como garantia a sua alma e a certeza de que você não precisa do dinheiro.

Desde que o ser humano descobriu que se pode intermediar valores auferindo lucro por isso, os bancos já tem esta imagem comprometida perante o publico. Os serviços de intermediação financeira ainda são muito pouco entendidos pela população e considerados caros demais até pelos abastados da vida.

Eu até compreendo que a presidente Dilma queira ser a mãezona de muitos PACs e outros feitos heroicos dentre eles a luta colossal contra os juros bancários. O discurso populista de Dilma no dia do trabalhador encheu de lágrimas qualquer um que tenha um carnê com no máximo 80 folhas impressas por códigos de barras e valores a pagar a diminuir o volume ao longo dos anos. A presidente ao dizer que não crê que um sistema bancário dos mais sólidos e lucrativos, continue com juros tão altos.

Talvez a presidente nunca tenha atrasado uma fatura do seu cartão de crédito e sentido o peso da mão dos juros draconianos praticados pelas administradoras em função do risco cliente-inadimplência. Ou que jamais tenha precisado recorrer a um empréstimo sem garantias alienáveis.

Realmente os juros em países da Europa são menos exorbitantes do que no Brasil, mas temos que convir que a politica fazendária nestes países fez as coisas chegarem no estagio em que estão atualmente; uma Europa em crise de riscos de quebra não de bancos, mas de nações inteiras.

Talvez o processo de demonização dos bancos brasileiros seja menos avassalador do que reza a lenda, de que banqueiro faz de nossas vidas o que Mefistófeles pretendia com doutor Fausto. Talvez não haja só uma perversidade das instituições e concupiscência dos donos de bancos. Mas também existam as maiores expressões de vilania e  sejam as tributações das transações financeiras e o volume de recursos que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central. Em ambos os casos não há comparativo existente ao brasileiro em nenhum canto do mundo.

Talvez a politica futura, bem futura se depender da boa vontade de governo e banqueiros. O cadastro positivo, que seria uma espécie de premiação para o bom pagador. Que hoje paga a conta dos juros junto com o risco do inadimplente. Seja beneficiado com juros mais baixos, condizentes com a sua condição de honra contratual. Mas estes são mecanismos que dependem de muita vontade multilateral dos envolvidos. Coisa que a presidente parece ainda não compreender: O mercado financeiro sofre interferências sim, mas jamais aceita a coleira e amansa diante de uma canetada presidencial.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cada um com seu cada qual


O senador Fernando Collor de Melo, mais do que o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva (o tiririca), deveria se achar um estranho no ninho, mais do que o deputado e ex-comediante tiririca, já que fazer parte da comissão de educação da câmara dos deputados não deve ser um papel tão ruim para uma pessoa com grandes dificuldades de leitura e escrita, como é o caso do deputado que no inicio do mandato foi inquirido para verificação se dominava escrita e leitura.

Dadas as dificuldades do MEC em gerir procedimentos como o ENEM e outras peripécias não muito louváveis, talvez a presença de tiririca na comissão de educação faça alguma diferença crítica. Mas no caso de Collor, o papel que ele tomou para si é bem mais esdrúxulo que um analfabeto funcional na comissão de educação, até por que as deficiências de tiririca se resolvem com aulas particulares do abecedário, já as culpas de Collor, talvez sejam caso de absolvição divina.

Ao perder o mandato de presidente da República e os direitos políticos há 20 anos, depois de uma conturbada e ampla investigação no congresso. Collor esperou no limbo, aparecendo em programas de futilidades, falando de como a vida é bela (sem a casa da Dinda), e subitamente em 2010 amealhou um mandato de senador pelo estado de Alagoas, que parece ter tudo; menos memória.

Memória também parece não ter Collor já que atualmente investido no papel de tarefeiro dos interesses dos petistas mais fundamentalistas que um dia foram seus carrascos mais implacáveis.  Mas o que se surge é um Collor reencarnado, com pose e arrotos de moral e bons costumes. O arauto da moralidade em pessoa e alma (ainda restará alguma?).

Poderia eu expressar alguma indulgencia sobre um homem que teve depositada toda a confiança de uma nação e que por um átimo tirou tudo de cada um dos mais pobres? Por que eu teria esta indulgencia, esta contrição forçada só por que nosso ex-presidente costurou junto com uma equipe econômica venusiana o confisco da poupança de cada um dos reticentes brasileiros durante seu curto período no planalto.

Mesmo com a pena cumprida, ainda não consigo deglutir as ações deste moço, mesmo que os anos tenham passado, mesmo que tenham devolvido a minha e as muitas poupanças em 18 sofridos meses, nem mesmo pelos amigos que vi entrarem em decadência e alguns até mais radicais, ou deram golpe no seguro ou colocaram mesmo a azeitona na testa, por causa das brincadeiras de Collor.

O ex-presidente faria um papel mais crível no ostracismo, da de politico que pagou por seus erros e foi escrever livros do tipo Barbara, Bianca ou Sabrina. Mas nada disso é crível, já que Collor conseguiu na justiça a única coisa que mais lhe interessava para os seus planos futuros: a isenção de culpa. Já que de todos os crimes de que foi acusado, a justiça lhe deu esterilidade processual, pois nenhum dos processos contra ele prosperou. Mas no final de tudo no tribunal de nossa consciência ainda pesam sobre o pesado mea culpa.

Mas revestido do manto da moralidade e idoneidade, vemos um Collor com o poder de investigar pessoas dentro da CPI do Cachoeira. O mesmo sujeito que quando presidente da República tinha um esquema de arrecadação de propinas comandado por PC Farias que foi unha e cutícula desde os tempos da tesouraria da campanha presidencial. O mesmo PC que gerenciou uma rede de doleiros, contas-fantasma e laranjas, que abasteciam com extorsão de empresas, cobrindo até mesmo as despesas pessoais e o modo de vida nababesco de Collor na casa da Dinda. Antes caçador de marajás, depois o próprio soba.

O estilo colorido de ser se arraigou pelo congresso. Deputados se orgulhavam de pertencer à Nova República das Bananas de Alagoas e marchavam armados (literalmente!) com Collor rumo a um novo Brasil que só existia nas cabeças de Kandir, Magri e Zélia que fazem muito bem em se manter na ostra pela eternidade em que estão.

Esses arroubos de moralidade, justaposta e anacrônica ainda reverberam na minha perturbada cabeça, assim como as palavras de Pedro Collor ao desabar o esquema do mano presidente e de uma Elba (antes eram carros da Fiat, agora são eletrodomésticos) suspeita.

Ou até mesmo a lembrança mais pungente ao assistir a votação sobre a cassar ou não cassar Collor. De todos os 503 deputados da época, meu cérebro só consegue lembrar-se de um único parlamentar, que com corpo avantajado e voz de barítono, tecia loas, como um nazista na forca, ao defender e elogiar até o fim a justificativa de seu voto contra cassar Collor. O atual presidente do PTB e denunciador do mensalão após ser excluído do propinoduto: Roberto Jefferson.

A concha é grande tem espaço para muitos...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Luz da mediocridade hipócrita


Acompanhamos nos últimos anos uma onda conservadora ganhando força e disputando a sociedade, como exemplo disso temos a eleição presidencial passada, onde o debate se deu em torno de questões progressistas e contraditoriamente rechaçada por uma parcela conservadora da sociedade.
Da demagogia ao falso moralismo: a gorda e o magro travam suas piadas sem gosto enquanto apenas assistimos sem surpresa ao espetáculo!

O falso moralismo é tão pusilânime quanto à hipocrisia. Infelizmente estes dois elementos estão na ordem do dia quando analisamos o quadro atual do Amapá, onde um tenta escapar do fundo da lama vestindo-se de marrom. Certamente que para a tal da democracia isso não contribui em nada.

Não vou fazer abordagem na politica, muito já se fala disso. Mas polarizando dois temas bem polêmicos; de um lado, se encontra a cretina discussão em torno do aborto. Não que o tema não seja importante, mas na boca dos moralistas o discurso da vida plena, se afoga na praia quando vemos tantos mortos vitimados pelos mais diversos motivos, sendo o maior a própria violência.

Provocar os grupos pró e contra o aborto para construir a imagem de ser pró-vida ou contra a vida é deprimente. Fico surpreso com a incrível (in) capacidade que estes péssimos atores têm de macular qualquer discurso político relevante. De um lado, aquela sombra humana, do outro, aquela em prol da democracia tentando a aproximação aos membros do clero, provar que não são inimigos da vida. De qual vida?

Trazer este tema juntamente com as velhas demagogias religiosas, as quais a contribuição ao dia a dia é irrelevante tem sido um total desrespeito ao bom senso. O aborto é um tabu, um dos ícones do discurso teológico, um dos elementos mais significativos do maniqueísmo, da ignorância que ainda vigora em nosso país. Nem a igreja tem legitimidade para discuti-lo, muito quem não paira para saber o que se sente, nem eu estou habilitado a criticar ou defender.

Por outro lado, o tema do homossexualismo, outro tema importante e ainda repleto de idiossincrasias sociais. Declarar o seu apoio ao homossexualismo significa exatamente o quê? Prova não se é preconceituoso? Ou que se é 'liberal'? Quem não acha graça de piadas de mau gosto sobre gays? O discurso é tão rasteiro que se metamorfoseia em uma cacofonia desesperadora!

Certo dia uma ONG de lésbicas entrou com processo judicial para retirar crucifixos das repartições públicas gaúchas. Em que mal está a imagem do Cristo crucificado a condenar opções sexuais? Cada um é responsável pelo seu cada qual. Mas nem por isso vamos entrar com ação e retirar o Cristo do alto do corcovado só por que temos vergonhas de nossas escolhas ou do falso moralismo novamente implícito.

Mas nada disso importa; todas as mesmices, as bazófias, todas as pieguices e descabidos, todos esses discursos desastrosos, todas as denúncias serão fundamentalmente esquecidos, já que eles representam a grande maioria de uma sociedade que está acostumada a ser dirigida não pelo seu melhor, mas por aquilo que ela mesma traz no seu cotidiano. Como todos nós, o prazer está em observar a crise, mas nunca em construir uma sociedade social responsável e participativa.

Curioso é que aqueles que tanto difamaram estejam, agora, surpresos com a própria difamação, mas nenhum dos lados realmente se incomoda em nos jogar na cara a nossa própria falta de vergonha por permitir um espaço político tão medonho, risonho e até desprezível, no qual o pior é a regra do dia. Através de suas mesquinhas discussões populistas perdemos mais uma oportunidade de (re) descobrir o que realmente somos o que realmente esperamos e o que devemos assumir para compartilhar com ações e reações efetivas, para não continuarmos passivamente assistindo a este ridículo teatro mambembe. Ainda que este seja mais fácil do que realmente construir alguma coisa ou pelo menos assumir alguma responsabilidade. Pelo menos (mas não todos), sempre podemos nos socorrer dos canais por assinatura ou apenas desligar a televisão e o rádio! (o que é outra imoralidade e covardia).

Recorda-me muito o Paulinho da viola que em seus acordes produziu “Falso Moralista”, fazia tempo que não acompanhava uma postagem a uma música, mas acho que hoje vou matar a saudade.


Falso Moralista – Paulinho da Viola

“Você condena o que a moçada anda fazendo
e não aceita o teatro de revista
arte moderna pra você não vale nada
e até vedete você diz não ser artista
Você se julga um tanto bom e até perfeito
Por qualquer coisa deita logo falação
Mas eu conheço bem o seu defeito
e não vou fazer segredo não
Você é visto toda sexta no Joá
e não é só no carnaval que vai pros bailes se acabar
Fim de semana você deixa a companheira
e no bar com os amigos bebe bem a noite inteira
Segunda-feira chega na repartição
pede dispensa para ir ao oculista
e vai curar sua ressaca simplesmente
Você não passa de um falso moralista.”

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